A resistência aos transgênicos, tanto no Brasil quanto no exterior, registrou resultados positivos em 2007, na opinião do presidente da Empresa Paranaense de Classificação de Produtos (Claspar), o engenheiro agrônomo Valdir Izidoro Silveira. O destaque, segundo ele, foi para a decisão judicial que proibiu a Syngenta de realizar experimentos com organismos geneticamente modificados em sua área, em Santa Teresa do Oeste, na região Oeste do Estado.
“Decisões judiciais têm garantido à sociedade civil conquistas importantes relacionadas à obrigatoriedade da rotulagem dos alimentos processados com transgênicos, ao mesmo tempo que foram proibidas liberações para comercialização de grãos geneticamente modificados”, acrescenta Valdir Izidoro.
Segundo o presidente da Claspar, os consumidores estão rejeitando os produtos transgênicos, enquanto que os agricultores que optaram em plantar a soja convencional estão recebendo mais por suas produções.
Valorização – Izidoro ressalta que a rejeição dos importadores, seguindo posição dos consumidores, contrária aos transgênicos, está valorizando cada vez mais a soja convencional. No Oeste paranaense, os produtores de soja não-transgênica estão recebendo R$ 2,20 a mais por saca do grão. Muitas cooperativas estão pagando 6% pelo grão não transgênico, tanto para atender a demanda do mercado interno como para os embarques para o exterior. Destacam-se as cooperativas Castrolanda, Batavo, Agrária e Coamo que negociam com os produtores de soja convencional preços superiores às cotações da soja transgênica.
As cooperativas estão realizando vendas para o mercado europeu e os prêmios variam de U$S 5,00 a U$S 10,00 a tonelada, variando conforme o volume exportado. Também a Imcopa, de Araucária, que processa soja para produção de ração exportada para a Europa e Japão, recebe somente soja convencional. O mesmo está ocorrendo em Mato Grosso e Goiás, outras duas grandes regiões produtoras de soja, onde os grãos de soja convencional têm melhor cotação do que a transgênica.
Reação no exterior – O presidente da Claspar destaca que “as posições francesa e austríaca, contárias aos transgênicos, pressionam a União Européia a manter a restrição ao cultivo de lavouras transgênicas. Também as populações dos países europeus manifestam-se contrárias à produção e comercialização de transgênicos. Mobilizações gigantes estão acontecendo na Itália e em Portugal, com abaixo-assinados, reunindo milhares de signatários, exigindo que seus governos adotem posições enérgicas contra os organismos geneticamente modificados”.
E finaliza, lembrando que até nos Estados Unidos está crescendo a rejeição aos alimentos processados com transgênicos, com centenas de organizações pressionando o governo a adotar a rotulagem. Até agora, não apareceu no mundo, nenhum movimento da sociedade civil defendendo o consumo de transgênicos, conclui Valdir Izidoro.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.aenoticias.pr.gov.br.