O reajuste do salário mínimo para R$ 420 não quebra o país. Lembramos que em 2004 e 2005 o salário mínimo recebeu aumentos reais e, ao contrário de previsões pessimistas, não houve inflação, implosão da Previdência ou quaisquer efeitos negativos como o imaginado pelo senador Valdir Raupp. Tanto é que a comissão mista do Congresso que analisa o tema já trabalha com a perspectiva de aumentar o mínimo para R$ 400.
Vale lembrar que no ano passado o valor dos benefícios pagos ilegalmente foi quase o mesmo do alegado déficit da Previdência, segundo relatório divulgado pela imprensa no último final de semana. É preciso também considerar a inadimplência de empregadores.
Reajustes do salário mínimo contribuem para o desenvolvimento com distribuição de renda. Projeções feitas pelo Dieese indicam que o reajuste agora reivindicado pelas centrais injetaria mais R$ 39,1 bilhões na economia, gerando um efeito dinâmico positivo sobre o consumo e, consequentemente, sobre a geração de novos postos de trabalho. Além disso, a arrecadação tributária sobre o consumo cresceria em R$ 9,6 bilhões, sem necessidade de elevação da carga.
A CUT destaca também o papel da valorização do salário mínimo na redução da pobreza. Estudo preparado pelos professores Anselmo Luís dos Santos e Fabiano Garrido, da Unicamp, afirma que os recentes reajustes diminuíram em 6,7% o número de famílias abaixo da linha da pobreza, entre 2002 e 2005, graças à presença de um ou mais integrantes com rendimentos próximos ao salário mínimo.
Artur Henrique
Presidente nacional da CUT
Publicada em: 11/12/2006 às 19:25 Seção: Todas as Notícias do sítio www.cut.org.br.
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