Fonte: Reprodução/Twitter

A necropolítica de Bolsonaro e Paulo Guedes segue com força total para jogar o Brasil em um poço sem fundo. Não bastam apenas os escândalos de corrupção, desemprego alto, número elevado de mortos durante a pandemia, entre outros problemas. Bolsonaro teve que “ressuscitar” algo que estava próximo de ser erradicado: a fome.

Nos últimos dias, correram o mundo imagens de pessoas procurando ossos para poder ter o que comer. Em nome da fome, a dignidade destes cidadãos foi jogada na lata de lixo. Contudo, tão ruim quanto isso, foi ver que alguns comerciantes resolveram comercializar algo que normalmente era doado para alimentar animais. Em Santa Catarina, um açougue postou um cartaz absurdo com os dizeres “osso é vendido, não dado” e com o preço de R$ 4,90 (posteriormente o estabelecimento desistiu de vender por conta de uma ação do Procon). No Pará, um supermercado vende vísceras de peixe (espinha e cabeça) por R$ 3,90. No Rio de Janeiro e no Mato Grosso, há filas enormes de pessoas que vão pegar essas carcaças.

Povo com fome, carestia em alta

Desde o golpe dado por Michel Temer, o Brasil voltou a ignorar a população mais carente. A situação piorou ainda mais após Bolsonaro assumir o poder. Segundo relatório da Organização da ONU para Agricultura e Alimentação (FAO, em inglês), estima-se que 23,5% da população brasileira sofre com a insegurança alimentar. Isto é,  49,6 milhões de pessoas, incluindo crianças, têm dificuldades para ter o que comer.

Até mesmo a carestia, termo que estava em desuso durante o período do PT, voltou ser utilizado, pois o poder de compra de boa parte da população diminuiu sensivelmente. Isso acabou rendendo na chamada grande mídia reportagens que “romantizam” a pobreza, com patifarias do tipo “como fazer render o auxílio de R$ 150.

Casa grande feliz

E a elite? Essa vai bem, obrigado. Lucrando com dólar alto (US$ 1 equivale a R$ 5,51 no câmbio do dia 08 de outubro), principalmente um certo ministro que foi guru do ditador chileno Pinochet e está envolvido em um escândalo de offshores; não pegando mais fila em aeroporto; capitalizando em cima da desgraça do povo. Manter a necropolítica atual é assegurar o status quo deles. A Casa Grande está feliz em manter a Senzala no canto dela.

Enquanto persistir a falta de uma política pública para resolver esta situação, cenas como estas tendem a se “normalizar”. O sinal de alerta está ligado.

Texto: Flávio Augusto Laginski

Fonte: Contraf-CUT

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