São Paulo – Agentes da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo prenderam hoje (23), em um hotel do Rio de Janeiro, Christian Peter Weiss, gerente do Banco Credit Suisse, uma das três maiores instituições financeiras privadas do mundo. O Credit Suisse não tem autorização do Banco Central (Bacen) para operar no Brasil.
A operação, chamada de Kaspar III, é continuação das operações Suíça, Kaspar I e Kaspar II, em andamento desde 2006 para investigar doleiros e instituições financeiras, como os bancos Credit Suisse, AIG, Clariden e UBS, que atuavam no país sem autorização. A Polícia Federal estima que cerca de 100 pessoas, entre clientes, doleiros e diretores de bancos, tenham sido indiciadas até o momento nas quatro operações.
O suíço Weiss, que já está preso preventivamente na sede da Superintendência da Polícia Federal em São Paulo, deve responder pelos crimes de funcionamento de instituição financeira sem autorização do Bacen, lavagem de dinheiro e evasão de divisas. Segundo o delegado-chefe Ricardo Saad, da Delegacia de Repressão a Crimes Financeiros e responsável pela operação, a pena de Weiss pode chegar a 20 anos. O suíço deve ser transferido esta semana para o presídio de Itaí (SP), onde ficam os presos estrangeiros.
“O grande objetivo dessas operações é combater instituições financeiras estrangeiras que têm atuado no Brasil sem autorização do Bacen e permitindo, assim, que brasileiros tenham contas no exterior, numeradas, muitas delas em nome de empresas de fachadas, que dificultam a identificação do clientes”, disse Saad.
O delegado afirmou que, depois das operações Suíça e Kaspar, essas instituições financeiras, que tinham escritórios de representação no Brasil, mudaram sua forma de atuação, utilizando países mais próximos, como o Uruguai.
“Mas nem todos os clientes brasileiros têm como ir ao Uruguai para conversar com eles. Então, eles começaram a fazer visitas ao país, geralmente trimestrais. Os officers (ou gerentes) faziam essas visitas aos clientes em hotéis ou locais públicos e gerenciavam seus fundos ou faziam a captação de novos clientes”, explicou o delegado.
Segundo ele, a maioria desses clientes sonegam impostos no Brasil, abrindo contas geralmente na Suíça, onde há leis que garantem proteção e sigilo bancário.
“O que vale ser ressaltado é o desrespeito dessas instituições financeiras em continuar trabalhando aqui no Brasil e a possibilidade que elas abrem para que os brasileiros abram contas na Suíça, numeradas, sem declaração aqui. E o que pode estar depositado nessas contas pode ser produto de crime, muitas vezes, de sonegação fiscal”, afirmou, acrescentando que um brasileiro só poderia ter conta em bancos estrangeiros desde que os recursos sejam declarados no Brasil.
De acordo com a Polícia Federal, os clientes dessas instituições financeiras também serão investigados e podem responder por crimes de sonegação fiscal, evasão de divisas e lavagem de dinheiro.
Por Elaine Patricia Cruz – Repórter da Agência Brasil.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.