A renda disponível dos mais pobres aumentou significativamente nos últimos 12 meses, devido à combinação do aumento salarial e do tombo dos preços da cesta básica. O reajuste de 16,6% do mínimo e a queda das cotações dos alimentos – motivada pela ampla oferta agrícola e pelo câmbio valorizado – explicam o salto, diz o economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero.
Ele nota que, há um ano, quem ganhava R$ 300 de mínimo gastava R$ 212,67 para comprar uma cesta básica, sobrando R$ 87,33. Hoje, quem recebe o mínimo de R$ 350 tem que destinar R$ 198,17 para pagar a cesta, de acordo o Procon-SP. “Para esse trabalhador, a renda disponível depois de fazer o supermercado é de R$ 151,83, um aumento de 74% em relação a julho de 2005”, afirma ele.
O aumento da renda disponível é especialmente forte entre os mais pobres, diz Montero. O aumento do salário mínimo e a ampliação de um programa como o Bolsa Família elevam o rendimento de quem ganha menos.
Além disso, os produtos cujos preços estão em queda são justamente os consumidos pelos mais pobres, como afirma o economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli. No Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grupo alimentação no domicílio caiu 3,87% nos 12 meses terminados em junho, por exemplo. Itens que pesam mais no bolso da classe média, como educação e saúde, tiveram aumentos mais fortes (6,35% e 6,48%, pela ordem).
Montero ressalta que a oferta agrícola e a valorização do câmbio explicam a queda dos preços dos alimentos. “É uma situação parecida com a dos primeiros anos do Plano Real, em que houve ganhos fantásticos de renda devido à âncora verde”, afirma ele.
Bassoli também ressalta o papel do dólar barato nesse processo, uma vez que o câmbio valorizado eleva o valor dos salários em termos reais. Nos 12 meses terminados em maio, a taxa de câmbio real apreciou-se 17%, na comparação com uma cesta de moedas, ao passo que o rendimento médio real subiu 7,7%.
Montero acrescenta que o aumento do mínimo também tem contribuído para o crescimento da renda dos funcionários públicos, mesmo nos casos em que a remuneração do servidor é mais elevada que o piso salarial no país. Ele cita uma nota do Tesouro sobre o crescimento das despesas com pessoal da União em maio, explicando que o mínimo serve como base para gratificações e outras remunerações escalonadas.
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 12 de julho de 2006• 09:51• Sem categoria
Renda disponível dos mais pobres aumenta 74%
A renda disponível dos mais pobres aumentou significativamente nos últimos 12 meses, devido à combinação do aumento salarial e do tombo dos preços da cesta básica. O reajuste de 16,6% do mínimo e a queda das cotações dos alimentos – motivada pela ampla oferta agrícola e pelo câmbio valorizado – explicam o salto, diz o economista-chefe da corretora Convenção, Fernando Montero.
Ele nota que, há um ano, quem ganhava R$ 300 de mínimo gastava R$ 212,67 para comprar uma cesta básica, sobrando R$ 87,33. Hoje, quem recebe o mínimo de R$ 350 tem que destinar R$ 198,17 para pagar a cesta, de acordo o Procon-SP. “Para esse trabalhador, a renda disponível depois de fazer o supermercado é de R$ 151,83, um aumento de 74% em relação a julho de 2005”, afirma ele.
O aumento da renda disponível é especialmente forte entre os mais pobres, diz Montero. O aumento do salário mínimo e a ampliação de um programa como o Bolsa Família elevam o rendimento de quem ganha menos.
Além disso, os produtos cujos preços estão em queda são justamente os consumidos pelos mais pobres, como afirma o economista-chefe do HSBC, Alexandre Bassoli. No Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), o grupo alimentação no domicílio caiu 3,87% nos 12 meses terminados em junho, por exemplo. Itens que pesam mais no bolso da classe média, como educação e saúde, tiveram aumentos mais fortes (6,35% e 6,48%, pela ordem).
Montero ressalta que a oferta agrícola e a valorização do câmbio explicam a queda dos preços dos alimentos. “É uma situação parecida com a dos primeiros anos do Plano Real, em que houve ganhos fantásticos de renda devido à âncora verde”, afirma ele.
Bassoli também ressalta o papel do dólar barato nesse processo, uma vez que o câmbio valorizado eleva o valor dos salários em termos reais. Nos 12 meses terminados em maio, a taxa de câmbio real apreciou-se 17%, na comparação com uma cesta de moedas, ao passo que o rendimento médio real subiu 7,7%.
Montero acrescenta que o aumento do mínimo também tem contribuído para o crescimento da renda dos funcionários públicos, mesmo nos casos em que a remuneração do servidor é mais elevada que o piso salarial no país. Ele cita uma nota do Tesouro sobre o crescimento das despesas com pessoal da União em maio, explicando que o mínimo serve como base para gratificações e outras remunerações escalonadas.
Fonte: Valor Econômico
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