O Fórum dos Servidores Públicos Estaduais (FSPE-RS) lança nesta terça-feira 18, em Porto Alegre, o Comitê Estadual Fora Yeda – Impeachment Já. O lançamento acontece às 18h30, no auditório do CPERS/Sindicato – Av. Alberto Bins, 480, 9º andar.
As entidades que compõem o Fórum têm sido protagonistas na série de denúncias envolvendo o governo do Estado. É dele um dos pedidos de impeachment da governadora Yeda Crusius que tramita na Assembleia Legislativa.
O FSPE-RS é o responsável pela campanha das máscaras. Veiculada em fevereiro, a campanha ganhou visibilidade e denunciou os verdadeiros responsáveis pelo desmonte do estado, pela violência contra os movimentos sociais e, sobretudo, pela corrupção instalada no Palácio Piratini e em suas proximidades.
O Fórum também liderou manifestação realizada dia 16 de julho em frente à casa da governadora. A atividade colocou novamente o tema da corrupção no governo gaúcho no centro dos debates no estado e no país.
São dez as entidades que integram o Fórum: Sindicaixa, Ugeirm/Sindicato, Simpe, Sindiágua, Semapi, Sindsepe, Sindjus, Sindet, Federação dos Bancários do RS e CPERS/Sindicato.
=====================================================
Sexta-Feira,14 de Agosto de 2009
Bancários participam de protestos em Porto Alegre pelo impeachment da governadora Yeda
Fonte: Imprensa/SindBancários
Os bancários de Porto Alegre se uniram a mais de 3 mil manifestantes, mobilizados por integrantes do movimento social, sindical e estudantil do Rio Grande do Sul, na manhã desta sexta-feira (14), para exigir o impeachment da governadora Yeda Crusius nas proximidades do Palácio Piratini.
Pela primeira vez em décadas, a manifestação foi impedida de se realizar em frente ao Palácio. A área foi isolada pela Brigada Militar e os manifestantes concentraram-se em frente à catedral, onde foram empunhadas bandeiras, cartazes pedindo a saída da governadora, e onde se deram as falas e palavras de ordem.
“O governo do estado quer impedir o povo de se manifestar, mas não vai conseguir”, afirmou Rejane Oliveira, presidenta do Cpers, o sindicato dos professores do estado. Rejane foi uma das três militantes indiciadas por “dano, injúria, difamação e tentativa de cárcere privado”, a pedido da governadora, por liderar protesto em frente à sua famigerada residência.
A manifestação integrou a Jornada Nacional Unificada de Lutas, convocada por centrais sindicais e movimentos sociais do país inteiro. A jornada é uma iniciativa para enfrentar os efeitos da crise sobre a classe trabalhadora: contra as demissões, por redução da jornada de trabalho e em defesa dos direitos sociais. No Rio Grande do Sul, dada a conjuntura especial, o ato tomou as cores da bandeira gaúcha para protestar contra o governo corrputo do PSDB no estado.
CPI
A governadora e mais oito pessoas – integrantes de seu governo, parlamentares da base aliada e seu marido, Carlos Crusius – foram denunciados pelo Ministério Público Federal numa ação civil pública de improbidade administrativa pelo desvio de R$ 44 milhões do Detran/RS.
Nesta sexta-feira, o presidente da Assembléia Legislativa do RS, deputado Ivar Pavan (PT), acatou o requerimento assinado por 39 parlamentares solicitando a instalação de uma CPI. As bancadas partidárias terão 5 dias para indicar seus representantes na comissão, e a partir daí, ela começa a funcionar no prazo de três dias.
Dia de preto nos bancos
Os bancários foram convocados a sair de preto, em defesa dos direitos da classe trabalhadora e também marcando o início das atividades da Campanha Salarial 2009. O dia do preto também registra o protesto dos bancários contra a corrupção no governo do estado. Um dos 9 réus na ação do Ministério Público é o vice-presidente do Banrisul, Rubens Bordini. As entidades sindicais pedem sua demissão para preservar o banco e seguir com as investigações.
Os funcionários do Banrisul, em diversas agências do estado, aderiram ao protesto silencioso. “O afastamento de Bordini é a única maneira de manter o nome do Banrisul longe desses lamentáveis escândalos”, disse Denise Correa, diretora da Feeb/RS (Federação dos Bancários), destacando a denúncia da corrupção como um eixo importante da ação.
No Banco do Brasil, a adesão também foi notável. O diretor de Comunicação do SindBancários, Flávio Pastoriz, esteve na agência Centro: “Os bancários atenderam ao chamado e registraram sua indignação e sua luta em defesa da categoria”, afirmou.
Na Caixa Econômica Federal, os empregados também vestiram o preto. “Novamente os colegas mostraram o espírito coletivo e colocaram a cor preta”, informou o diretor Financeiro do SindBancários e funcionário da Caixa, Tiago Vasconcellos.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.sindbancarios.org.br.
====================================================
Ruína de Yeda e omissão da imprensa
A grande imprensa do Sudeste vem noticiando tudo com muita discrição e sem contextualizar o problema. Aliás, um problemão. O ruinoso governo de Yeda de certa forma quebra a espinha dorsal do discurso tucano da “excelência da gestão”, que deveria ser o diferencial da candidatura presidencial do partido em 2010. Se ela insistir em se candidatar à reeleição, qual será o palanque do presidenciável tucano em terras gaúchas? José Serra (ou Aécio Neves) estarão ao lado de Yeda, única governadora brasileira que tem taxa de rejeição superior à de aprovação? O artigo é de Luiz Antonio Magalhães.
Os leitores dos jornalões editados em São Paulo e Rio de Janeiro já conhecem com muitos detalhes cada falcatrua cometida no Senado Federal. Até os pecadilhos dos parlamentares, coisas consideraras (por eles próprios) “menores”, como ceder passagens aéreas para familiares, vão logo parar nas manchetes – o último desses casos envolve o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE). Se alguém perguntar aos leitores o que está acontecendo no Rio Grande do Sul, porém, é provável que a resposta seja evasiva. De fato, a gestão Yeda Crusius (PSDB) à frente do governo gaúcho é uma tragédia de graves proporções e não está merecendo dos grandes jornais uma cobertura à altura do desastre – político e gerencial – em curso nos pampas.
É bem verdade que nos últimos dias, especialmente depois que o Ministério Público Federal do Rio Grande do Sul (MPF-RS) protocolou, em 5 de agosto, uma ação de improbidade administrativa na Justiça Federal de Santa Maria contra a governadora e outros oito réus, os jornalões do Rio e São Paulo decidiram dar uma colher de chá e publicaram reportagens sobre o assunto. Tudo muito insuficiente.
Sim, insuficiente, porque o descalabro começou antes mesmo de Yeda Crusius botar os pés no Palácio Piratini, em janeiro de 2007. Durante a campanha, a então candidata se indispôs com seu vice, Paulo Afonso Feijó (DEM), porque ele defendia as privatizações como saída para resolver os problemas financeiros do estado. Desautorizado, Feijó permaneceu na chapa, foi eleito e depois rompeu politicamente com Yeda. Ainda durante a campanha, o marqueteiro Chico Santa Rita abandonou o comando da estratégia de marketing acusando a governadora de deixar de pagar os salários da sua equipe. Em seguida, já eleita, mas antes de tomar posse, Yeda pediu ao então governador Germano Rigotto (PMDB) que enviasse à Assembléia Legislativa um projeto para cortar despesas e aumentar o ICMS. Tal projeto foi derrubado em 29 de dezembro de 2006, em uma votação que teve como articulador político o vice-governador. Só que contra, e não a favor do projeto de Yeda…
Consequências eleitorais
A crise, permanente, se arrasta desde a campanha eleitoral de 2006. De lá para cá, Yeda jamais conseguiu momentos de tranqüilidade política no Piratini. A grande imprensa do Sudeste vem noticiando tudo com muita discrição e sem contextualizar o problema. Aliás, um problemão. O ruinoso governo de Yeda de certa forma quebra a espinha dorsal do discurso tucano da “excelência da gestão”, que deveria ser o diferencial da candidatura presidencial do partido em 2010. Pior ainda, no campo político a governadora conseguiu se isolar de tal maneira que DEM e PMDB, tradicionais aliados do PSDB no estado, já pularam da canoa de Yeda. Se ela insistir em se candidatar à reeleição, qual será o palanque do presidenciável tucano em terras gaúchas? José Serra (ou Aécio Neves) estarão ao lado de Yeda, única governadora brasileira que tem taxa de rejeição superior à de aprovação? Difícil, a julgar pela defesa tímida que os próceres tucanos vêm fazendo do governo da correligionária gaúcha. E alguém leu análises sobre isto nos jornalões?
Boa parte das matérias, aliás, conseguiram inverter a questão, atribuindo ao PSOL uma importância que nem mesmo a deputada federal Luciana Genro (RS) poderia almejar. Sim, porque o desastre político do governo Yeda tem como protagonista a própria governadora, que em um raro espetáculo de inabilidade política conseguiu perder apoio de aliados tidos como muito fiéis, a exemplo do DEM e do PMDB. Definitivamente, não foram as denúncias da filha do ministro Tarso Genro que colocaram Yeda nas cordas, foi a própria governadora que preferiu se postar no corner. E isto também ficou de fora da cobertura dos jornalões sobre o caso.
Cobertura descontextualizada
A falta de contextualização vai além dos aspectos político-partidários. O Rio Grande do Sul vive uma crise estrutural há muito tempo, com problemas especialmente nas finanças do estado e na sua economia. O PIB gaúcho, que representava em 2008 quase 7% do nacional, permanece neste patamar há pelo menos 10 anos. Ao contrário da região Nordeste, altamente beneficiada pelo crescimento dos últimos anos, a economia do Rio Grande vive uma situação que já antes da crise econômica mundial beirava à estagnação.
A situação econômica do Estado deveria necessariamente aparecer nas matérias e reportagem sobre a crise do governo Yeda porque é parte explicativa dos problemas enfrentados pela governadora. De fato, a tentativa, talvez um tanto açodada, de zerar o déficit do Rio Grande em quatro anos foi uma das causas de boa parte dos problemas da governadora. Em casa que falta pão, como se sabe, todos gritam e ninguém tem razão.
Com a cobertura fragmentada e direcionada para os momentos mais espetaculares – as denúncias, o anúncio do processo, os rompimentos com os aliados –, a imprensa do eixo Rio-São Paulo acaba prestando um desserviço aos seus leitores, que ficam com a impressão de que Yeda Crusius é apenas uma vítima do radicalismo do PSOL ou da fúria do Ministério Público. Há uma ótima história para ser contada por trás de um governo ruinoso, mas a mídia parece não querer contar. Por preguiça ou por motivos obscuros. Em ambos os casos, perde o leitor.
Por Luiz Antonio Magalhães, que é jornalista e Editor Executivo do Observatório da Imprensa, onde este texto foi originalmente publicado. Também é editor do blog Entrelinhas.
===================================================
Governadora do RS acusada de integrar quadrilha criminosa
Um terremoto político atingiu o Rio Grande do Sul com a ação do Ministério Público Federal contra a governadora tucana Yeda Crusius, o marido desta, Carlos Crusius, quatro ex-presidentes da Assembléia Legislativa, o atual presidente do Tribunal de Contas do Estado, o vice-presidente do Banrisul e uma assessora direta da governadora. Segundo o MPF, acusados integram “verdadeira quadrilha criminosa, que lesou os cofres públicos entre os anos de 2003 e 2007”. Gravações revelam prática de caixa-dois e reforçam suspeitas sobre compra da casa de Yeda Crusius.
O Rio Grande do Sul vive o maior escândalo político da sua história. A governadora Yeda Crusius (PSDB) foi acusada pelo Ministério Público Federal de integrar uma quadrilha criminosa instalada no aparelho de Estado. Além da governadora, a ação civil pública de improbidade administrativa denunciou outras oito pessoas: Carlos Crusius (marido de Yeda Crusius), José Otávio Germano (deputado federal do PP que foi secretário estadual de Segurança no governo Germano Rigotto; segundo a Operação Rodin, que apurou o desvio de R$ 44 milhões no Detran gaúcho, a fraude teria iniciado em 2003 durante o governo Rigotto, do PMDB); Luiz Fernando Zachia (deputado estadual do PMDB); Frederico Antunes (deputado estadual do PP), João Luiz Vargas (presidente do Tribunal de Contas do Estado); Rubens Bordini (vice-presidente do Banrisul e ex-tesoureiro da campanha de Yeda) e Walna Villaris Meneses (assessora de Yeda Crusius).
Pesam sobre eles acusações de enriquecimento ilícito, dano ao erário e infração de princípios administrativos, crimes relacionados à fraude que desviou cerca de R$ 44 milhões do Detran gaúcho. Segundo o MPF, “os demandados agiram de forma imoral, pessoal, desleal, desonesta e ímproba, valendo-se da condição de ou em conjunto com agentes políticos e servidores públicos para obterem vantagens pessoais, utilizando-se dos respectivos cargos, de bens públicos e verbas públicas afetadas ao desenvolvimento de serviços públicos em área sujeita às suas atribuições funcionais e políticas.”
Esse grupo, prossegue a denúncia do MPF, constituiu “verdadeira quadrilha criminosa, que lesou os cofres públicos entre os anos de 2003, por volta do mês de junho, até o mês de novembro de ano de 2007 (deflagração da fase ostensiva da investigação).” A ação define assim a atuação da quadrilha:
“A societas delinquentium restou formada pela associação perene e estável de diversas pessoas, integrantes de diferentes núcleos estatais e diversas esferas privadas, no objetivo consciente e deliberado de perpetrar, continuadamente, sob diversas formas e com a máxima lucratividade possível, as condutas ímprobas apuradas em face da Administração Pública e do Erário. O agir do grupo enquadra-se no conceito de organização criminosa da Lei n° 9.034/1995, estando presente a hierarquia da associação delitiva, o intuito lucrativo, gestão empresarial das negociatas criminosas, destruição de probas, omissão de rendimentos, corrupção do tecido social, inserção estatal ilegítima e blindagem patrimonial”.
“A organização criminosa era fortemente estruturada e sua atuação primordial voltava-se à obtenção e celebração de contratos públicos, mediante dispensa irregular de licitação em prol de fundações de apoio vinculadas à Universidade Federal de Santa Maria. Após a contratação, a atividade do grupo redirecionava-se à subcontratação de parcela substancial dos recursos a empresas privadas, que pouca ou nenhuma atividade realizavam, mas que absorviam esses recursos para a manutenção do esquema criminoso, pagando altos valores a título de propina para os servidores públicos estaduais e federais responsáveis pela efetivação e operacionalização da contratação; no caso, respectivamente, os então presidentes e diretores do Departamento Estadual Trânsito (Detran/RS) e integrantes da Universidade Federal de Santa Maria, incluído aí o seu ex-reitor Paulo Jorge Sarkis”.
“A quadrilha estabeleceu verdadeiro bureau do crime, utilizando-se, de forma fraudulenta, da possibilidade de dispensa de licitação para contratação de fundações de apoio, bem como de prestígios políticos de seus integrantes para o estabelecimento e manutenção dos intensos contatos com gestores públicos – para quem ‘vendiam’ a fraude e dos quais dependiam decisivamente para a consecução da sangria do Erário”.
Gravações falam de caixa-dois e compra de mansão
Todos os acusados negam as acusações. A governadora Yeda Crusius acusou os procuradores do Ministério Público Federal de estarem fazendo “jogo político”. A Associação Nacional dos Procuradores da República divulgou nota oficial criticando as declarações da governadora e defendendo a seriedade do trabalho do MPF no Rio Grande do Sul. A situação do governo tucano ficou ainda mais grave neste final de semana, com a divulgação pela revista Época e por jornais de Porto Alegre, do áudio de gravações feitas por Lair Ferst (um dos acusados de integrar a quadrilha que fraudou o Detran). As gravações mostram conversas de Ferst com Marcelo Cavalcante (ex-chefe do Escritório de Representação do RS em Brasília, encontrado morto no Lago Paranoá, em fevereiro deste ano) sobre temas como o caixa dois na campanha de Yeda e a compra de uma mansão pela governadora logo após o final do segundo turno, em 2006.
Os áudios foram divulgados pelo advogado de Lair Ferst, Lúcio de Constantino. Segundo ele, há outras gravações que poderão ser divulgadas no futuro se isso favorecer a defesa de seu cliente. Nas conversas, Cavalcante diz que Yeda Crusius recebeu uma carta entregue por Lair a ele, denunciando irregularidades no Detran. Parte dessa carta chegou a ser divulgada durante a CPI do Detran, em 2008. A governadora sempre negou ter tido acesso a este documento. As gravações também comprometem o marido de Yeda, Carlos Crusius. Em uma das conversas, Ferst e Cavalcante comentam o comportamento de Crusius em relação a recursos doados para a campanha de 2006. Em um trecho, Cavalcante diz:
“Algumas vezes que entrou dinheiro aí. Aí eu vou te repetir; lá no início, quando a gente conversava e tudo mais, eu até hoje não me esqueço, mas sempre achei muito esquisito que o Crusius vinha lá na sede do partido, lá e tal, e pegava a sacolinha, e deixava em algum lugar e ia embora. Não sei para onde. Acho que para casa, né?”
Yeda tem maioria na Assembléia Legislativa e vinha usando essa condição para impedir a instalação de uma CPI. A partir da denúncia do MPF, essa blindagem ruiu e a comissão deve ser instalada nos próximos dias. Além das denúncias envolvendo a participação de integrantes do governo na fraude do Detran, a CPI também pretende investigar as conexões desse esquema com um outro, de fraude em licitações, denunciado pela Operação Solidária. Segundo estimativas preliminares, o prejuízo para o Estado neste caso pode chegar a R$ 300 milhões.
Por Redação – Carta Maior.
ARTIGO E NOTÍCIA COLHIDOS NO SÍTIO www.cartamaior.com.br.