fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 11:13 Sem categoria

Trabalhadora bancária relata preconceito que sofreu dentro de banco

Negra, mulher e deficiente visual não precisou mais do que três meses para que sentisse a força da discriminação

São Paulo – Não precisou mais do que três meses de trabalho para que a bancária B. sentisse todo preconceito que existe dentro do banco. Negra, mulher e deficiente visual, ela reúne todos os perfis que sofrem discriminação nas instituições financeiras, de acordo com o Mapa da Diversidade, divulgado pelos bancos na semana passada.

B. foi contratada por uma instituição financeira dentro da cota para deficientes exigida pela lei. Logo nos primeiros dias de trabalho, ela sentia os olhares atravessados e a cara fechada das pessoas, principalmente no elevador. Uma gestora que trabalha no seu departamento nem a cumprimentava, mesmo após os insistentes “olás” de B. Daí para as piadinhas racistas foi um passo.

“Até o dia que me irritei e cobrei o fim das piadinhas de negro. Exigi respeito e, a partir do momento em que as pessoas me viram andando com o pessoal do Sindicato, as piadinhas pararam”, conta.

B. é a única negra no seu departamento. Segundo o Mapa da Diversidade, o número de bancários negros representa menos que 3% da categoria. “O número de negros é extremamente baixo e talvez isso reforce o preconceito.

Entre ser mulher, negra e deficiente, sinto que sou mais discriminada nos bancos pela cor da minha pele”, diz B., ressaltando que o apoio que recebe do seu gestor é fundamental para minimizar a discriminação na empresa. “Meu gestor luta muito por mim. Se fosse outra pessoa, não sei como seria minha situação. Se a outra gestora do meu departamento que nem me cumprimenta, por exemplo, coordenasse a minha equipe, o preconceito poderia ser pior”, comenta.

Pesquisa incompleta – Divulgado com um ano e três meses de atraso, o Mapa da Diversidade é uma pesquisa incompleta porque os bancos se recusaram a abordar a situação dos gays no questionário. Apesar da negativa, ser homo ou bissexual e bancário não é fácil. O preconceito e a dificuldade de fazer carreira é tão grande ou maior que as vividas pelas mulheres e pelos negros.

O bancário Maikon Nunes Azzi, do Unibanco, diz que o homossexual assumido tem dificuldades para crescer na carreira e fica limitado. Discreto, ele conta que ainda conseguiu algumas promoções, mas que essa não é a realidade. “Eu nunca vi um homossexual mais afetado ser gestor. O banco também não coloca esse bancário para trabalhar numa agência ou atender o público”, explica Maikon, ressaltando que o preconceito é do banco e não dos colegas.

Para ele, o fato de a Fenaban não ter incluído a questão dos gays no Mapa da Diversidade já é uma forma de preconceito. “Se os bancos não têm problemas com isso, por que não abordar a situação dos gays na pesquisa?”, questiona.

Protesto – Os bancários realizam, no próximo 14 de julho, Dia Nacional de Luta pela igualdade de oportunidades nos bancos. O objetivo é denunciar toda essa discriminação e esquentar a mobilização para o tema que deverá ser uma das principais reivindicações da Campanha Nacional 2009.

Por Fábio Jammal Makhoul – 10/07/2009.

===================================================

Deficientes, mulheres e negros são vítimas de discriminação nos bancos

Mapa da Diversidade confirma o que o movimento sindical sempre denuncia: as oportunidades são desiguais no mercado de trabalho bancário

São Paulo – Os bancos que atuam no Brasil são preconceituosos, contratam poucos negros, as mulheres têm menos chances de subir na carreira que os homens e o número de bancários com deficiência é tão pequeno que não atinge nem a cota mínima de 5% exigida pela lei. Esse é o resultado da pesquisa do Mapa da Diversidade nos bancos, divulgado na quinta 2, pela federação dos bancos (Fenaban), durante audiência pública na Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara dos Deputados, em Brasília.

Elaborada e aplicada pelos próprios bancos a pedido dos sindicatos, a pesquisa confirma o que o movimento dos trabalhadores denuncia há mais de duas décadas: as instituições financeiras discriminam as pessoas na hora de contratar e as oportunidades dentro das empresas são desiguais.

“Hoje é um dia histórico, pois essa é a primeira vez que as instituições financeiras reconhecem que há discriminação no mercado de trabalho bancário. O Mapa da Diversidade confirma o que a gente já sabia e é de extrema importância porque, com ele, poderemos elaborar um plano de ação para negociarmos com os bancos na tentativa de resolver o problema”, explica a diretora do Sindicato Neiva Ribeiro dos Santos, que participou da audiência pública. Os representantes dos bancários, aliás, participaram em peso da reunião, lotando o recinto. “Aproveitamos e fizemos diversas críticas e reivindicações sobre a igualdade de oportunidades nos bancos”, diz Neiva.

Dados assustadores – Segundo a pesquisa, as mulheres recebem em média 78% dos salários dos homens. Como a lei brasileira proíbe que as empresas paguem salários diferentes para trabalhadores que exercem a mesma função, o resultado revela que as mulheres encontram muito mais dificuldades que os homens para fazer carreira nos bancos e ocupar os postos mais altos.

Com os negros, a discriminação é maior, já que até para serem contratados é mais difícil. Embora no Brasil metade da população seja composta de negros e pardos, segundo o IBGE, nos bancos eles são somente 19%. A situação da mulher negra é ainda mais crítica, sendo que elas ocupam apenas 8% dos postos de trabalho bancário.

A pesquisa foi realizada no ano passado e foi respondida por mais de 200 mil bancários, a metade da categoria. Durante a apresentação dos resultados, os bancos tentaram minimizar o impacto dos números relatando uma série de ações que as empresas estariam tomando para resolver o problema. “Dissemos que se os bancos querem, de fato, oferecer igualdade de oportunidades para os bancários eles precisam incluir esse compromisso na nossa Convenção Coletiva de Trabalho. Também exigimos que a Fenaban nos dê uma cópia do resultado da pesquisa o quanto antes, já que ela é uma reivindicação nossa e os sindicatos foram fundamentais para que a consulta atingisse metade da categoria”, diz Neiva.

Dia Nacional de Lutas – No próximo dia 14 de julho, os bancários do Brasil inteiro realizam um Dia Nacional de Lutas pela igualdade de oportunidades nos bancos. O objetivo é denunciar a discriminação das instituições financeiras e esquentar a mobilização dos trabalhadores para o tema, que deverá ser uma das principais reivindicações da campanha salarial que está começando.

Por Fábio Jammal Makhoul – 02/07/2009.

====================================================

Preconceito contra os gays ainda tem níveis medievais

Discriminação por orientação sexual sobrevive mesmo nos mais aguerridos militantes da causa das minorias

São Paulo – Enquanto a sociedade avança no combate ao preconceito racial e pela igualdade de oportunidades entre homens e mulheres, a discriminação por conta da orientação sexual ainda registra níveis assustadores. Pesquisa da Fundação Perseu Abramo revela que 92% dos brasileiros assumem sem o menor problema ter preconceito contra lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais (LGBT). O levantamento também mostra que 53% dos gays já sofreram algum tipo de discriminação.

“É por essa discriminação que os gays se escondem e não saem do armário. Quem assume sua orientação sexual paga um preço muito caro, principalmente no ambiente de trabalho”, explica o ativista do movimento LGBT Julian Rodrigues.

Durante sua apresentação no Sindicato, Julian foi direto ao ponto: “Se eu começasse minha palestra contando uma piada de negro ou até mesmo machista, todos vocês ficariam revoltados e eu causaria um grande mal estar. Mas se eu contar uma piada de homossexual, todos vão rir. Piadas homofóbicas passam batido por nós e não choca como uma anedota racista. Haverá um dia em que a piada de homossexual vai constranger tanto quanto piada de negro”, comentou.

Julian criticou a política que perpetua a discriminação contra os gays. “Mesmo entre nós, da esquerda, a pauta dos gays ficou de fora da nossa luta. Fazemos um debate careta por questões econômicas, mas nos esquecemos do lado humano. Nosso projeto de sociedade só vai ter conseqüência se ele for libertário. Como diz o ditado, não me convide para uma revolução em que eu não possa dançar”, afirmou Julian, destacando que a esquerda precisa incluir a questão dos gays em sua pauta.

Por Fábio Jammal Makhoul – 08/07/2009.

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.spbancarios.com.br.

Close