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Presença das mulheres na política ainda é muito pequena

As mulheres são a maioria da população brasileira e representam mais da metade do eleitorado brasileiro. No entanto, a participação feminina na política brasileira ainda é pequena.

A representação feminina no Congresso Nacional está entre 9% e 10%. No Senado, há nove mulheres num total de 81 senadores, e na Câmara, dos 513 deputados no exercício do mandato, apenas 45 são do sexo feminino. Na última eleição, em 75% dos mais de cinco mil municípios do país, nenhuma mulher se apresentou para a disputa.

Um levantamento realizado pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem), aponta que a participação da mulher brasileira na política é bem menor do que em países vizinhos, como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai. Entre 135 países analisados pelo Unifem, o Brasil ocupa a 102ª posição.

Parlamentares petistas avaliam que o pequeno número de mulheres na política se deve ao fato de que é recente o rompimento com a cultura brasileira que não admitia mulher nessa área.

De acordo com a deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), que está em seu terceiro mandato, “foram anos e anos de uma cultura de que política, principalmente partidária, não era espaço de mulher e sim domínio dos homens. Isso foi rompido há poucos anos. A mulher começou a votar no Brasil a partir de 1930, então é uma caminhada”, disse.

Para a deputada Dalva Figueiredo (PT-AP), o pouco espaço da mulher na política “é um resquício da formação da família brasileira, que tratava de forma diferente homens e mulheres. Nos últimos anos é que estamos despertando para a necessidade de uma nova concepção, da conscientização de que homens e mulheres podem atuar de forma igualitária. Mas ainda é um desafio”.

De acordo com Maria do Carmo Lara a participação feminina na política brasileira está longe de ser a ideal, “então ainda é um momento de dar mais condições para que a mulher possa ocupar os espaços de poder no Legislativo, no Executivo”. Para a parlamentar petista, a política brasileira “tradicionalmente é um espaço masculino e os partidos políticos até há alguns anos praticamente só abrigavam correligionários homens”.

Incentivo – Na avaliação da deputada Dalva Figueiredo, existe um desafio permanente para que as mulheres sejam incentivadas a participar da política. “Com muita luta começamos a nos conscientizar de que se não estivermos nos espaços de poder, aonde se toma decisões, não teremos oportunidade de participar ativamente da sociedade. Agora, é fundamental usar todos os instrumentos para que se mostre a necessidade de uma nova concepção na nossa sociedade, onde as próximas gerações nasçam e crescem pensando diferente, que homens e mulheres podem ter direitos iguais naturalmente, inclusive na política”, disse.

Na opinião da deputada Maria do Carmo Lara, é necessário que os partidos políticos façam um trabalho no sentido de sensibilizar as mulheres para a participação mais efetiva. “As vezes tem mulheres nos partidos, mas elas não se dispõem a fazer a disputa, ou não se tornaram lideranças. O que a gente precisa é que os partidos políticos trabalhem a participação das mulheres, façam formação política e dêem condições para as mulheres atuarem nos seus partidos e se tornarem liderança para fazer uma disputa”, disse.

A mulher chega até o partido, acrescentou Maria do Carmo Lara, “mas não consegue se colocar como uma pessoa que tem condições de fazer disputa eleitoral. Então, é um passo que precisa ser feito, os partidos fazendo um incentivo para as mulheres virem para a luta política eleitoral”, destacou.

Cotas – Sobre a lei da cota em 1996, que obriga os partidos políticos a deixar 30% das vagas reservadas para as mulheres, a deputada Maria do Carmo lembrou que ela não garantiu a efetiva participação feminina na vida político-partidária.

“É preciso fazer as cotas acontecerem e para isso é preciso o interesse das direções partidárias em buscar mulheres para fazer participação nos partidos”, destacou.

A reforma política, acrescentou Maria do Carmo Lara, poderia contribuir para determinar um equilíbrio entre homens e mulheres em termos de representação partidária. “A votação em lista fechada para o legislativo, o financiamento público, facilitaria às mulheres fazer a disputa, porque a cada três nomes haveria obrigatoriamente o de uma mulher em condições reais de ser eleita. Se há hoje no sistema eleitoral falido dificuldade para o financiamento para o homem, para a mulher é mais difícil ainda. Então uma reforma política que pensasse a questão das cotas dentro das listas e com financiamento público ajudaria, com certeza, a aumentar a participação das mulheres”, avaliou.

Para a deputada Dalva Figueiredo, a lei das cotas não é solução. “É um instrumento importante. Não decisivo, mas mobilizador e que tem objetivo de fazer com que as pessoas se envolvam mais. Ou seja, a lei das cotas é um instrumento para que possamos garantir que haverá esforços para uma conscientização da necessidade de chamar as mulheres para ocuparem os espaços de poder”, disse.

Por Gizele Benitz.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ptnacamara.org.br.

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