Correio Braziliense
Depois de enquadrar o PL, que pediu a demissão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o governo iniciou a operação para conter as reclamações sobre a política econômica e blindar Palocci.
Após a tímida queda nos juros esta semana, a próxima ‘‘boa notícia’’ será o reajuste do salário mínimo acima da inflação. Ontem, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, avisou que o mínimo deverá ter ganho real a partir de maio. ‘‘Eu creio que esse é o objetivo de todo governo. Garantir sempre reajustes acima da inflação’’, avaliou o ministro.
Até agora, a inflação acumulada dos últimos 12 meses chegou a 6,69%, de acordo com o Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE.
A decisão está tomada pelo Palácio do Planalto, reforçou também o vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP). ‘‘O salário mínimo vai continuar crescendo acima da inflação. Não tem porque haver desgaste para o governo’’, anunciou o deputado. ‘‘Estamos fazendo o contrário do que era no passado. Estamos recuperando o poder de compra do salário mínimo’’, disse, sem antecipar, porém, prováveis valores de reajuste.
O Orçamento Geral da União de 2004 prevê um reajuste dos atuais R$ 240 para R$ 259. O relator do texto no Congresso, Jorge Bittar (PT-RJ), deixou uma folga de R$ 3,6 bilhões o orçamento da Previdência, dinheiro suficiente para reajustar o mínimo até R$ 284. Há, porém, uma dívida com aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A recomendação de Bittar era elevar o salário-base no país até R$ 276.
Desagravo
Os ataques a Palocci do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também provocaram uma reação de desagravo de petistas. E o alerta de que as reclamações não provocaram uma mudança radical na economia.
Na terça-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, avisou que nenhuma mudança de rota será feita sem o aval de Palocci. ‘‘Não vamos fazer um tratamento suicida. Não haverá mudança na política econômica contra o ministro Palocci’’, avisou.
Ontem foi a vez do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Ele dedicou ao ministro a votação de projetos econômicos, como a Parceria Público-Privado (PPP), aprovados na noite de quarta-feira na Câmara.
‘‘Todos nós, alguns em grau mais acentuado, e outros menos acentuado, temos questionamentos da política econômica. Mas você não reforma um trem em andamento tirando o piloto, ou então fazendo truculências dentro desse trem’’, comparou.
João Paulo só entrou em choque com o ministro da Fazenda ao deixar claro que espera mudanças na política econômica, assim como parlamentares do PT e de outros partidos da base aliada. Para o presidente, o país vive um momento de ‘‘transição econômica’’ que ele espera ‘‘seja o mais rápido possível’’.
Mágica
Em Londres, onde participa de reuniões com representantes financeiros, Palocci deixou claro, porém, que a política econômica não mudará rapidamente. ‘‘A equipe econômica não vai trabalhar com instrumentos mágicos para acelerar crescimento porque, na história do Brasil, sempre que se tentou essa mágica se colheu alta inflação e não altas taxas de crescimento’’, rebateu.
Diplomático, Palocci avaliou como ‘‘positivas’’ as pressões por mudanças de rumo econômico, mas avaliou que nenhuma crítica atinge os pilares da economia. O ministro também avisou que a queda de 0,25% nos juros esta semana não significa uma redução acentuada no percentual.
O ritmo da queda não será nem mesmo na velocidade ocorrida ano passado. ‘‘Como nos regimes do corpo humano, vai obedecer à queima de gorduras progressivas e adequadas no tempo’’, avisou. Ele comparou o processo à uma dieta, em que é possível perder 10% do peso em dois meses, mas os próximos 10% serão perdidos em cinco meses e os outros 10% só em um ano.
Otimista, o ministro recomendou aos empresários brasileiros buscar investimentos, que o governo manterá a estabilidade. Ele também tranqüilizou os investidores quanto ao impacto do escândalo Waldomiro Diniz sobre a economia e avisou que não se influenciará por pressões políticas.
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Por Mhais• 19 de março de 2004• 11:24• Sem categoria
REAJUSTE DO SALÁRIO MÍNIMO PODERÁ FICAR ACIMA DA INFLAÇÃO
Correio Braziliense
Depois de enquadrar o PL, que pediu a demissão do ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o governo iniciou a operação para conter as reclamações sobre a política econômica e blindar Palocci.
Após a tímida queda nos juros esta semana, a próxima ‘‘boa notícia’’ será o reajuste do salário mínimo acima da inflação. Ontem, o ministro do Trabalho, Ricardo Berzoini, avisou que o mínimo deverá ter ganho real a partir de maio. ‘‘Eu creio que esse é o objetivo de todo governo. Garantir sempre reajustes acima da inflação’’, avaliou o ministro.
Até agora, a inflação acumulada dos últimos 12 meses chegou a 6,69%, de acordo com o Índice Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), do IBGE.
A decisão está tomada pelo Palácio do Planalto, reforçou também o vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP). ‘‘O salário mínimo vai continuar crescendo acima da inflação. Não tem porque haver desgaste para o governo’’, anunciou o deputado. ‘‘Estamos fazendo o contrário do que era no passado. Estamos recuperando o poder de compra do salário mínimo’’, disse, sem antecipar, porém, prováveis valores de reajuste.
O Orçamento Geral da União de 2004 prevê um reajuste dos atuais R$ 240 para R$ 259. O relator do texto no Congresso, Jorge Bittar (PT-RJ), deixou uma folga de R$ 3,6 bilhões o orçamento da Previdência, dinheiro suficiente para reajustar o mínimo até R$ 284. Há, porém, uma dívida com aposentados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS).
A recomendação de Bittar era elevar o salário-base no país até R$ 276.
Desagravo
Os ataques a Palocci do presidente do PL, Valdemar Costa Neto, também provocaram uma reação de desagravo de petistas. E o alerta de que as reclamações não provocaram uma mudança radical na economia.
Na terça-feira, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, avisou que nenhuma mudança de rota será feita sem o aval de Palocci. ‘‘Não vamos fazer um tratamento suicida. Não haverá mudança na política econômica contra o ministro Palocci’’, avisou.
Ontem foi a vez do presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP). Ele dedicou ao ministro a votação de projetos econômicos, como a Parceria Público-Privado (PPP), aprovados na noite de quarta-feira na Câmara.
‘‘Todos nós, alguns em grau mais acentuado, e outros menos acentuado, temos questionamentos da política econômica. Mas você não reforma um trem em andamento tirando o piloto, ou então fazendo truculências dentro desse trem’’, comparou.
João Paulo só entrou em choque com o ministro da Fazenda ao deixar claro que espera mudanças na política econômica, assim como parlamentares do PT e de outros partidos da base aliada. Para o presidente, o país vive um momento de ‘‘transição econômica’’ que ele espera ‘‘seja o mais rápido possível’’.
Mágica
Em Londres, onde participa de reuniões com representantes financeiros, Palocci deixou claro, porém, que a política econômica não mudará rapidamente. ‘‘A equipe econômica não vai trabalhar com instrumentos mágicos para acelerar crescimento porque, na história do Brasil, sempre que se tentou essa mágica se colheu alta inflação e não altas taxas de crescimento’’, rebateu.
Diplomático, Palocci avaliou como ‘‘positivas’’ as pressões por mudanças de rumo econômico, mas avaliou que nenhuma crítica atinge os pilares da economia. O ministro também avisou que a queda de 0,25% nos juros esta semana não significa uma redução acentuada no percentual.
O ritmo da queda não será nem mesmo na velocidade ocorrida ano passado. ‘‘Como nos regimes do corpo humano, vai obedecer à queima de gorduras progressivas e adequadas no tempo’’, avisou. Ele comparou o processo à uma dieta, em que é possível perder 10% do peso em dois meses, mas os próximos 10% serão perdidos em cinco meses e os outros 10% só em um ano.
Otimista, o ministro recomendou aos empresários brasileiros buscar investimentos, que o governo manterá a estabilidade. Ele também tranqüilizou os investidores quanto ao impacto do escândalo Waldomiro Diniz sobre a economia e avisou que não se influenciará por pressões políticas.
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