Brasília – O Ministério da Defesa recebeu um abaixo-assinado de 64 superintendentes da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) contra a possível substituição do atual presidente da empresa, Sergio Gaudenzi, e de outros diretores.
“Pensar que poderemos voltar às disputas políticas noticiadas pelos meios de comunicação e à guerra de denúncias que presenciamos num passado recente é desalentador”, diz o documento obtido pela Agência Brasil.
No texto, endereçado ao ministro da Defesa, Nelson Jobim, há a ressalva de que a carta foi elaborada espontaneamente e reflete o pensamento de parte dos superintendentes da sede, das regionais e dos aeroportos. A Infraero tem 83 superintendentes, todos funcionários concursados.
O Ministério da Defesa confirmou ter recebido o abaixo-assinado na última quarta-feira (20).
No abaixo-assinado, os superintendentes afirmam estar “extremamente preocupados” com as notícias divulgadas pela imprensa sobre a possível substituição de Gaudenzi.
Nas últimas semanas circularam informações de que partidos da base aliada estariam pressionando o governo para ceder a presidência da empresa estatal.
Os servidores lembram no documento que devido à crise enfrentada pelo setor aéreo nos últimos dois anos, período em que foram registrados os dois maiores acidentes da história da aviação civil brasileira, tiveram de passar meses respondendo às críticas e denúncias contra a empresa e “e vendo as argüições implacáveis de colegas nossos e até a demissão de alguns”.
“Um dos diagnósticos largamente difundidos [durante a crise] foi que o uso político da Infraero contribuiu decisivamente para todo o escândalo que vivenciamos”, afirmam.
No documento, os superintendentes alegam que a crise serviu para fortalecer a tese de que os cargos de direção da empresa deveriam ser ocupados por gente com perfil técnico e defendem que a escolha de Gaudenzi e dos atuais diretores, “todos com experiência em atividades governamentais ou empresariais”, respondeu a uma demanda da sociedade e dos próprios servidores.
Gaudenzi é engenheiro civil, com especialização em Planejamento Urbano. Para assumir a presidência da Infraero, no início de agosto de 2007, em substituição ao brigadeiro José Carlos Pereira, Gaudenzi deixou o comando da Agência Espacial Brasileira (AEB).
Na ocasião, o ministro da Defesa, Nelson Jobim, afirmou que a escolha de Gaudenzi para a Infraero era parte de um processo de mudanças com o objetivo de reunir na estatal “pessoas que não prometem competência, mas que mostrem competência”.
Os 64 superintendentes citaram a situação dos aeroportos durante os feriados do final de 2007 e no Carnaval, para afirmar que a crise aérea “passou e, de certa forma, foi suplantada por outros temas”. Eles admitem, no entanto, que ainda há muito o que fazer. “As medidas adotadas pela nova diretoria para dar solução às necessidades da infra-estrutura aeroportuária brasileira não são suficientes, mas apresentaram efeitos positivos nos períodos recentes de “rush aéreo”, diz o abaixo-assinado.
Os servidores dizem temer as possíveis conseqüências da descontinuidade administrativa e da troca semestral de dirigentes da empresa.
“Trocar a diretoria agora é jogar fora seis meses de trabalho, o esforço de compreensão e de discussões a respeito de assuntos estratégicos para o país. Há o sentimento de que todo o esforço que vem sendo empreendido para a continuidade do desenvolvimento da infra-estrutura aeroportuária e a melhoria da imagem da empresa poderá tornar-se vão”.
Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil.
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Sindicalista apóia iniciativa de superintendentes para preservar Infraero de indicações políticas
Brasília – O diretor do Sindicato Nacional dos Aeroportuários (Sina), Francisco Lemos, elogiou a iniciativa dos superintendentes da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) de fazer um abaixo-assinado contra a influência política na nomeação de diretores da estatal.
“Eu acho válido quando os servidores tentam defender a empresa da especulação [política]”, disse Lemos à Agência Brasil.
Embora ainda não tivesse sido informado do abaixo-assinado, Lemos disse que “a blindagem” da empresa é oportuna, já que as constantes trocas em cargos chave, como a presidência, tornam a Infraero “muito menos dinâmica que as necessidades do setor”.
“A todo momento troca-se a administração da Infraero. A cada vez vem uma legião de pessoas que não são do ramo. Elas acabam ficando com os cargos de decisão, enquanto os servidores de carreira, que sabem onde os investimentos são mais necessários, ficam reféns, esperando até que cada novo diretor tome conhecimento do funcionamento da máquina”, disse Lemos.
O documento entregue ao Ministério da Defesa na última quarta-feira (20) foi assinado por 64 dos 83 superintendentes que trabalham na sede de empresa, em Brasília, em parte dos 67 aeroportos administrados pela estatal e nas oito regionais nacionais.
Para o sindicalista, o número de servidores é representativo. “Eu acredito que os que não assinaram não o fizeram porque não tiveram a oportunidade”.
Os servidores dizem ter feito o abaixo-assinado espontaneamente, por temerem as eventuais conseqüências da “descontinuidade administrativa e da troca semestral de dirigentes da empresa”.
O Ministério da Defesa não comenta o assunto.
O sindicalista garante que foi graças aos servidores de carreira que a empresa conseguiu contornar a recente crise aérea. “O Gaudenzi consultou mais o pessoal orgânico do que [seus antecessores] os que vinham fazendo. Os servidores tiveram mais oportunidades de se expressar”, afirmou.
Para Lemos, embora importante, a permanência dos diretores que tenham um perfil técnico não é suficiente para preservar as diretrizes da empresa. “Seria necessário termos o mínimo de contratos especiais possíveis. Ou seja, deixar a empresa ser administrada por funcionários [de carreira] que já estão aqui e sabem o que estão fazendo”.
Atualmente, segundo Lemos, a estatal mantém 196 pessoas nestas condições, contratadas sem concurso público, além de cerca de 16 mil terceirizados.
“O perigo das terceirizações é que, hoje, o passivo trabalhista da Infraero ultrapassa R$ 100 milhões. A terceirização causa um prejuízo muito grande, pois a empresa contratada não paga seus encargos trabalhistas, vai embora, e a contratante, no caso, a Infraero, tem de arcar com tudo isso”, denunciou o sindicalista.
Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil.
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