Para atingir estes objetivos, o documento afirma ser necessário consolidar a unidade das forças progressistas e esquerdistas; aprofundar a integração regional; multiplicar as ações bem-sucedidas em diversos países; e projetar novas vitórias eleitorais. “Comprovamos ser possível construir uma unidade na diversidade ao nos unirmos em torno de objetivos comuns, sem descuidarmos para a reação da direita continental”, disse ao Opera Mundi a secretária de relações internacionais do PT (Partido dos Trabalhadores), Iole Ilíada.
Para ela, é necessário que, neste momento a esquerda latino-americana “avance onde já é governo, aprofundando as transformações lá ocorridas”. “E também ganhar as próximas eleições na Argentina, Guatemala, Nicarágua e Peru, evitando que a direita ganhe força para reverter o processo de mudança que estamos consolidando”, afirmou Iole.
A declaração final também destacou a importância de seguir impulsionando os processos de integração, para combater “as forças de reação do imperialismo mundial, que operam de forma cada vez mais agressiva”.
No documento, os integrantes consideram que o atual cenário geopolítico mundial é caracterizado “por uma das mais profundas crises do sistema capitalista”. Neste sentido, o documento destaca a necessidade de aprofundar alternativas como a Alba (Alternativa Bolivariana para os Povos das Américas), a Unasul (União das Nações Sul-americanas) e Celac (Comunidade dos Países da América Latina e Caribe).
Solidariedade
O documento também abordada questões locais, condenando veementemente o bloqueio contra Cuba, exigindo a imediata libertação dos chamado “Grupo dos Cinco” – cubanos presos nos EUA – e apoiar o processo de desenvolvimento da Revolução Cubana, que “atualizou seu modelo econômico, com a mais ampla participação popular”.
O Fórum também reafirmou seu apoio à FNRP (Frente Nacional de Resistência Popular) em Honduras, “em sua luta de resistência contra o governo atual, que é uma continuação do golpe”. Também apoiou o processo de mediação em curso para o regresso do ex-presidente Manuel Zelaya, afirmando que o retorno de Honduras ao cenário internacional não será aceito “até que as exigências da FNRP sejam cumpridas”.
O comunicado também pediu uma solução para o conflito interno na Colômbia “por meio de negociação política”, e condenou energicamente a “flagrante violação da soberania nacional da Líbia”, exigindo “um cessar-fogo das duas partes envolvidas no conflito”, com o objetivo de se “alcançar uma solução pacífica”.
Finalmente, os delegados do Foro expressaram sua solidariedade com a luta dos palestinos para a criação de um Estado nacional independente, exigindo o fim das violações dos direitos humanos e da repressão. Também reiterou o seu apoio para a FSLN (Frente Sandinista de Libertação Nacional) e ao presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, para as eleições em novembro que serão realizadas no país centro-americano.
No último dia do Fórum foram aprovadas 22 resoluções, com diversas mudanças em sua estrutura organizacional. Entre as novidades, estão a filiação do Partido da Vanguarda Popular, da Costa Rica, e do MAS (Movimento ao Socialismo), da Bolívia. Por fim, o grupo de trabalho decidiu que a 18 ª reunião será realizada em Caracas, na Venezuela, em julho de 2012.
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Lula: esquerda governa com ‘mais competência’ do que direita na América Latina
Por Giorgio Trucchi
No segundo dia do 17º Encontro do Fórum de São Paulo, nesta quinta-feira (19/5) em Manágua, o ex-presidente do Brasil e membro fundando do Foro, Luiz Inácio Lula da Silva, convidou as forças de esquerda latino-americanas a seguir fortalecendo as alianças políticas, promovendo ao mesmo tempo processos unitários e integracionistas.
Em um auditório atento, Lula lembrou que em 1990, quando o Fórum foi criado, a esquerda latino-americana estava profundamente dividida. “Ainda não havíamos aprendido uma lição básica que permitiria à esquerda chegar ao poder: é preciso unir as diferenças para derrotar os antagônicos”.
Esquerda na América Latina já demonstrou saber governar “com mais competência do que a direita”
Segundo ele, o processo empreendido para superar a desconfiança e construir uma relação democrática entre as forças de esquerda culminou em uma modificação do panorama político do continente. “Precisamos valorizar as conquistas alcançadas nestes 20 anos, porque nosso continente passou por um verdadeiro furacão de democracia”, assinalou Lula.
O ex-presidente brasileiro aproveitou a ocasião para apresentar exemplos de resultados alcançados em seus oito anos de governo (2002-2010). “Nos disseram repetidas vezes que primeiro é preciso fazer a economia crescer e só depois distribuir a riqueza. Nós demonstramos o contrário: é preciso distribuir a riqueza para que a economia cresça”, afirmou.
Entre as principais conquistas de seu governo, disse Lula, estão o aumento de 62% do salário mínimo, a geração de 15,3 milhões de empregos formais e a desapropriação de 47 milhões de hectares de terra. Segundo ele, o financiamento agrícola foi duplicado e 45 milhões de trabalhadores tiveram acesso ao sistema bancário, enquanto 28 milhões saíram da pobreza. “O que custa menos a um governo é gastar dinheiro com os pobres, e mostramos isso ao garantir um salário mínimo a 52 milhões de pessoas, o que fez a economia avançar”, analisou Lula.
Ao final de sua intervenção, o ex-presidente disse estar disposto a participar de todas as futuras reuniões do Foro e fez um chamado aos povos do continente para que fortaleçam os partidos políticos, como instrumento privilegiado para governar e assim resolver os problemas que por séculos vêm afetando os povos latino-americanos.
“Devemos refletir profundamente sobre o fortalecimento dos partidos políticos, refletir sobre como construir alianças, ganhar eleições”. Segundo Lula, a esquerda na América Latina já demonstrou saber governar “com mais competência do que a direita ao longo de todo o século XX”. Ele disse estar convencido de que agora o processo de integração deve avançar, “porque é a única oportunidade para resolver os problemas que por séculos afetaram os mais pobres”.
Líbia
Em seu discurso, o presidente da Nicarágua e anfitrião do evento, Daniel Ortega, disse ter se reunido com o ex-presidente Lula para trocar impressões sobre a intervenção militar na Líbia. “Dados da OTAN [Organização do Tratado do Atlântico Norte] indicam que houve 5,8 mil bombardeios sobre o povo líbio. É um crime que não pode ficar impune”.
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Zelaya anuncia possível retorno a Honduras na abertura da 17ª edição do Foro de São Paulo
Por Giorgio Trucchi – Opera Mundi
Manágua-Nicarágua
A 17ª edição do Foro de São Paulo teve início na noite desta quarta-feira (18/05) em Manágua, capital da Nicarágua e se caracterizou por um forte chamado de partidos e organizações de esquerda latino-americanas em favor da unidade e da integração dos países do continente, com especial destaque para o futuro de Honduras, cuja possibilidade de reingressar à OEA (Organização de Estados Americanos) é iminente. De acordo com o ex-presidente Manuel Zelaya, seu retorno pode acontecer na semana que vem.
“Chegamos a este encontro em meio a uma conjuntura carregada de perigos para a esquerda latino-americana”, afirmou ao Opera Mundi o secretário-executivo do Foro de São Paulo, Valter Pomar. “Os Estados Unidos estão sofrendo uma deterioração de sua hegemonia a nível mundial e estão reagindo adotando uma atitude violenta e intensificando a ingerência na região”.
Pomar falou também sobre o “perigo que a recomposição das forças de direita representa” e a necessidade de se avançar em direção a uma integração latino-americana. “Vivemos uma situação de forte instabilidade, caracterizada por um novo contra ataque da direita”.
Com isso, continuou Pomar, “precisamos fortalecer nossa inteligência estratégica e a capacidade de coordenação, porque o Foro de São Paulo tem um papel fundamental em direção a uma alternativa ao neoliberalismo, a um nível mais avançado da integração e a mudanças que garantam a justiça social para nossos povos”, concluiu.
A importância desse processo foi respaldada por Zelaya, durante sua intervenção na cerimônia de abertura do Foro. “A política imperialista gerou destruição para os nossos povos ao longo da história, mas para eles está claro que são seus inimigos, e com isso, estão reagindo”, afirmou Zelaya, deposto em um golpe de Estado em junho de 2009. Ele assinalou que somente no século XX houve 144 golpes de Estado na América Latina e neste século, seis, sendo que quatro contra os países da ALBA (Alternativa Bolivariana para as Américas).
“O Foro de São Paulo tem uma árdua tarefa pela frente, contra um sistema vergonhoso que instala bases militares, cria guerras, bombardeia países para se manter. Um sistema que gera pobreza, exclusão social e que é antidemocrático”. Zelaya disse ser importante seguir trabalhando e aprofundando o debate sobre alternativas ao neoliberalismo e ao capitalismo.
Quanto a sua volta a Honduras, Zelaya afirmou que “o processo culmina na próxima semana, e, na próxima semana, se Deus quiser, é possível que nós que fomos expulsos regressemos a Honduras”, anunciou Zelaya.
Experiência cubana
O presidente do Parlamento de Cuba e membro do Burô Político do Partido Comunista de Cuba, Ricardo Alarcón, reforçou em seu discurso a busca por um socialismo renovado. “O modelo capitalista e neoliberal, que tanta miséria e dor repartiu com o mundo, está em uma crise profunda. Uma das causas disso tem sido a América Latina e o Caribe, porque aqui conseguimos demonstrar como funcionam processos alternativos”, afirmou Alarcón.
Segundo o dirigente cubano, a tarefa mais importante para os partidos e organizações de esquerda é agora “consolidar estes processos e fortalecer a unidade latino-americana diversificada, para seguir avançando.”
Anfitrião
Ao fim da cerimônia, o presidente da Nicarágua, Daniel Ortega, ressaltou a importância da criação, em julho deste ano, da CELAC (Comunidade de Estados Latino-americanos e Caribenhos). “Não vai ser fácil, mas vamos marcar uma pauta histórica para o continente, para seguir colocando em primeiro lugar os interesses dos povos”.
A segunda jornada do 17º encontro do Foro de São Paulo nesta quinta-feira (19/05) será dedicada aos debates nas 13 mesas de trabalho e à intervenção do ex-presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula Da Silva. O documento final do Foro será apresentado nesta sexta-feira (20/5).
[Leia a Declaração do XVII Encontro do Fórum de São Paulo]
Por Giorgio Trucchi – Opera Mundi.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.adital.org.br/site/noticia.asp?lang=PT&cod=56717