Gazeta do Povo
Empresas e consumidores ainda não acreditam na recuperação da economia
“Nós estamos investindo, mas o que está crescendo é a exportação; o mercado interno ainda não reagiu.” Antonio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim, uma das maiores empresas privadas brasileiras, atuante nos setores de cimento, metalurgia, celulose e papel.
São Paulo (AE) – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) enfrenta esta semana mais uma decisão difícil sobre reduzir ou manter a taxa básica de juros, a Selic, que está em 16,5% ao ano. A pressão do setor produtivo contra os altos juros no Brasil vem aumentando, com a permanência do ceticismo de muitas empresas e consumidores em relação à recuperação da economia.
“Nós estamos investindo, mas o que está crescendo é a exportação; o mercado interno ainda não reagiu”, disse o empresário Antonio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim, uma das maiores empresas privadas brasileiras, atuante nos setores de cimento, metalurgia, celulose e papel.
Depois que o BC divulgou, em 29 de janeiro, a dura ata da reunião do Copom de janeiro, alertando para o risco inflacionário, foram divulgados diversos índices de inflação tranqüilizadores. O IPC da Fipe da primeira quadrissemana de fevereiro ficou em 0,46%, abaixo das projeções do mercado, de 0,47% a 0,60%. A primeira prévia do IGP-M de fevereiro, de 0,08%, também ficou abaixo das projeções, entre 0,14% e 0,72%.
Finalmente, o IPCA de janeiro, de 0,76%, ficou bem no centro das projeções de mercado, de 0,65% a 0,75%, mas os “núcleos” do índice foram favoráveis. O núcleo exclui os componentes mais instáveis do índice, para captar a tendência de longo prazo.
Curiosamente, essas boas notícias podem tornar a decisão do Copom nesta semana mais difícil. No mercado financeiro, uma expressiva corrente julga que será incoerência o BC baixar a Selic na quarta-feira, quando se encerra a reunião de dois dias do Copom. Na ata da reunião de janeiro, o BC deixou claro que a manutenção da taxa básica em 16,5% foi uma parada estratégica, destinada a verificar se as remarcações da virada do ano não poderiam ser o início de um repique inflacionário, na esteira da queda da Selic de 26,5%, em junho do ano passado, para o nível atual – que, ainda assim, corresponde ao juro real mais alto do mundo.
Os defensores da tese da “incoerência” acham que, mesmo com os últimos índices favoráveis de preços, ainda não saíram dados suficientes para se ter certeza de que não há risco de um repique inflacionário. Mesmo entre os que não julgam que o problema seja de coerência, nota-se uma preferência pela manutenção da Selic em fevereiro. “Eu acho que deveriam aguardar mais um mês; eles podem baixar na reunião subseqüente (de março) e garantir crescimento de 3,5% a 4% ao ano”, diz Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC.
Nas empresas, porém, o clamor pelo corte dos juros está se tornando mais insistente. “Existe a perspectiva de que vai haver uma retomada, mas não podemos dizer que já houve; quem aumentar preço vai perder mercado”, diz Sandro Mabel, presidente da Mabel, fabricante de biscoitos, e deputado federal (PL) por Goiás.
Para Antonio Ermírio, os altos juros no Brasil estão estimulando as aplicações no mercado financeiro, em detrimento do investimento produtivo. Ressalvando que este não é o caso dele próprio e do Grupo Votorantim, que está investindo fortemente, o empresário diz que “para um homem abastado, basta aplicar o dinheiro, e ganhar muito, trabalhando pouco”.
Na Vicunha Têxtil, o diretor Rubens Bahoum diz que é difícil avaliar o nível de atividade no seu setor neste momento, já que é um período sazonalmente fraco. Ainda assim, o que ele vem ouvindo de outras empresas não mostra uma recuperação vigorosa em curso. “Tem de reaquecer a economia, porque o desemprego é grande e a queda na renda ainda é forte.”
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Por Mhais• 16 de fevereiro de 2004• 10:13• Sem categoria
SETOR PRODUTIVO FAZ PRESSÃO PARA BC BAIXAR A TAXA DE JUROS
Gazeta do Povo
Empresas e consumidores ainda não acreditam na recuperação da economia
“Nós estamos investindo, mas o que está crescendo é a exportação; o mercado interno ainda não reagiu.” Antonio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim, uma das maiores empresas privadas brasileiras, atuante nos setores de cimento, metalurgia, celulose e papel.
São Paulo (AE) – O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) enfrenta esta semana mais uma decisão difícil sobre reduzir ou manter a taxa básica de juros, a Selic, que está em 16,5% ao ano. A pressão do setor produtivo contra os altos juros no Brasil vem aumentando, com a permanência do ceticismo de muitas empresas e consumidores em relação à recuperação da economia.
“Nós estamos investindo, mas o que está crescendo é a exportação; o mercado interno ainda não reagiu”, disse o empresário Antonio Ermírio de Moraes, presidente do Grupo Votorantim, uma das maiores empresas privadas brasileiras, atuante nos setores de cimento, metalurgia, celulose e papel.
Depois que o BC divulgou, em 29 de janeiro, a dura ata da reunião do Copom de janeiro, alertando para o risco inflacionário, foram divulgados diversos índices de inflação tranqüilizadores. O IPC da Fipe da primeira quadrissemana de fevereiro ficou em 0,46%, abaixo das projeções do mercado, de 0,47% a 0,60%. A primeira prévia do IGP-M de fevereiro, de 0,08%, também ficou abaixo das projeções, entre 0,14% e 0,72%.
Finalmente, o IPCA de janeiro, de 0,76%, ficou bem no centro das projeções de mercado, de 0,65% a 0,75%, mas os “núcleos” do índice foram favoráveis. O núcleo exclui os componentes mais instáveis do índice, para captar a tendência de longo prazo.
Curiosamente, essas boas notícias podem tornar a decisão do Copom nesta semana mais difícil. No mercado financeiro, uma expressiva corrente julga que será incoerência o BC baixar a Selic na quarta-feira, quando se encerra a reunião de dois dias do Copom. Na ata da reunião de janeiro, o BC deixou claro que a manutenção da taxa básica em 16,5% foi uma parada estratégica, destinada a verificar se as remarcações da virada do ano não poderiam ser o início de um repique inflacionário, na esteira da queda da Selic de 26,5%, em junho do ano passado, para o nível atual – que, ainda assim, corresponde ao juro real mais alto do mundo.
Os defensores da tese da “incoerência” acham que, mesmo com os últimos índices favoráveis de preços, ainda não saíram dados suficientes para se ter certeza de que não há risco de um repique inflacionário. Mesmo entre os que não julgam que o problema seja de coerência, nota-se uma preferência pela manutenção da Selic em fevereiro. “Eu acho que deveriam aguardar mais um mês; eles podem baixar na reunião subseqüente (de março) e garantir crescimento de 3,5% a 4% ao ano”, diz Affonso Celso Pastore, consultor e ex-presidente do BC.
Nas empresas, porém, o clamor pelo corte dos juros está se tornando mais insistente. “Existe a perspectiva de que vai haver uma retomada, mas não podemos dizer que já houve; quem aumentar preço vai perder mercado”, diz Sandro Mabel, presidente da Mabel, fabricante de biscoitos, e deputado federal (PL) por Goiás.
Para Antonio Ermírio, os altos juros no Brasil estão estimulando as aplicações no mercado financeiro, em detrimento do investimento produtivo. Ressalvando que este não é o caso dele próprio e do Grupo Votorantim, que está investindo fortemente, o empresário diz que “para um homem abastado, basta aplicar o dinheiro, e ganhar muito, trabalhando pouco”.
Na Vicunha Têxtil, o diretor Rubens Bahoum diz que é difícil avaliar o nível de atividade no seu setor neste momento, já que é um período sazonalmente fraco. Ainda assim, o que ele vem ouvindo de outras empresas não mostra uma recuperação vigorosa em curso. “Tem de reaquecer a economia, porque o desemprego é grande e a queda na renda ainda é forte.”
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