Valor Econômico
Levou apenas onze minutos para o Banco Central (BC) vender, ontem, o Banco do Estado do Maranhão (BEM) para o Bradesco, no primeiro leilão de privatização do governo Lula. O Bradesco pagou pelo controle do banco maranhense exatos R$ 78 milhões, com ágio de 1,07% sobre o preço mínimo ou duas vezes o patrimônio.
O Itaú também participou da disputa e até antecipou-se ao Bradesco na entrega do envelope com sua proposta a três segundos do prazo final, esquentando o suspense. “Faz parte do teatro”, disse o presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Raymundo Magliano. Mas o Itaú limitou-se a oferecer o preço mínimo de R$ 77,127 milhões. Em seguida, o Bradesco entregou seu envelope.
Como a diferença entre as duas propostas era inferior a 20%, o leilão foi para a disputa em viva-voz. Desta vez, porém, o Itaú ficou de fora, embora tenha levado ao pregão o homem que cuidou dos quatro bancos estaduais que adquiriu em leilão de privatização, Banerj, Bemge, Banestado e BEG, Ronald Anton de Jongh. Do lado do Bradesco, outro especialista no assunto, o diretor Sérgio de Oliveira, nem precisou se mover. O banco foi vendido em menos tempo do que levou a leitura do edital, observou um espectador do leilão.
Foram oferecidas 324.181.808 ações ordinárias em bloco único, que representam 89,95% do capital social do BEM.
Do lado de fora do pregão, meia dúzia de manifestantes do PSTU reclamavam da venda dos bancos estatais para o capital estrangeiro, ignorando que Bradesco e Itaú eram os únicos na disputa.
O diretor de Liquidações e Desestatização do BC, Antônio Gustavo Matos do Vale, afirmou estar satisfeito com o resultado do leilão. Duas outras tentativas anteriores haviam sido frustradas, a primeira em julho de 2000 por falta de interessados; e a segunda em 2002, suspensa pela Justiça. Por cinco outras vezes a venda foi adiada. De acordo com o edital de venda, o saneamento financeiro do banco começou em janeiro de 1999 e implicou a injeção de R$ 264 milhões, além de mais R$ 68 milhões gastos na compra da carteira imobiliária da instituição.
Matos do Vale disse que o próximo banco estatal a ser vendido deve ser o do Estado do Ceará (BEC), provavelmente no início do segundo semestre. “Se começarmos logo depois do Carnaval, levaremos de quatro a cinco meses para fazer a avaliação. O TCU precisa examinar a avaliação antes do leilão e isso leva mais 45 dias”, calculou.
O BEM é o 12º banco estatal privatizado desde o Banerj, em 1997. Até agora, o governo arrecadou R$ 11,4 bilhões com as privatizações de bancos, em termos nominais. O recorde de preço continua sendo o Banespa, vendido ao Santander por R$ 7,05 bilhões, em 2000. Mas, o ágio mais elevado foi o de 303,2% pago pelo Itaú pelo Banestado, também em 2000.
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Por Mhais• 11 de fevereiro de 2004• 10:49• Sem categoria
R$ 11,4 BI NA VENDA DE BANCOS ESTATAIS
Valor Econômico
Levou apenas onze minutos para o Banco Central (BC) vender, ontem, o Banco do Estado do Maranhão (BEM) para o Bradesco, no primeiro leilão de privatização do governo Lula. O Bradesco pagou pelo controle do banco maranhense exatos R$ 78 milhões, com ágio de 1,07% sobre o preço mínimo ou duas vezes o patrimônio.
O Itaú também participou da disputa e até antecipou-se ao Bradesco na entrega do envelope com sua proposta a três segundos do prazo final, esquentando o suspense. “Faz parte do teatro”, disse o presidente da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa), Raymundo Magliano. Mas o Itaú limitou-se a oferecer o preço mínimo de R$ 77,127 milhões. Em seguida, o Bradesco entregou seu envelope.
Como a diferença entre as duas propostas era inferior a 20%, o leilão foi para a disputa em viva-voz. Desta vez, porém, o Itaú ficou de fora, embora tenha levado ao pregão o homem que cuidou dos quatro bancos estaduais que adquiriu em leilão de privatização, Banerj, Bemge, Banestado e BEG, Ronald Anton de Jongh. Do lado do Bradesco, outro especialista no assunto, o diretor Sérgio de Oliveira, nem precisou se mover. O banco foi vendido em menos tempo do que levou a leitura do edital, observou um espectador do leilão.
Foram oferecidas 324.181.808 ações ordinárias em bloco único, que representam 89,95% do capital social do BEM.
Do lado de fora do pregão, meia dúzia de manifestantes do PSTU reclamavam da venda dos bancos estatais para o capital estrangeiro, ignorando que Bradesco e Itaú eram os únicos na disputa.
O diretor de Liquidações e Desestatização do BC, Antônio Gustavo Matos do Vale, afirmou estar satisfeito com o resultado do leilão. Duas outras tentativas anteriores haviam sido frustradas, a primeira em julho de 2000 por falta de interessados; e a segunda em 2002, suspensa pela Justiça. Por cinco outras vezes a venda foi adiada. De acordo com o edital de venda, o saneamento financeiro do banco começou em janeiro de 1999 e implicou a injeção de R$ 264 milhões, além de mais R$ 68 milhões gastos na compra da carteira imobiliária da instituição.
Matos do Vale disse que o próximo banco estatal a ser vendido deve ser o do Estado do Ceará (BEC), provavelmente no início do segundo semestre. “Se começarmos logo depois do Carnaval, levaremos de quatro a cinco meses para fazer a avaliação. O TCU precisa examinar a avaliação antes do leilão e isso leva mais 45 dias”, calculou.
O BEM é o 12º banco estatal privatizado desde o Banerj, em 1997. Até agora, o governo arrecadou R$ 11,4 bilhões com as privatizações de bancos, em termos nominais. O recorde de preço continua sendo o Banespa, vendido ao Santander por R$ 7,05 bilhões, em 2000. Mas, o ágio mais elevado foi o de 303,2% pago pelo Itaú pelo Banestado, também em 2000.
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