Economistas alertaram ainda para o risco que uma elevação da taxa Selic pelo BC pode representar para a ainda frágil retomada do crescimento

por Redação da RBA publicado 29/05/2013 17:53, última modificação 29/05/2013 18:32
Antônio Cruz/ABr
guido mantegaO Ministro da Fazenda, Guido Mantega, destacou a trajetória positiva do PIB

São Paulo – Na contramão do mercado, analistas ouvidos pela RBA consideraram positiva a elevação de 1,9% do PIB brasileiro no primeiro trimestre em comparação a igual período de 2012, divulgada hoje (29) pelo IBGE. O principal ponto destacado foi a retomada dos investimentos, demonstrada pelo crescimento de 4,6% na formação de capital bruto entre o último trimestre do ano passado e o primeiro deste ano. Os economistas alertaram ainda para o risco que uma elevação da taxa Selic pelo Banco Central (BC) pode representar para a ainda frágil retomada do crescimento.

A alta do PIB sobre o último trimestre do ano passado foi de 0,6%, abaixo das expectativas do mercado. Em 12 meses, houve expansão de 1,2%, segundo os resultados apurados pelo IBGE. A preços de mercado, o PIB somou R$ 1,11 trilhão.

“Eu diria que o importante é que cresceu, de forma menos intensa do que os otimistas tinham em vista, mas de forma sustentada”, disse o economista Jorge Mattoso, que destaca a curva ascendente dos dados recentes, sempre na comparação do trimestre com igual período anterior: 0,6% no segundo trimestre de 2012, 0,7% no terceiro, 0,9% no quarto e 1,9% no primeiro trimestre deste ano.

Em coletiva nesta manhã, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, também destacou a trajetória positiva do PIB, ressaltando que a elevação de 0,6% em relação ao quarto trimestre de 2012 foi superior ao comportamento do ano passado. “No primeiro trimestre do ano passado, tivemos um crescimento menor, de 0,1% em relação ao trimestre anterior. Este ano começamos com 0,6%, o que aponta que a economia está em ritmo de crescimento de 2,2%”, afirmou o ministro.

Ao mesmo tempo, ele admitiu que deverá reduzir a projeção de crescimento para o ano, hoje de 3,5%. “Temos melhora sobretudo dos investimentos. O forte crescimento deles puxou a economia, deixando para trás o consumo, que cresceu menos. E um crescimento de qualidade na economia brasileira demonstra que os estímulos que temos dado para os investimentos desde 2011 estão surtindo efeito.”

O presidente da Fundação Perseu Abramo, Marcio Pochmann, ressaltou a força do mercado interno, que continua sendo importante para sustentar a economia. “A ênfase no mercado interno é o diferencial do Brasil”, disse. “O indicador confirma que deveremos ter um crescimento mais vigoroso (que em 2012), mas talvez não como seria necessário.”

Pochmann considerou “alvissareiro” o dado sobre investimentos, que, segundo ele, seria o elemento mais consistente. “Uma recuperação lenta, claro, mas que vai dar sustentação para além do consumo das famílias”, observa. Nesse sentido, o crescimento das importações tem um lado positivo, ao indicar investimentos em bens de capital. “Por outro lado, nos dificulta no setor externo.”

Para Mattoso, o aumento dos investimentos permitirá uma discussão mais profunda sobre a indústria, que considera um grande nó da economia brasileira. “Isso é grave e levanta o que nós queremos do Brasil. Não pode ter como base exclusivamente a produção de commodities. Não é ruim, mas não podemos achar que só com isso garantimos o longo prazo do país.”

Os dois também concordam com o risco representado por uma possível elevação da taxa Selic na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC que termina hoje. “Uma elevação de juros pode afetar negativamente as expectativas de quem quer investir. Taxa alta não combina com investimento”, avalia Pochmann, que considerou correta a elevação de 0,25% determinada pelo BC na última reunião para “mediação das expectativas”.

Mattoso concorda que subir a taxa básica prejudica investimentos e consumo. Ele afirma que não é a política monetária que está fazendo a inflação recuar, mas as medidas do governo, somadas a uma safra maior, que ajuda a reduzir os preços dos alimentos. O impacto dessas medidas poderá ser melhor avaliado na próxima sexta-feira, com a divulgação pelo IBGE do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

Questionado sobre a influência do PIB na reunião do Copom, o ministro não quis comentar. “Eu não comento a decisão pontual sobre a taxa de juros. Mas a política monetária evoluiu muito no Brasil nos últimos anos e é favorável a investimentos e à atividade econômica”, disse Mantega.

Segundo o ministro, a elevação do câmbio, que atingiu seu maior patamar no ano com o dólar a R$ 2,07, não é um fator a ser considerado no controle da inflação. “Quando o FED (Federal Reserve, banco central americano) sinalizou que pode elevar a taxa de juros, as moedas de todo o mundo se adaptaram. É uma flutuação normal do câmbio, sem interferência do governo. Não usamos o câmbio como instrumento de política monetária”, disse o ministro, que lembrou do efeito positivo da desvalorização do real para as exportações.

O governo Dilma recebeu a taxa básica de juros em 10,75% ao ano e promoveu quatro altas seguidas, até 12,5%. Seguiram-se dez quedas, até 7,25%, menor nível histórico da Selic, que se manteve em três reuniões. Na mais recente, em abril, o Copom aumentou a taxa para 7,5%.

Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2013/05/alta-do-investimento-sinaliza-pib-sustentado-9092.html

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Economia mostra crescimento sustentado e baseado em investimento, ressalta Mattoso

Economista lembra que atividade mostra tendência ascendente há quatro trimestres
por Vitor Nuzzi, da RBA publicado 29/05/2013 12:30, última modificação 29/05/2013 13:49

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Roberto Barroso/ABr
mattoso

Para Mattoso, o crescimento ocorrido de modo significativo, embora menos intenso do que se poderia esperar

São Paulo – Para o economista Jorge Mattoso, o resultado do PIB, talvez abaixo do que os otimistas esperavam, mostra “um crescimento sustentado em investimento, o que é extremamente positivo”. Ele destaca que os dados recentes mostram curva ascendente, sempre na comparação do trimestre com igual período anterior: 0,6% no segundo trimestre de 2012, 0,7% no terceiro, 0,9% no quarto e 1,9% no primeiro trimestre deste ano.

“O que se verifica de fato é que o crescimento tem se dado de maneira importante e significativa, embora menos intensa do que se poderia esperar, dadas as condições internacionais”, diz Mattoso. “Estamos apontado para cima”, acrescenta, estimando em pelo menos 3% o resultado deste ano. “Eu diria que que o importante é que cresceu, de forma menos intensa do que os otimistas tinham em vista, mas de forma sustentada.”

Outro dado importante é o crescimento contínuo do consumo das famílias. Mattoso lembra ainda que, entre os Brics, o PIB brasileiro foi equivalente ao da África do Sul e ficou acima da Rússia, embora abaixo de China e Índia. Também superou o do México.

Ele destaca, principalmente, a elevação dos investimentos (medida pela formação bruta do capital fixo), com crescimento de 4,6% sobre o quarto trimestre e de 3% em relação ao primeiro trimestre de 2012. Mantido esse movimento, diz o economista, será possível enfrentar com mais intensidade o desafio representado pelo setor industrial.

Para Mattoso, a indústria “é um problema que o Brasil tem de olhar com atenção, porque o setor tem sofrido muito ao longo das últimas décadas”. Ele acredita que as medidas de desoneração adotadas pelo governo ainda mostrarão seus efeitos. Mas é preciso, defende, uma discussão mais profunda em relação à indústria. “Isso é grave e levanta o que nós queremos do Brasil. Não pode ter como base exclusivamente a produção de commodities. Não é ruim, mas não podemos achar que só com isso garantimos o longo prazo do país.”

Em relação à reunião de hoje do Comitê de Política Monetária (Copom) do BC, o economista acredita que o crescimento menos intenso do PIB pode fazer com que o colegiado seja “comedido”. Ele afirma que não é a política monetária que está fazendo a inflação recuar, mas as medidas do governo, somadas a uma safra maior, que ajuda a reduzir os preços dos alimentos. Subir a taxa básica, observa Mattoso, prejudica investimentos e consumo.

Notícia colhida no sítio http://www.redebrasilatual.com.br/economia/2013/05/economia-mostra-crescimento-sustentado-e-baseado-em-investimento-ressalta-mattoso-8074.html

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Investimento confirma que o crescimento da economia brasileira é consistente

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O crescimento de 0,6% do Produto Interno Bruto (PIB), no primeiro trimestre deste ano, confirma o “excelente desempenho da formação bruta de capital fixo”, que é a taxa de investimento na economia, avaliou hoje (29), no Rio de Janeiro, o presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho.

Ele reforçou que, de maneira geral, o crescimento da economia brasileira está em curso. “A economia está crescendo a um ritmo de 2,2%, o mesmo ritmo observado no último trimestre do ano passado, mas com uma diferença qualitativa positiva. É que os investimentos estão em ascensão, estão crescendo. Isso significa um crescimento mais saudável. Significa que a relação entre investimento e PIB está subindo”.

Coutinho destacou que a formação bruta de capital foi a principal alavanca do aumento do PIB, pelo lado da demanda, com crescimento de 4,6% no período, e de pouco mais de 24% anualizado, “confirmando os nossos dados de aceleração do investimento”. Ressaltou também a expansão forte da agricultura (9,7% nos três primeiros meses do ano), já esperada.

O presidente do BNDES observou que o resultado do setor de serviços e do comércio exterior ficou aquém do desejado. A área de serviços evoluiu 0,5% no trimestre. As exportações caíram 6,4%, contra incremento de 6,3% das importações. “Só isso retirou 1,7 ponto percentual da taxa de crescimento trimestral do PIB”. Os números refletem, segundo Coutinho, a situação desfavorável no comércio internacional, “ainda sob um forte acirramento de concorrência em manufaturas e uma moderada redução de preço de commodities [produtos agrícolas e minerais comercializados no mercado externo]”.

Ele reiterou a confiança de que a economia vai crescer ao longo do ano, mostrando bom resultado. A queda registrada na indústria extrativa se deve, em boa parte, à exportação de produtos, enquanto a indústria de transformação mostrou crescimento modesto, mas positivo no trimestre, de 0,3%, mostrando que, “devagarinho, as coisas vão melhorando”, disse.

Luciano Coutinho disse que, do ponto de vista do BNDES, não há indícios de arrefecimento do crescimento dos investimentos no segundo trimestre. “Ao contrário. Nossos desembolsos em abril e maio estão muito firmes”. Os desembolsos efetuados nesse bimestre indicam crescimento superior a 50%.

Edição: Beto Coura

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Notícia colhida no sítio http://agenciabrasil.ebc.com.br/noticia/2013-05-29/investimento-confirma-que-crescimento-da-economia-brasileira-e-consistente

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