No dia 23 de fevereiro, o movimento Reage Brasil (que congrega entidades dos movimentos sindicais e sociais que defendem a reestatização da empresa símbolo do Brasil e a maior mineradora do mundo) realiza, no Paraná, um grande debate em defesa da desprivatização da Companhia Vale do Rio Doce. Vários estados estão mobilizados e organizando atividades para sensibilizar a sociedade. A discussão foi aberta pelo Tribunal Regional Federal de Brasília (TRF) que decidiu reavaliar o caso.
A campanha tem outros três eixos básicos: as ferrovias, que enfrentam o mesmo problema da privatização; as rodovias, com a questão dos pedágios e a defesa das reservas petrolíferas do país. As palestras serão ministradas pela Dr. Clair, deputada federal do PT, que abordará o tema da Vale do Rio Doce e por representantes do Fórum Popular Contra Pedágios.
Em entrevista ao Portal Mundo do Trabalho o presidente do Sindicato dos Petroleiros do Paraná e Santa Catarina, Anselmo Ernesto Ruoso Junior, explicou que o movimento Reage Brasil tem papel social importantíssimo, pois sua função é esclarecer e alertar a população brasileira sobre a entrega do patrimônio público, que tem a chance de ser revertida. O objetivo é pressionar o governo a desfazer os absurdos da dinastia de FHC. “Lutamos pela reestatização da Vale ou no mínimo o ressarcimento aos cofres públicos”, enfatizou.
Privatização – A Cia do Vale do Rio Doce foi vendida, em 1997, por 3,3 bilhões de reais. O lucro da venda foi estimado, em 2005, em 12,5 bilhões de reais. Nos últimos dois anos, sua lucratividade ultrapassou cinco vezes o valor pela qual foi vendida. Segundo divulgação do informe da empresa, este ano o valor da empresa chegou a 40 bilhões de dólares. A Vale foi praticamente doada, o valor não pagou sequer os 2.600 quilômetros de trilhos das suas duas ferrovias.
Como era a Vale – Uma das maiores empresas estatal do Brasil foi a maior exportadora mundial de minério de ferro. Seu complexo tinha 34 empresas entre controladoras ou coligadas e duas estradas de ferro. Antes da sua privatização a estrutura física gerava em torno de 34,7 bilhões.
Os investimentos antes da privatização:
Complexo de Carajás: 5 bilhões de dólares
Ferrovias: 6,34 bilhões de dólares
Cia Siderúrgica de Tubarão, a Bahia Celulose, a Celulose Nipo-brasileira, a Fertilizantes e fosfato. Aluminave (alumínio), a Doce Nave (navegação), a Rio Doce Finance, a Itabira Internacional: 1,73 bilhões de dólares.
Portos (11 no total): mais de 6 bilhões de dólares
Florestas com mais de 1milhão de hectares: 1 bilhão de dólares.
Demais empresas da Vale: 5 bilhões de dólares
Projeto de Cobre de Salobo: 1,5 bilhões de dólares
Ferrovias: 2.600 Km
Portos: 2
Navios Graneleiros: A maior frota do mundo
Atuação: 9 estados brasileiros.
Informações: (41) 3322 6775
Fonte: CUT
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