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Por 10:08 Notícias

Sindicatos fazem manifestação pró-liberdade de imprensa

Em frente à prefeitura de São Paulo, representantes de dezenas de sindicatos ligados à CUT, jornalistas e militantes de movimentos sociais protestam contra a representação da coligação PSDB/PFL que conseguiu, na Justiça, barrar a circulação a primeira edição da Revista do Brasil.
SÃO PAULO – De um lado, capas de publicações como Veja, IstoÉ e Época, ora atacando o governo Lula, ora falando sobre a “doce vida de FHC”. Abaixo das manchetes tendenciosas, verbos relativos aos “pecados capitais” cometidos pela grande imprensa: “mentir”, “difamar”, “bajular”, “maliciar”, “zombar”, “ironizar” e “insinuar”. Do outro lado, a capa da edição número 1 da Revista do Brasil, cortada pela tarja “Censurada”. “Eles podem tudo. Mas querem calar os trabalhadores”.
Eram esses os cartazes que empunharam os mais de 200 trabalhadores, representantes de sindicatos, jornalistas e militantes de movimentos sociais que, nesta quarta-feira (9), ao som de “É Proibido Proibir”, de Caetano Veloso, protestaram contra a representação que barrou na Justiça Eleitoral a circulação a primeira edição da Revista do Brasil. A representação da coligação PSDB/PFL alegava que a publicação realizou propaganda de cunho eleitoral fora do prazo e foi acatada pelo TSE, que multou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) – à qual estão ligados os 23 sindicatos responsáveis pela revista – em R$ 21 mil. A decisão judicial impediu ainda que a revista permanecesse disponível na página da CUT/SP na internet.
“As greves que as categorias organizam saem na grande imprensa com as manchetes: “não existe greve”, “fracassa greve”, etc. E não dão nossa versão, só a dos donos das empresas e da elite. Por isso nos unimos para dar voz aos trabalhadores. E a primeira coisa que a direita faz é nos censurar”, criticou o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino.
“O mundo do trabalho desapareceu das publicações e quando aparece é para dizer que o trabalhador tem que aceitar a redução de direitos e de salário. Tivemos então a ousadia de, pela primeira vez na história, criar um verdadeiro processo de democratização dos meios de comunicação. Essa é uma publicação que tem a ousadia de dizer que os meios de comunicação não podem ser exclusivos das elites e que o povo tem direito a meios que falem a sua língua. A Constituição nos garante a liberdade de expressar nossa opinião, seja qual for. Então é inaceitável que dois partidos façam isso”, afirma José Lopez Feijóo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, um dos idealizadores da Revista do Brasil. “É essa mesma elite que defende o Estado Mínimo, um Estado em que somente quem pode pagar é que tem direitos. E o nosso é o Estado da liberdade, o Estado Democrático de Direito. Temos projetos diferentes de país”, diz Feijóo.
Na opinião de Valmir Marques da Silva, o Biro-biro, do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, no interior de São Paulo, o objetivo do PFL e do PSDB é impedir que os sindicatos possam dialogar com os trabalhadores e a sociedade. “Há um monte de veículos fazendo campanha para acabar com este projeto de governo e, quando nós queremos mostrar o outro lado, a censura vem dizer que estamos fazendo campanha”, protesta.
Os participantes do ato lembraram os tempos da ditadura e afirmaram que, se mesmo com a repressão os trabalhadores tiveram a capacidade de fazer greves, de criar uma central sindical e até de fundar um partido político, não será agora que sua voz será calada. “Vamos construir essa revista, construir um jornal, batalhar para ter uma TV e uma rádio, porque até agora a comunicação é monolítica. E é isso que eles querem”, acredita o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Censuras a outros veículos sindicais também foram citadas, como a que sofreu a edição do jornal da CUT/SP que fazia um balanço dos 12 anos de governo tucano no Estado, mostrando o desmanche sofrido em setores como a educação, a saúde e a segurança.
Em sua terceira edição, a Revista do Brasil é mensal, e nasceu da fusão de várias publicações produzidas pelas entidades sindicais para “contar a história a partir do olhar do trabalhador”. Atualmente, ela é distribuída para 360 mil trabalhadores ligados aos sindicatos parceiros, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. São entidades de classe que vão desde os químicos e eletricitários aos trabalhadores da saúde e do ramo financeiro, passando pelos metroviários e professores. A Central Única dos Trabalhadores também possui um programa intitulado “TV CUT Brasil”, transmitido aos domingos, às 11h, na Rede TV!, e o Jornal dos Trabalhadores, veiculado na Rádio Nove de Julho, em São Paulo.
“Não existe país democrático sem a garantia da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. Depois de 23 anos, conseguimos superar o corporativismo e construir o projeto da Revista do Brasil, para que a consciência crítica dos trabalhadores seja debatida dia-a-dia. Nosso objetivo é ampliar a revista para que ela chegue a todo o Brasil e seja vendida nas bancas”, explica o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, que também integra o Conselho Editorial do veículo.
Democratização da mídia
Mais do que um protesto contra a censura da Revista do Brasil, a manifestação desta quarta-feira reivindicou a liberdade de expressão, de imprensa e a democratização da mídia no país. O vice-presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Audálio Dantas, criticou qualquer tipo de censura e defendeu a livre circulação de idéias, para que todos os cidadãos tenham direito à informação. “As opiniões da maioria das publicações da grande mídia, sejam ofensivas a uns ou elogiosas a outros, não sofrem censura, porque a Constituição garante que não haja esta prática. Então por que uma revista como esta, justamente um veículo dos trabalhadores, é censurada?”, questionou.
A Constituição de 1988 consagra a liberdade de expressão. Em seu artigo 220, afirma que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”. Também diz, em parágrafo do mesmo artigo, que “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. E por fim que “a publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade”.
“O objetivo deste ato é a reafirmação da liberdade de expressão. A ditadura militar, consolidada com o apoio dos banqueiros, dos latifundiários e dos setores conservadores, quando viu que estava sendo derrotada, preparou para que a grande mídia ficasse nas mãos da elite. Hoje, diante da falta de alternativa e da mesmice, os trabalhadores resolveram lançar um veículo com sua própria voz; uma alternativa às publicações que zombam dos movimentos sociais e dos trabalhadores”, explicou Hugo Tomé Aquino, da Secretaria de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Bancários.
Para Vagner Freitas de Moraes, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), é preciso fazer uma defesa intransigente da democracia. “As maiorias vítimas da imprensa não livre são os trabalhadores. Por isso somos defensores de uma sociedade plural e democrática, com várias visões. A verdadeira liberdade de imprensa seria a democratização dos meios, e não a mídia monopolizada nas mãos de meia dúzia de famílias. Este ato é em prol da diversidade de opinião e de uma imprensa que não seja correia de transmissão do poder econômico”, declarou.
Por Bia Barbosa com a colaboração de Antônio Biondi.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.

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Sindicatos fazem manifestação pró-liberdade de imprensa

Em frente à prefeitura de São Paulo, representantes de dezenas de sindicatos ligados à CUT, jornalistas e militantes de movimentos sociais protestam contra a representação da coligação PSDB/PFL que conseguiu, na Justiça, barrar a circulação a primeira edição da Revista do Brasil.

SÃO PAULO – De um lado, capas de publicações como Veja, IstoÉ e Época, ora atacando o governo Lula, ora falando sobre a “doce vida de FHC”. Abaixo das manchetes tendenciosas, verbos relativos aos “pecados capitais” cometidos pela grande imprensa: “mentir”, “difamar”, “bajular”, “maliciar”, “zombar”, “ironizar” e “insinuar”. Do outro lado, a capa da edição número 1 da Revista do Brasil, cortada pela tarja “Censurada”. “Eles podem tudo. Mas querem calar os trabalhadores”.

Eram esses os cartazes que empunharam os mais de 200 trabalhadores, representantes de sindicatos, jornalistas e militantes de movimentos sociais que, nesta quarta-feira (9), ao som de “É Proibido Proibir”, de Caetano Veloso, protestaram contra a representação que barrou na Justiça Eleitoral a circulação a primeira edição da Revista do Brasil. A representação da coligação PSDB/PFL alegava que a publicação realizou propaganda de cunho eleitoral fora do prazo e foi acatada pelo TSE, que multou a Central Única dos Trabalhadores (CUT) – à qual estão ligados os 23 sindicatos responsáveis pela revista – em R$ 21 mil. A decisão judicial impediu ainda que a revista permanecesse disponível na página da CUT/SP na internet.

“As greves que as categorias organizam saem na grande imprensa com as manchetes: “não existe greve”, “fracassa greve”, etc. E não dão nossa versão, só a dos donos das empresas e da elite. Por isso nos unimos para dar voz aos trabalhadores. E a primeira coisa que a direita faz é nos censurar”, criticou o presidente do Sindicato dos Bancários de São Paulo, Osasco e Região, Luiz Cláudio Marcolino.

“O mundo do trabalho desapareceu das publicações e quando aparece é para dizer que o trabalhador tem que aceitar a redução de direitos e de salário. Tivemos então a ousadia de, pela primeira vez na história, criar um verdadeiro processo de democratização dos meios de comunicação. Essa é uma publicação que tem a ousadia de dizer que os meios de comunicação não podem ser exclusivos das elites e que o povo tem direito a meios que falem a sua língua. A Constituição nos garante a liberdade de expressar nossa opinião, seja qual for. Então é inaceitável que dois partidos façam isso”, afirma José Lopez Feijóo, presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, um dos idealizadores da Revista do Brasil. “É essa mesma elite que defende o Estado Mínimo, um Estado em que somente quem pode pagar é que tem direitos. E o nosso é o Estado da liberdade, o Estado Democrático de Direito. Temos projetos diferentes de país”, diz Feijóo.

Na opinião de Valmir Marques da Silva, o Biro-biro, do Sindicato dos Metalúrgicos de Taubaté, no interior de São Paulo, o objetivo do PFL e do PSDB é impedir que os sindicatos possam dialogar com os trabalhadores e a sociedade. “Há um monte de veículos fazendo campanha para acabar com este projeto de governo e, quando nós queremos mostrar o outro lado, a censura vem dizer que estamos fazendo campanha”, protesta.

Os participantes do ato lembraram os tempos da ditadura e afirmaram que, se mesmo com a repressão os trabalhadores tiveram a capacidade de fazer greves, de criar uma central sindical e até de fundar um partido político, não será agora que sua voz será calada. “Vamos construir essa revista, construir um jornal, batalhar para ter uma TV e uma rádio, porque até agora a comunicação é monolítica. E é isso que eles querem”, acredita o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC. Censuras a outros veículos sindicais também foram citadas, como a que sofreu a edição do jornal da CUT/SP que fazia um balanço dos 12 anos de governo tucano no Estado, mostrando o desmanche sofrido em setores como a educação, a saúde e a segurança.

Em sua terceira edição, a Revista do Brasil é mensal, e nasceu da fusão de várias publicações produzidas pelas entidades sindicais para “contar a história a partir do olhar do trabalhador”. Atualmente, ela é distribuída para 360 mil trabalhadores ligados aos sindicatos parceiros, nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e no Distrito Federal. São entidades de classe que vão desde os químicos e eletricitários aos trabalhadores da saúde e do ramo financeiro, passando pelos metroviários e professores. A Central Única dos Trabalhadores também possui um programa intitulado “TV CUT Brasil”, transmitido aos domingos, às 11h, na Rede TV!, e o Jornal dos Trabalhadores, veiculado na Rádio Nove de Julho, em São Paulo.

“Não existe país democrático sem a garantia da liberdade de expressão e da liberdade de imprensa. Depois de 23 anos, conseguimos superar o corporativismo e construir o projeto da Revista do Brasil, para que a consciência crítica dos trabalhadores seja debatida dia-a-dia. Nosso objetivo é ampliar a revista para que ela chegue a todo o Brasil e seja vendida nas bancas”, explica o presidente da CUT, Artur Henrique da Silva Santos, que também integra o Conselho Editorial do veículo.

Democratização da mídia

Mais do que um protesto contra a censura da Revista do Brasil, a manifestação desta quarta-feira reivindicou a liberdade de expressão, de imprensa e a democratização da mídia no país. O vice-presidente da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), Audálio Dantas, criticou qualquer tipo de censura e defendeu a livre circulação de idéias, para que todos os cidadãos tenham direito à informação. “As opiniões da maioria das publicações da grande mídia, sejam ofensivas a uns ou elogiosas a outros, não sofrem censura, porque a Constituição garante que não haja esta prática. Então por que uma revista como esta, justamente um veículo dos trabalhadores, é censurada?”, questionou.

A Constituição de 1988 consagra a liberdade de expressão. Em seu artigo 220, afirma que “a manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”. Também diz, em parágrafo do mesmo artigo, que “é vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística”. E por fim que “a publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade”.

“O objetivo deste ato é a reafirmação da liberdade de expressão. A ditadura militar, consolidada com o apoio dos banqueiros, dos latifundiários e dos setores conservadores, quando viu que estava sendo derrotada, preparou para que a grande mídia ficasse nas mãos da elite. Hoje, diante da falta de alternativa e da mesmice, os trabalhadores resolveram lançar um veículo com sua própria voz; uma alternativa às publicações que zombam dos movimentos sociais e dos trabalhadores”, explicou Hugo Tomé Aquino, da Secretaria de Imprensa e Comunicação do Sindicato dos Bancários.

Para Vagner Freitas de Moraes, da Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf), é preciso fazer uma defesa intransigente da democracia. “As maiorias vítimas da imprensa não livre são os trabalhadores. Por isso somos defensores de uma sociedade plural e democrática, com várias visões. A verdadeira liberdade de imprensa seria a democratização dos meios, e não a mídia monopolizada nas mãos de meia dúzia de famílias. Este ato é em prol da diversidade de opinião e de uma imprensa que não seja correia de transmissão do poder econômico”, declarou.

Por Bia Barbosa com a colaboração de Antônio Biondi.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.agenciacartamaior.com.br.

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