BAMAKO – Os desafios impostos ao Fórum Social Mundial para o seu próximo ano de vida já têm ao menos algumas datas e locais para começarem a ser enfrentados. De 24 a 29 de março, acontece em Karachi, no Paquistão, mais um capítulo do FSM policêntrico 2006. Localizada no sul do país, às margens do delta do rio Indus, Karachi é a maior cidade do Paquistão, centro industrial, financeiro e comercial. A maior parte do comércio internacional passa por seu moderno porto local. Capital do Paquistão entre 1947 e 1959 – substituída primeiro por Rawalpindi e depois por Islamabad, a atual –, Karachi tem hoje 15 milhões de habitantes.
O terremoto que atingiu o país no dia 8 de outubro do ano passado fez quase 100 mil vítimas fatais e deixou mais de 3,5 milhões de desabrigados. O conseqüente adiamento do capítulo asiático do FSM – já que todos os esforços da sociedade civil se voltaram para a reconstrução do Paquistão –, não deve, no entanto, tirar a força do evento. A comissão organizadora diminuiu o número de participantes esperado, de 50 para 20 mil. Mas a aposta é a de que o encontro desempenhe um papel importante para o renascimento de movimentos populares e organizações da sociedade civil genuínas, fortemente reprimidos na década de 70 e durante as ditaduras que se seguiram.
“No Paquistão, os movimentos sociais não são tão fortes. O país está sob governo militar e a democracia e os movimentos sociais são os mais oprimidos. Lá não há eleições há seis anos, e isso muda muita coisa. Com o terremoto, as pessoas tiveram que dar comida e cobertores para a população em vez de pautar o debate sobre a guerra e a globalização na base da sociedade. É um tempo político difícil”, acredita a indiana Madhusree Dutta, integrante do comitê organizador do FSM 2004, que aconteceu em Mumbai, este com forte participação popular.
Madhusree acredita que o fundamentalismo e a guerra serão os assuntos mais debatidos no capítulo asiático do FSM 2006. “Bush disse que o Paquistão está abrigando os talebans do Afeganistão; e há ainda o conflito existente na fronteira com a Índia. Portanto, dentro do país, guerra e militarismo vão de mãos dadas. Outro tema será como estabelecer uma relação do FSM com os outros países da Ásia. Conseguimos integrar a Índia no processo do Fórum, mas ainda não conseguimos integrar a Ásia. Há muitos países subrepresentados. Nosso desafio será mostrar que um país islâmico também pode desenvolver forças progressistas, como qualquer outro”, disse Mardhusree à Carta Maior. A delegação indiana deve ser a maior de fora do país, contanto com cerca de 5 mil inscritos.
Os eixos temáticos previstos para Karachi por enquanto são:
– Imperialismo, militarização e conflitos armados na região e movimentos pela paz
– Direito aos recursos naturais, controle da população e privatização e disputas fronteiriças
– Desenvolvimento do comércio e globalização
– Justiça social, Direitos Humanos e Governo
– Estado e religião, pluralismo e fundamentalismo
– Nação, nacionalidades e identidades étnicas e culturais
– Estratégias de desenvolvimento, pobreza, desemprego e deslocamento
– Movimentos populares e estratégias alternativas
– Mulheres, patriarcalismo e mudança social
– Meio ambiente, ecologia e sustento
Eixos transversais:
– Globalização imperialista
– Patriarcado
– Regime de castas, racismo e exclusões sociais
– Sectarismo religioso, políticas de identidade e fundamentalismo (comunalismo)
– Militarismo e paz
Fonte: Carta Maior
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