Em “6X1”, Wes Maria traz pra linguagem cinematográfica os desafios do trabalhador brasileiro na escala de trabalho com apenas uma folga semanal. “É sábado e estou cansado” estampa um muro na cidade de Fortaleza, enquanto trabalhadoras e trabalhadores se dividem entre o jantar improvisado com pizza, a manifestação artística e política nas ruas e mais algumas horas de rotina de trabalho madrugada adentro.
Silva segue em sua bicicleta, subindo e descendo ladeiras, entregando lanches para outros trabalhadores que, após horas de trabalho, não têm tempo para preparar uma refeição. E assim, o capitalismo se retroalimenta de mais valia, o dinheiro segue do bolso de um trabalhador para o outro e escoa para os bolsos dos donos do capital, dos proprietários de aplicativos de entrega e de grandes empresas.
Em quatro minutos, o curta-metragem acompanha a sina e o desfecho de um entre tantos Silvas: o burnout. Com os limites entre a realidade e o pesadelo borrados, ele arrasta a si mesmo para o derradeiro descanso na ausência de si. A saúde mental do trabalhador exige o fim da escala de trabalho em 6X1 e é isso que o filme descreve. Há quem diga que “o trabalho dignifica o homem”. Mas se a labuta tira a dignidade de existir, de se reconhecer, de estar no mundo com o mínimo de bem-estar, o contrário acontece.
O que se pede não é muito, não é absurdo e, não, não quebra o país. Assim como, antes, o décimo terceiro, as férias remuneradas e tantas outras conquistas dos trabalhadores organizados em sindicatos não quebraram. O fim da escala 6X1 é uma questão de saúde pública e de dignidade humana.
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Filme disponível no YouTube gratuitamente:
Regina Maria Miranda é formada em Letras, pela UFPR, e especialista em Educação à Distância. É bancária do Banco do Brasil, dirigente sindical e professora particular de Produção de Texto.
Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região