Brasília – A programação atual das três principais TVs públicas do país não refletem elementos da cultura negra e indígena. Este é o resultado de uma pesquisa da Fundação Cultural Palmares, que avaliou durante uma semana a programação da TV Cultura, da TVE Rede Brasil e da TV Nacional. O estudo foi apresentado durante os debates que marcaram o 1º Fórum Nacional de TVs Públicas, esta seman,a em Brasília.
A avaliação mostrou que apenas cerca de 4% da programação das três emissoras abordam em entrevistas, programas de auditório e telejornais elementos da cultura negra. Foram considerados assuntos étnico-raciais, religião, comida, música, dança e folclore, por exemplo, com foco na cultura negra brasileira ou estrangeira.
Na avaliação do autor da pesquisa, o cineasta Joel Zito Araújo, as emissoras públicas não têm se caracterizado pela diversidade, meta que devem buscar por definição. Além disso, a aparição de segmentos da população negra e indígena na televisão pública é muito pequena e pouco se diferencia do universo das televisões privadas, “onde negros e índios também estão fora das telas”.
Como exemplo, a pesquisa aponta que a TV Nacional convidou para participar dos programas 105 pessoas. Dessas, mais de 90% tinham padrões estéticos arianos e cerca de 10% de origem afro. Nenhum convidado era descendente da raça indígena.
O diretor da Radiobrás, responsável pela TV Nacional, José Roberto Garcez, disse que, a partir da pesquisa, discussões serão promovidas dentro da empresa. “A idéia é fazer um debate com os profissionais da empresa e apontar medidas para corrigir este problema”, afirmou. Segundo ele, o objetivo de incluir essa população na programação da emissora será um trabalho cotidiano. “A nossa pauta terá sempre que atender a diversidade.”
Na TVE, a opção pelo perfil eurodescendente também esteve presente. Dos 85 convidados para os programas, cerca de 83% eram brancos, com padrões de beleza ariano, sendo 15,2% dos convidados afro-descendentes. Apenas um convidado tinha origem indígena. O mesmo padrão foi apresentado pela TV Cultura.
Por Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil.
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Fórum pede TV pública independente, democrática e apartidária
Brasília – Uma televisão independente, democrática, apartidária e que busca a igualdade e a justiça social. Esses são os principais conceitos do manifesto divulgado pelos participantes do 1º Fórum Nacional de TVs Públicas. O documento será encaminhado ao governo federal para orientar mudanças no setor e, segundo o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, será levado em conta para elaborar a nova rede pública de TV, em estudo por um grupo de trabalho interministerial.
Em três partes, o documento apresenta conceitos da TV pública, de acordo com os debates; recomendações para o futuro do setor; e propostas diante do processo de migração digital. O presidente Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Jorge da Cunha Lima, leu o manifesto na cerimônia e ressaltou que a nova televisão deve ter autonomia em relação ao governo para exercer de fato a função pública. “Existe uma diferença entre a televisão pública, estatal e privada”, explicou. “Acima de tudo, a TV pública deve se caracterizar pela independência intelectual, política e administrativa.”
Para ter essa independência, a TV pública, segundo os participantes do fórum, é necessária a participação direta da sociedade. Por isso, a carta divulgada propõe que a nova TV pública seja administrada por um conselho formado principalmente por membros indicados pela sociedade. Esse órgão vai ficar encarregado de decidir e fiscalizar o que vai ao ar. “As diretrizes de gestão, programação e a fiscalização devem ser atribuição de órgão colegiado deliberativo, representativo da sociedade, no qual o Estado ou o governo não devem ter maioria”, registra o texto.
“A construção dessa TV deve ser abrangente, coletiva, plural e democrática”, explicou o ministro da Cultura, Gilberto Gil, durante a solenidade de apresentação da carta. O manifesto lembra também que a missão da TV pública passa pela expressão da diversidade, a universalização de direitos como a educação e cultura, além de contemplar a produção regional e o cinema brasileiro.
Para ter autonomia em relação ao governo, a televisão pública deve ter fontes múltiplas de financiamento. Segundo o ministro da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, a intenção é reduzir a dependência do novo canal em relação às verbas da União e dos governos estaduais. “Além do orçamento, haverá dinheiro que virá da prestação de serviços, da captação de recursos do setor privado por meio de patrocínios e a participação em fundos já existentes dentro do governo”, afirmou.
Ao contrário do que foi sugerido por entidades da sociedade civil, Franklin Martins disse que o governo não pretende taxar a compra de aparelhos de rádio e televisão e as receitas da publicidade veiculada nos canais comerciais para sustentar o novo canal. “O governo não está pensando em criar nenhum imposto para financiar a TV pública”, afirmou o ministro.
Por Wellton Máximo – Repórter da Agência Brasil.
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