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PROJETO ESTIMULA EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS

Por Bia Barbosa, notícia colhida no sítio www.agenciacartamaior.com.br.
Vinte projetos de organizações de base comunitária que funcionam por meio de cooperativas receberão apoio do Senac para garantir a geração de renda de seus participantes.
São Paulo – Quando ouviu falar em marchetaria pela primeira vez, João Paulo Gomes não imaginava como o trabalho com a madeira poderia mudar sua vida. Na época, seu lazer era jogar bola, e ele fazia uns bicos para ajudar no sustento da família. João Paulo conheceu a técnica numa oficina do Centro Assistencial Cruz de Malta, que há 50 anos presta assistência a comunidades carentes no Brasil nas áreas de saúde e educação. A partir de agora, ele e seus colegas de turma contarão com o apoio técnico do Senac-São Paulo para transformar a atividade em geração de renda. A oficina será uma dos beneficiadas do projeto Empório Social, lançado nesta sexta-feira (27) em São Paulo durante o Fórum de Economia Solidária do Senac.
Ao longo de cinco meses, a unidade especializada em Terceiro Setor da entidade vai capacitar representantes de 20 organizações de base comunitária a montar grupos de empreendimento solidário. Divididos em quatro grupos temáticos, os participantes passarão por oficinas de desenvolvimento de produto nas áreas de moda, patchwork, alimentação e design de objetos em papel reciclado. Além disso, aprenderão técnicas de captação de recursos, gestão, marketing e planejamento estratégico.
“São grupos que já têm produtos desenvolvidos, mas que não conseguem inseri-los no mercado”, explica Daniella Ambrogi, coordenadora do Empório Social. O projeto deve ajudar a solucionar um dos principais problemas enfrentados pelo Cruz de Malta: a instabilidade financeira. Como o dinheiro que entra com a venda das peças difere a cada mês, muitos jovens acabam abandonando o curso em busca em outro trabalho.
“Como não há dinheiro todo mês, é difícil manter os meninos na cooperativa”, explica o professor Henrique Amaral, responsável pelo programa há quatro anos. “O começo é muito amargo porque o resultado é demorado”. Amaral procura agora o apoio de empresários, pois acredita que uma bolsa de R$ 300 mensais para cada jovem garantiria o sucesso da idéia. No Empório Social, os recursos para compra da matéria-prima ou até a busca por doadores ficam sob a responsabilidade dos próprios participantes, bem como a pesquisa de mercado para descobrir que tipo de produto pode ter uma boa aceitação.
Ao final da capacitação, cada grupo de organizações lançará uma linha de cinco produtos para serem comercializados. A proposta do Senac é que essas instituições dêem seqüência ao trabalho e continuem produzindo e lançando novos produtos a cada seis meses, com o objetivo de oferecer uma alternativa de geração de trabalho e renda para as comunidades. As organizações também devem constituir uma Rede Social de Economia Solidária, para a troca de informações e experiências.
Combate à pobreza
O conceito de economia solidária compreende o modo de organizar atividades econômicas de produção, consumo e crédito de maneira a garantir direitos iguais aos envolvidos em cada etapa do processo. Exemplos de empreendimentos dessa natureza, onde por princípio a gestão é democrática e participativa, são as cooperativas de produção e de crédito, as associações e os bancos do povo. Para o economista e secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer, a economia solidária é uma grande arma no combate à pobreza no Brasil. Singer fez a conferência de abertura do Fórum de Economia Solidária nesta sexta-feira.
“Duas cooperativas de trabalho são criadas por dia em São Paulo. Vejo uma grande multiplicação dos empreendimentos autogestionados nos próximos dez anos no Brasil”, disse o economista. “Se pensarmos a economia solidária numa relação entre organizações da sociedade civil, organizações semipúblicas, como o Senac, e os governos, podemos pensar na eliminação total da pobreza no Brasil a médio prazo”, acredita Singer.
Uma das propostas do governo federal neste sentido é utilizar auxílios como o Seguro Desemprego e o Bolsa Família para promover o nascimento de empreendimentos deste tipo. A idéia é, a partir de uma proposta do beneficiário, concentrar valores equivalentes a cinco ou seis meses do auxílio e concedê-los em uma única parcela. “Assim, com dinheiro no bolso, essas pessoas podem se tornar protagonistas para reverter sua pobreza e não depender sempre da esmola do governo”, explica. O modelo, que funcionaria com base num projeto já em desenvolvimento pela prefeitura de São Paulo, ainda aguarda a aprovação do presidente Lula.
De qualquer forma, é um sinal de que o país aposta na economia solidária para a geração de renda em tempos de crise da economia tradicional. Hoje, no Brasil, cerca de 500 mil famílias assentadas pela reforma agrária sobrevivem organizadas em cooperativas de serviço. Mesmo que cada família trabalhe sozinha, a associação permite comercializar melhor o que é produzido e adquirir com certas vantagens os bens necessários para a produção. O mesmo vale para as comunidades remanescentes dos quilombos e para os indígenas, onde a cultura da propriedade privada não existe.
Para Singer, o Brasil deve viver em breve uma grande profusão de cooperativas de serviços. O passo seguinte seria a criação de cooperativas de crédito, onde os donos decidiriam o quanto e para quem entre eles querem emprestar o dinheiro – e a que juros. “Federações de cooperativas de crédito podem chegar a criar bancos para dar crédito, inclusive, a outros projetos de economia solidária”, acredita Paul Singer. O governo deve ainda criar, em parceria com a Secretaria de Políticas Públicas de Emprego, linhas de crédito para as cooperativas. Atualmente, a maior parte da ajuda governamental tem ido para os microempresários, e não para as cooperativas.
Tais linhas de crédito podem ajudar ex-empregados a recuperar, por exemplo, empresas falidas. Este é o caso da Parmalat, que pode ser assumida em breve por entidades como a Contac (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação e Assalariados Rurais), a Federação dos Pequenos Agricultores do Brasil e o MST. Para Singer, trata-se de uma proposta radical, mas que será a alternativa mais favorável aos consumidores, pois evitará maior concentração da produção nas mãos da Nestlé. “Além disso, todo dia há empresas quebrando, este é o jogo do mercado. E os trabalhadores são os grandes perdedores. Não há nada mais justo do que quererem usar seus créditos trabalhistas para ficar com o complexo”, afirma o secretário.
Para Singer, a economia solidária é construção do povo pobre, excluído e marginalizado. Algo que renasce como “tábua de salvação”. Por um lado, é uma alternativa ao desemprego, mas por outro, não passa disso. “Muitas pessoas criam cooperativas para apagar a fogueira e não por acreditarem num modo de produção solidária. É esta mentalidade que ainda falta mudar no Brasil”, conclui.
Para saber mais sobre o Projeto Empório Social, visite a página www.setor3.com.br.

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PROJETO ESTIMULA EMPREENDIMENTOS COMUNITÁRIOS

Por Bia Barbosa, notícia colhida no sítio www.agenciacartamaior.com.br.

Vinte projetos de organizações de base comunitária que funcionam por meio de cooperativas receberão apoio do Senac para garantir a geração de renda de seus participantes.

São Paulo – Quando ouviu falar em marchetaria pela primeira vez, João Paulo Gomes não imaginava como o trabalho com a madeira poderia mudar sua vida. Na época, seu lazer era jogar bola, e ele fazia uns bicos para ajudar no sustento da família. João Paulo conheceu a técnica numa oficina do Centro Assistencial Cruz de Malta, que há 50 anos presta assistência a comunidades carentes no Brasil nas áreas de saúde e educação. A partir de agora, ele e seus colegas de turma contarão com o apoio técnico do Senac-São Paulo para transformar a atividade em geração de renda. A oficina será uma dos beneficiadas do projeto Empório Social, lançado nesta sexta-feira (27) em São Paulo durante o Fórum de Economia Solidária do Senac.

Ao longo de cinco meses, a unidade especializada em Terceiro Setor da entidade vai capacitar representantes de 20 organizações de base comunitária a montar grupos de empreendimento solidário. Divididos em quatro grupos temáticos, os participantes passarão por oficinas de desenvolvimento de produto nas áreas de moda, patchwork, alimentação e design de objetos em papel reciclado. Além disso, aprenderão técnicas de captação de recursos, gestão, marketing e planejamento estratégico.

“São grupos que já têm produtos desenvolvidos, mas que não conseguem inseri-los no mercado”, explica Daniella Ambrogi, coordenadora do Empório Social. O projeto deve ajudar a solucionar um dos principais problemas enfrentados pelo Cruz de Malta: a instabilidade financeira. Como o dinheiro que entra com a venda das peças difere a cada mês, muitos jovens acabam abandonando o curso em busca em outro trabalho.

“Como não há dinheiro todo mês, é difícil manter os meninos na cooperativa”, explica o professor Henrique Amaral, responsável pelo programa há quatro anos. “O começo é muito amargo porque o resultado é demorado”. Amaral procura agora o apoio de empresários, pois acredita que uma bolsa de R$ 300 mensais para cada jovem garantiria o sucesso da idéia. No Empório Social, os recursos para compra da matéria-prima ou até a busca por doadores ficam sob a responsabilidade dos próprios participantes, bem como a pesquisa de mercado para descobrir que tipo de produto pode ter uma boa aceitação.

Ao final da capacitação, cada grupo de organizações lançará uma linha de cinco produtos para serem comercializados. A proposta do Senac é que essas instituições dêem seqüência ao trabalho e continuem produzindo e lançando novos produtos a cada seis meses, com o objetivo de oferecer uma alternativa de geração de trabalho e renda para as comunidades. As organizações também devem constituir uma Rede Social de Economia Solidária, para a troca de informações e experiências.

Combate à pobreza
O conceito de economia solidária compreende o modo de organizar atividades econômicas de produção, consumo e crédito de maneira a garantir direitos iguais aos envolvidos em cada etapa do processo. Exemplos de empreendimentos dessa natureza, onde por princípio a gestão é democrática e participativa, são as cooperativas de produção e de crédito, as associações e os bancos do povo. Para o economista e secretário nacional de Economia Solidária, Paul Singer, a economia solidária é uma grande arma no combate à pobreza no Brasil. Singer fez a conferência de abertura do Fórum de Economia Solidária nesta sexta-feira.

“Duas cooperativas de trabalho são criadas por dia em São Paulo. Vejo uma grande multiplicação dos empreendimentos autogestionados nos próximos dez anos no Brasil”, disse o economista. “Se pensarmos a economia solidária numa relação entre organizações da sociedade civil, organizações semipúblicas, como o Senac, e os governos, podemos pensar na eliminação total da pobreza no Brasil a médio prazo”, acredita Singer.

Uma das propostas do governo federal neste sentido é utilizar auxílios como o Seguro Desemprego e o Bolsa Família para promover o nascimento de empreendimentos deste tipo. A idéia é, a partir de uma proposta do beneficiário, concentrar valores equivalentes a cinco ou seis meses do auxílio e concedê-los em uma única parcela. “Assim, com dinheiro no bolso, essas pessoas podem se tornar protagonistas para reverter sua pobreza e não depender sempre da esmola do governo”, explica. O modelo, que funcionaria com base num projeto já em desenvolvimento pela prefeitura de São Paulo, ainda aguarda a aprovação do presidente Lula.

De qualquer forma, é um sinal de que o país aposta na economia solidária para a geração de renda em tempos de crise da economia tradicional. Hoje, no Brasil, cerca de 500 mil famílias assentadas pela reforma agrária sobrevivem organizadas em cooperativas de serviço. Mesmo que cada família trabalhe sozinha, a associação permite comercializar melhor o que é produzido e adquirir com certas vantagens os bens necessários para a produção. O mesmo vale para as comunidades remanescentes dos quilombos e para os indígenas, onde a cultura da propriedade privada não existe.

Para Singer, o Brasil deve viver em breve uma grande profusão de cooperativas de serviços. O passo seguinte seria a criação de cooperativas de crédito, onde os donos decidiriam o quanto e para quem entre eles querem emprestar o dinheiro – e a que juros. “Federações de cooperativas de crédito podem chegar a criar bancos para dar crédito, inclusive, a outros projetos de economia solidária”, acredita Paul Singer. O governo deve ainda criar, em parceria com a Secretaria de Políticas Públicas de Emprego, linhas de crédito para as cooperativas. Atualmente, a maior parte da ajuda governamental tem ido para os microempresários, e não para as cooperativas.

Tais linhas de crédito podem ajudar ex-empregados a recuperar, por exemplo, empresas falidas. Este é o caso da Parmalat, que pode ser assumida em breve por entidades como a Contac (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Indústria da Alimentação e Assalariados Rurais), a Federação dos Pequenos Agricultores do Brasil e o MST. Para Singer, trata-se de uma proposta radical, mas que será a alternativa mais favorável aos consumidores, pois evitará maior concentração da produção nas mãos da Nestlé. “Além disso, todo dia há empresas quebrando, este é o jogo do mercado. E os trabalhadores são os grandes perdedores. Não há nada mais justo do que quererem usar seus créditos trabalhistas para ficar com o complexo”, afirma o secretário.

Para Singer, a economia solidária é construção do povo pobre, excluído e marginalizado. Algo que renasce como “tábua de salvação”. Por um lado, é uma alternativa ao desemprego, mas por outro, não passa disso. “Muitas pessoas criam cooperativas para apagar a fogueira e não por acreditarem num modo de produção solidária. É esta mentalidade que ainda falta mudar no Brasil”, conclui.

Para saber mais sobre o Projeto Empório Social, visite a página www.setor3.com.br.

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