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Um passo importante na unificação do sindicalismo mundial

No passado 3 de novembro em Viena, Áustria, finalizou o Congresso de fundação da Confederação Sindical Internacional, resultante da fusão de duas centrais mundiais, a CIOSL (Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres) e a CMT (Confederação Mundial do Trabalho). A CSI nasceu representando 168 milhões de trabalhadores e trabalhadoras afiliados a 306 organizações de 154 países e territórios. A CSI também surge como parte da Agrupação Global Unions que articula o conjunto das Federações Sindicais Internacionais por ramo hoje existentes.

É importante salientar que no processo de construção da CSI, a CUT defendeu que a nova organização estivesse aberta também à incorporação das centrais sindicais nacionais que não fossem filiadas às duas mundiais que estavam se fusionando. E essa perspectiva vai se concretizar com a filiação de centrais como a CTA (Central de Trabalhadores Argentinos), da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Colômbia, da CGT (Confederação Geral do Trabalho) da França e da CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical), organizações que têm atuado ao longo dos últimos anos no plano internacional em estreita parceria com a CUT Brasil.

A fundação da CSI foi um momento histórico para o movimento dos trabalhadores, já que se trata de um importante passo para superar a tradição do sindicalismo dividido por opções político-ideológicas que vigorou sob impulso da “Guerra Fria”. Nesse período muitas organizações sindicais tenderam a um alinhamento de acordo com as alianças estabelecidas pelos estados em conflito, perdendo-se a perspectiva de um sindicalismo unitário, o que se refletiu nas divisões no sindicalismo internacional.

Com o fim da “Guerra Fria” e sob o intenso ataque sofrido pelo sindicalismo no mundo todo a mãos do projeto neoliberal, a CIOSL sinalizou uma maior abertura para um sindicalismo unitário, o que levou a que organizações como a CUT Brasil, a KCTU da Coréia, a COSATU de África do Sul e Comisiones Obreras de Espanha decidissem por sua filiação a essa central mundial. A CSI representa, agora, a continuidade e o aprofundamento desse curso.

A CUT valoriza essa conquista dos trabalhadores do mundo todo, mas entende que devemos fazer esforços por avançar ainda mais. Em primeiro lugar, a CSI é um processo de unificação ainda incompleto. Existem diversas outras centrais nacionais cuja presença na nova Confederação seria de grande importância. Em segundo lugar, termos uma organização internacional unitária não significa automaticamente que todos os setores estejam corretamente representados na política por ela desenvolvida. Temos afirmado e continuaremos pressionando para que o sindicalismo internacional assuma mais fortemente os pontos de vista das centrais sindicais do Sul do mundo; somente assim será possível discutir uma verdadeira aliança entre trabalhadores do primeiro e do terceiro mundo. Terceiro, para fortalecer a CSI temos que retomar a perspectiva de um sindicalismo construído nas campanhas internacionais, para além do trabalho de lobby junto aos organismos multilaterais.

Para a CUT, as estruturas do sindicalismo internacional devem estar a serviço das lutas gerais dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo todo. Frente à ofensiva das corporações multinacionais contra os direitos sociais e trabalhistas nos mais diversos países, é necessário articular lutas de resistência em escala internacional. Também avançar em direitos fundamentais, como uma nova redução da jornada de trabalho – como a conquistada cem anos atrás com as 8 horas diárias – só será possível se nossa organização internacional assumir essa campanha como prioridade política. Em fim, a luta para deter a globalização neoliberal e substitui-la por uma nova ordem mundial baseada nos direitos dos povos e dos trabalhadores é uma tarefa que precisa de uma organização internacional dos trabalhadores.

A política da CUT em favor da unificação mundial dos trabalhadores para fortalecer as lutas e campanhas internacionais e nacionais não terminou no dia 3 de novembro. Mas lá foi criado um terreno propício para continuar essa construção.

Por João Felício, que é secretário de Relações Internacionais da CUT.

Publicada em: 17/11/2006 às 15:50 Seção: Ponto de Vista DO SÍTIO www.cut.org.br.

Por 22:04 Notícias

Um passo importante na unificação do sindicalismo mundial

No passado 3 de novembro em Viena, Áustria, finalizou o Congresso de fundação da Confederação Sindical Internacional, resultante da fusão de duas centrais mundiais, a CIOSL (Confederação Internacional de Organizações Sindicais Livres) e a CMT (Confederação Mundial do Trabalho). A CSI nasceu representando 168 milhões de trabalhadores e trabalhadoras afiliados a 306 organizações de 154 países e territórios. A CSI também surge como parte da Agrupação Global Unions que articula o conjunto das Federações Sindicais Internacionais por ramo hoje existentes.
É importante salientar que no processo de construção da CSI, a CUT defendeu que a nova organização estivesse aberta também à incorporação das centrais sindicais nacionais que não fossem filiadas às duas mundiais que estavam se fusionando. E essa perspectiva vai se concretizar com a filiação de centrais como a CTA (Central de Trabalhadores Argentinos), da CUT (Central Única dos Trabalhadores) Colômbia, da CGT (Confederação Geral do Trabalho) da França e da CGTP-IN (Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical), organizações que têm atuado ao longo dos últimos anos no plano internacional em estreita parceria com a CUT Brasil.
A fundação da CSI foi um momento histórico para o movimento dos trabalhadores, já que se trata de um importante passo para superar a tradição do sindicalismo dividido por opções político-ideológicas que vigorou sob impulso da “Guerra Fria”. Nesse período muitas organizações sindicais tenderam a um alinhamento de acordo com as alianças estabelecidas pelos estados em conflito, perdendo-se a perspectiva de um sindicalismo unitário, o que se refletiu nas divisões no sindicalismo internacional.
Com o fim da “Guerra Fria” e sob o intenso ataque sofrido pelo sindicalismo no mundo todo a mãos do projeto neoliberal, a CIOSL sinalizou uma maior abertura para um sindicalismo unitário, o que levou a que organizações como a CUT Brasil, a KCTU da Coréia, a COSATU de África do Sul e Comisiones Obreras de Espanha decidissem por sua filiação a essa central mundial. A CSI representa, agora, a continuidade e o aprofundamento desse curso.
A CUT valoriza essa conquista dos trabalhadores do mundo todo, mas entende que devemos fazer esforços por avançar ainda mais. Em primeiro lugar, a CSI é um processo de unificação ainda incompleto. Existem diversas outras centrais nacionais cuja presença na nova Confederação seria de grande importância. Em segundo lugar, termos uma organização internacional unitária não significa automaticamente que todos os setores estejam corretamente representados na política por ela desenvolvida. Temos afirmado e continuaremos pressionando para que o sindicalismo internacional assuma mais fortemente os pontos de vista das centrais sindicais do Sul do mundo; somente assim será possível discutir uma verdadeira aliança entre trabalhadores do primeiro e do terceiro mundo. Terceiro, para fortalecer a CSI temos que retomar a perspectiva de um sindicalismo construído nas campanhas internacionais, para além do trabalho de lobby junto aos organismos multilaterais.
Para a CUT, as estruturas do sindicalismo internacional devem estar a serviço das lutas gerais dos trabalhadores e trabalhadoras do mundo todo. Frente à ofensiva das corporações multinacionais contra os direitos sociais e trabalhistas nos mais diversos países, é necessário articular lutas de resistência em escala internacional. Também avançar em direitos fundamentais, como uma nova redução da jornada de trabalho – como a conquistada cem anos atrás com as 8 horas diárias – só será possível se nossa organização internacional assumir essa campanha como prioridade política. Em fim, a luta para deter a globalização neoliberal e substitui-la por uma nova ordem mundial baseada nos direitos dos povos e dos trabalhadores é uma tarefa que precisa de uma organização internacional dos trabalhadores.
A política da CUT em favor da unificação mundial dos trabalhadores para fortalecer as lutas e campanhas internacionais e nacionais não terminou no dia 3 de novembro. Mas lá foi criado um terreno propício para continuar essa construção.
Por João Felício, que é secretário de Relações Internacionais da CUT.
Publicada em: 17/11/2006 às 15:50 Seção: Ponto de Vista DO SÍTIO www.cut.org.br.

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