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Por 10:26 Notícias

União Nacional dos Estudantes de volta pra casa

“Pode ir armando o coreto
E preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar
Muda a roupa de cama
Eu tô voltando”
No último dia 1º de fevereiro, cinco mil estudantes ocuparam o terreno localizado na Praia do Flamengo, número 132, na cidade do Rio de Janeiro. Em uma manifestação alegre, pacífica e emocionante, os jovens derrubaram o portão do local onde funcionava um estacionamento privado irregular e ilegal.
Até aí, só mais uma ação radical dos estudantes brasileiros. Não fosse o fato histórico de que a Praia do Flamengo, 132, era o endereço da União Nacional dos Estudantes (UNE) até o dia 1º de Abril de 1964.
A sede das entidades estudantis foi o primeiro alvo da Ditadura Militar, que golpeou a democracia brasileira naquele dia. E a escolha dos militares por destruir a sede da UNE logo no início de seu regime encontra significado no símbolo que a “casa” representa na construção da identidade das pessoas e das coletividades.
Além de ser colocada na clandestinidade, a ditadura tentou exterminar a existência da UNE. Retirou seu endereço, seu teto, sua liberdade. Mas não foi capaz de calar as milhares de vozes estudantis, que, literalmente, doaram sua juventude e rebeldia na luta por dias democráticos.
Quarenta e três anos se passaram desde aquela noite. Mas os militantes do movimento estudantil de hoje carregam as mesmas esperanças e têm a mesma doação para construir, com as próprias mãos, seus sonhos de liberdade.
Por isso, essa geração decidiu não mais esperar para reconstruir definitivamente sua identidade. A propriedade do terreno é legalmente da UNE desde que, em 1994, o então presidente Itamar Franco a devolveu aos estudantes. Mas a posse da propriedade estava sob o domínio do tal estacionamento irregular. Viemos apenas tomar posse do que é nosso. E daqui não sairemos nunca mais.
Nenhum dos carros que estavam no estacionamento, quando ocupamos o local, foi avariado. Nossos vizinhos aclamam, a todo momento, a iniciativa ousada da juventude brasileira e penduram bandeiras da UNE e do Brasil em suas janelas. A fachada do terreno já tem a inscrição que lhe cabe: SEDE NACIONAL DA UNE E DA UBES.
E, enquanto os responsáveis pelo antigo estacionamento ainda se recusam a sair de nossa casa, mais de 300 estudantes aqui estão acampados. Em condições precárias de sobrevivência, mas com a determinação de só levantar acampamento quando estiver sendo erguida a nova sede da União Nacional dos Estudantes.
O projeto, inclusive, já nos foi doado pelo arquiteto Oscar Niemayer. Contempla, além do prédio, um monumento em homenagem a Honestino Guimarães, que presidia a UNE clandestina e é desaparecido político desde os anos de chumbo.
Além de Niemayer, centenas de personalidades da política, da cultura, do esporte e dos movimentos sociais têm declarado sua solidariedade com a luta dos estudantes de volta pra casa. Nosso acampamento tem uma agenda intensa de visitas e está aberto à toda população brasileira, em especial aos cariocas e fluminenses que sempre acolheram a UNE com a alegria e combatividade que nos faz tão semelhantes. Já visitaram nossa nova sede o ministro do Esporte, Orlando Silva; a atriz Vera Holtz; o boxeador Acelino de Freitas Popó; o vice-governador Luis Fernando Pezão; o artista plástico e ex-senador Abdias Nascimento; e o cineasta Zózimo Bulbull.
Mas o mais espetacular de toda essa ação é o sentimento que toma conta dos estudantes desde a ocupação. Uma emoção permanente, bonita e sincera de uma geração de lutadores e lutadoras que solidifica, definitivamente, a certeza de que estamos honrando a tradição de combatividade da União Nacional dos Estudantes e todos aqueles que tombaram para que hoje pudéssemos voltar pra nossa casa.
Que se registre nas páginas da história do Brasil o que cantavam, em coro, os estudantes que retomaram a sede da UNE em 1º de fevereiro de 2007: “Das ruas, das praças, da luta não fugiu, aqui está presente o movimento estudantil”!
Por Louise Caroline, que é vice-presidente da UNE.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.pt.org.br.

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União Nacional dos Estudantes de volta pra casa

“Pode ir armando o coreto

E preparando aquele feijão preto

Eu tô voltando

Põe meia dúzia de Brahma pra gelar

Muda a roupa de cama

Eu tô voltando”

No último dia 1º de fevereiro, cinco mil estudantes ocuparam o terreno localizado na Praia do Flamengo, número 132, na cidade do Rio de Janeiro. Em uma manifestação alegre, pacífica e emocionante, os jovens derrubaram o portão do local onde funcionava um estacionamento privado irregular e ilegal.

Até aí, só mais uma ação radical dos estudantes brasileiros. Não fosse o fato histórico de que a Praia do Flamengo, 132, era o endereço da União Nacional dos Estudantes (UNE) até o dia 1º de Abril de 1964.

A sede das entidades estudantis foi o primeiro alvo da Ditadura Militar, que golpeou a democracia brasileira naquele dia. E a escolha dos militares por destruir a sede da UNE logo no início de seu regime encontra significado no símbolo que a “casa” representa na construção da identidade das pessoas e das coletividades.

Além de ser colocada na clandestinidade, a ditadura tentou exterminar a existência da UNE. Retirou seu endereço, seu teto, sua liberdade. Mas não foi capaz de calar as milhares de vozes estudantis, que, literalmente, doaram sua juventude e rebeldia na luta por dias democráticos.

Quarenta e três anos se passaram desde aquela noite. Mas os militantes do movimento estudantil de hoje carregam as mesmas esperanças e têm a mesma doação para construir, com as próprias mãos, seus sonhos de liberdade.

Por isso, essa geração decidiu não mais esperar para reconstruir definitivamente sua identidade. A propriedade do terreno é legalmente da UNE desde que, em 1994, o então presidente Itamar Franco a devolveu aos estudantes. Mas a posse da propriedade estava sob o domínio do tal estacionamento irregular. Viemos apenas tomar posse do que é nosso. E daqui não sairemos nunca mais.

Nenhum dos carros que estavam no estacionamento, quando ocupamos o local, foi avariado. Nossos vizinhos aclamam, a todo momento, a iniciativa ousada da juventude brasileira e penduram bandeiras da UNE e do Brasil em suas janelas. A fachada do terreno já tem a inscrição que lhe cabe: SEDE NACIONAL DA UNE E DA UBES.

E, enquanto os responsáveis pelo antigo estacionamento ainda se recusam a sair de nossa casa, mais de 300 estudantes aqui estão acampados. Em condições precárias de sobrevivência, mas com a determinação de só levantar acampamento quando estiver sendo erguida a nova sede da União Nacional dos Estudantes.

O projeto, inclusive, já nos foi doado pelo arquiteto Oscar Niemayer. Contempla, além do prédio, um monumento em homenagem a Honestino Guimarães, que presidia a UNE clandestina e é desaparecido político desde os anos de chumbo.

Além de Niemayer, centenas de personalidades da política, da cultura, do esporte e dos movimentos sociais têm declarado sua solidariedade com a luta dos estudantes de volta pra casa. Nosso acampamento tem uma agenda intensa de visitas e está aberto à toda população brasileira, em especial aos cariocas e fluminenses que sempre acolheram a UNE com a alegria e combatividade que nos faz tão semelhantes. Já visitaram nossa nova sede o ministro do Esporte, Orlando Silva; a atriz Vera Holtz; o boxeador Acelino de Freitas Popó; o vice-governador Luis Fernando Pezão; o artista plástico e ex-senador Abdias Nascimento; e o cineasta Zózimo Bulbull.

Mas o mais espetacular de toda essa ação é o sentimento que toma conta dos estudantes desde a ocupação. Uma emoção permanente, bonita e sincera de uma geração de lutadores e lutadoras que solidifica, definitivamente, a certeza de que estamos honrando a tradição de combatividade da União Nacional dos Estudantes e todos aqueles que tombaram para que hoje pudéssemos voltar pra nossa casa.

Que se registre nas páginas da história do Brasil o que cantavam, em coro, os estudantes que retomaram a sede da UNE em 1º de fevereiro de 2007: “Das ruas, das praças, da luta não fugiu, aqui está presente o movimento estudantil”!

Por Louise Caroline, que é vice-presidente da UNE.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.pt.org.br.

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