Aumento real, PLR maior e mais bancários no trabalho
Delegados destacam força das propostas do Paraná e esperam unidade na Campanha Salarial 2011.
Depois de um final de semana de muito debate e com a participação de 700 trabalhadores de todo o país na 13ª Conferência Nacional dos Bancários, em São Paulo-SP, foi construída de forma democrática a minuta de reivindicações da Campanha Nacional Unificada 2011. As principais prioridades da Campanha deste ano foram aprovadas na plenária final, neste domingo, 31. Os trabalhadores bancários querem aumento real de 5 porcento sobre os salários corrigidos, emprego decente, PLR equivalente a 3 salários mais 4500 reais fixos, piso de entrada na categoria igual ao salário mínimo calculado pelo DIEESE (R$ 2.293,31 em maio), além do combate às metas abusivas, ao assédio moral e à violência organizacional.
Os bancários paranaenses foram representados por 33 delegados e 4 observadores, representando os 10 sindicatos de todo o estado filiados à FETEC-CUT-PR. Ao fim da Conferência, a delegação paranaense aprovou o conjunto da minuta de reivindicações e ressaltou a contribuição dos trabalhadores do estado nas propostas elaboradas. “A Conferência Nacional refletiu muito bem o que os bancários do Paraná discutiram e propuseram na etapa estadual. As nossas propostas tiveram eco aqui em São Paulo e sintetizaram os anseios de toda a categoria”, afirmou Wanderley Crivellari, presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e Região.
Para Elias Jordão, presidente da FETEC-CUT-PR, a Conferência foi extremamente positiva e deu oportunidade para a diversidade de pensamentos de todas as correntes ideológicas do movimento sindical. “Foi amplamente democrática, onde todas as forças do movimento sindical bancário que representam os trabalhadores no país todo puderam expor suas idéias e propostas, sabendo que ao final dos debates as propostas tiradas foram construídas por todos e serão defendidas por todos”, afirma.
Segundo José Roberto Brasileiro, diretor do Sindicato dos Bancários de Apucarana e Região, a forma como a minuta foi construída vai de encontro ao que os bancários querem, mas sinaliza para uma negociação árdua. Segundo Brasileiro, vai ser preciso mobilização e participação dos bancários para garantir novas conquistas. “Mais uma vez a Conferência apontou um caminho importante para conquistarmos avanços na nossa Convenção Coletiva. Além dos ganhos nas questões de remuneração, as conquistas na área da saúde devem ser a prioridade dos trabalhadores durante a nossa Campanha”, apontou Brasileiro.
Leonice Cazarin, secretária de formação do Sindicato dos Bancários de Campo Mourão e Região, participou pela primeira vez da Conferência Nacional. Ela se surpreendeu com o nível elevado das discussões e a participação efetiva de todos os delegados nos grupos de trabalho. “O pessoal realmente participou e aprofundou os debates em cada proposta trazida das conferências estaduais, às vezes até com discussões acaloradas. Fiquei surpresa com a qualidade e o empenho de todos na construção de uma pauta que realmente atenda os interesses dos bancários”, ressaltou Leonice.
Palestras serviram como apoio para debates
Além dos debates nos grupos de trabalho, os painéis e as palestras foram elogiados pelos delegados. “As apresentações dos palestrantes conseguiram mostrar uma fotografia real da nossa situação atual, tanto econômica, quanto financeiramente. Elas serviram como um bom subsídio para alimentar as nossas discussões”, opinou Wilson de Souza, diretor do Sindicato dos Bancários de Umuarama e Assis Chateuabriand e Região.
Unidade é a palavra da Campanha 2011
Os delegados paranaenses acreditam que a Campanha Salarial deste ano vai exigir ainda mais participação e unidade dos dirigentes sindicais e dos trabalhadores bancários. As declarações do presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, dizendo que o aumento real causa inflação e a resolução do Conselho Monetário Nacional sobre os correspondentes bancários são indicativos de como os banqueiros vão pressionar para minar as conquistas dos trabalhadores. “A nossa campanha vai acontecer no período do pico da inflação. Precisamos estar muito bem mobilizados e unidos para encararmos uma negociação que tende a ser muito difícil. A palavra de ordem é a unidade”, garante Damião Rodrigues, presidente do Sindicato dos Bancários de Apucarana e Região.
Para Antônio Luiz Fermino, secretário-geral do Sindicato dos Bancários de Curitiba e Região, a expectativa para a campanha salarial deste ano é ainda maior porque será a primeira negociação durante o governo Dilma. “Estamos um pouco apreensivos, pois não sabemos ainda como vai ser a postura deste novo governo. Mas temos certeza que com mobilização, participação e união de todos os trabalhadores faremos uma campanha ainda mais forte do que a do ano passado”, garante Fermino.
E foi justamente a “unidade da categoria” a principal expressão defendida e ressaltada durante a 13ª Conferência Nacional. “Desde já estamos conclamando todos as bancárias e os bancários de nossa base sindical para participar de uma grande mobilização nacional para que tenhamos uma Campanha Nacional vitoriosa, a exemplo do ano passado”, afirma Neil Emídio Junior, presidente do Sindicato dos Bancários de Paranavaí e Região.
Negociação
Nesta semana, os sindicatos vão realizar assembleias em suas bases para referendar os itens de composição da minuta. A previsão é que o Comando Nacional entregue a Minuta de Reinvindicações à Fenaban até o dia 12 de agosto. “A partir dessa semana os sindicatos têm que começar a articular as mobilizações junto aos trabalhadores. Faremos periodicamente reuniões com as diretorias sindicais para fortalecer a nossa luta”, explica João Carlos Padilha, presidente do Sindicato dos Bancários de Toledo e Região.
O Comando Nacional, composto por representantes de todas as federações filiadas à Contraf-CUT, irá negociar com a Fenaban, sindicato patronal, os termos da Convenção Coletiva. “Nossos próximos passos agora serão o preparo e a entrega da minuta aos banqueiros, seguida de negociações. Temos certeza que, dentro do processo de construção da nossa pauta de reivindicações, desde as conferências regionais até ao final da conferência nacional, estaremos enviando uma minuta que contempla os anseios dos trabalhadores e trabalhadoras”, explica Elias Jordão, presidente da FETEC-CUT-PR.
Por Cícero Bittencourt
FETEC-CUT-PR
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Confira os principais itens da pauta de reivindicação
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Reajuste Salarial
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12,8% (5% de aumento real mais a inflação projetada de 7,5%)
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PLR
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três salários mais R$ 4.500
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Piso
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Salário mínimo do Dieese (R$ 2.297,51)
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Vales Alimentação e Refeição
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Salário Mínimo Nacional (R$ 545)
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PCCS
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Para todos os bancários
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Auxílio-educação
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Pagamento para graduação e pós
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Emprego
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Ampliação das contratações, inclusão bancária, combate às terceirizações e à rotatividade por meio da qual os bancos aumentam seus ganhos com a redução dos salários, além da aprovação da convenção 158 da OIT
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Outras
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Cumprimento da jornada de 6 horas;
Fim das metas abusivas; Fim do assédio moral e da violência organizacional; Mais segurança nas agências e departamento; Previdência complementar para todos os trabalhadores; Contratação da remuneração total; Igualdade de oportunidades |
