Políticos da oposição e nem do próprio PT acreditam que a resistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em disputar a reeleição deva ser interpretada como uma sentença. Nas duas últimas entrevistas de Lula no fim de semana – para a revista “Veja” e para o “Fantástico”, da Rede Globo -, o presidente afirmou que é contra o princípio da reeleição sob os pontos de vista pessoal e político. “Trabalho com a idéia fixa de que meu mandato termina no dia 31 de dezembro de 2006 e que a partir de janeiro de 2007 o Brasil terá outro presidente”, disse Lula.
A oposição garante que não mudará sua estratégia em relação à disputa de 2006, mas já abre espaço para um debate em relação a mandatos mais longos para os próximos presidentes. O presidente nacional do PT, José Genoino, não quer nem ouvir falar do assunto. “A reeleição não está na nossa pauta e nem na nossa agenda”, limitou-se a dizer.
“O Lula tem se desdito muito, mas até começo a achar que ele não é candidato à reeleição. Nós do PSDB estamos dispostos a discutir a possibilidade de mandatos mais longos para os presidentes, de seis a cinco anos, mas sem casuísmo”, afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O líder tucano admitiu que a reeleição, nos Estados, tende a consolidar oligarquias políticas, o que pode não ser saudável para a democracia.
O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), também vê com descrédito a rejeição de Lula em disputar outro mandato sucessivo. “Se isso ocorrer, não muda nada. A oposição seguramente terá uma candidatura forte à sucessão do presidente Lula. Ele sendo candidato ou não, para nós não faz diferença. O importante é que o PT terá grande dificuldade na próxima eleição presidencial pelo fato de estar perdendo seu maior capital político, que é a credibilidade”, avaliou Agripino Maia.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que em 17 de março de 2002 disputou a prévia com Lula em que o partido escolheu e referendou por esmagadora maioria seu candidato à Presidência, acha que o presidente tem uma intuição política, mas isso não significa que não disputará a reeleição.
“Como eu pressuponho que o Lula terá um governo em grande parte bem sucedido, haverá muitas pressões na sociedade e na base do PT para que ele seja candidato outra vez. Mas, acho que as declarações de Lula foram sábias e eu concordo com ele”, disse Suplicy. O senador petista já avisa que não participará de nova prévia com Lula.
Para o vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), Lula apenas reafirmou uma posição que defendeu ao longo de sua história política. “É inimaginável querer pensar agora em reeleição, isso cai bem em governos do Fernando Henrique, mas não nos nossos”.
Apesar de o presidente nacional do PT evitar discutir o assunto reeleição, ele não poupou palavras para comentar o significado das recentes entrevistas concedidas por Lula. Segundo ele, o presidente da República deixou claro qual é seu objetivo de governo e o que quer para o país e transmitiu pelo menos três recados firmes: em primeiro lugar, que não há possibilidade de o ministro da Fazenda, Antonio Palocci ser substituído no caso de uma mudança de rumo da economia; em segundo lugar, o presidente avisou aos movimentos sociais que o governo terá com suas lideranças uma relação respeitosa, mas exige, em contrapartida, respeito à lei; por fim, Lula fez justiça e agradeceu a todos os parlamentares que apoiaram o governo na votação da reforma da Previdência.
Já o líder do PSDB no Senado criticou as provocações de Lula ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, especialmente em relação à reeleição. “Isso é provocativo e parece que querem fazer um pacto de mediocridade conosco. Aprovaram a reforma com nossos votos. Esse governo transita entre a arrogância e a fragilidade, o autoritarismo e a anarquia”, disparou Arthur Virgílio.
Maria Lúcia Delgado, De Brasília
Fonte: Valor Econômico
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Por Mhais• 19 de agosto de 2003• 09:22• Sem categoria
OPOSIÇÃO DESCRÊ QUE LULA OPONHA-SE À REELEIÇÃO
Políticos da oposição e nem do próprio PT acreditam que a resistência do presidente Luiz Inácio Lula da Silva em disputar a reeleição deva ser interpretada como uma sentença. Nas duas últimas entrevistas de Lula no fim de semana – para a revista “Veja” e para o “Fantástico”, da Rede Globo -, o presidente afirmou que é contra o princípio da reeleição sob os pontos de vista pessoal e político. “Trabalho com a idéia fixa de que meu mandato termina no dia 31 de dezembro de 2006 e que a partir de janeiro de 2007 o Brasil terá outro presidente”, disse Lula.
A oposição garante que não mudará sua estratégia em relação à disputa de 2006, mas já abre espaço para um debate em relação a mandatos mais longos para os próximos presidentes. O presidente nacional do PT, José Genoino, não quer nem ouvir falar do assunto. “A reeleição não está na nossa pauta e nem na nossa agenda”, limitou-se a dizer.
“O Lula tem se desdito muito, mas até começo a achar que ele não é candidato à reeleição. Nós do PSDB estamos dispostos a discutir a possibilidade de mandatos mais longos para os presidentes, de seis a cinco anos, mas sem casuísmo”, afirmou o líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM). O líder tucano admitiu que a reeleição, nos Estados, tende a consolidar oligarquias políticas, o que pode não ser saudável para a democracia.
O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), também vê com descrédito a rejeição de Lula em disputar outro mandato sucessivo. “Se isso ocorrer, não muda nada. A oposição seguramente terá uma candidatura forte à sucessão do presidente Lula. Ele sendo candidato ou não, para nós não faz diferença. O importante é que o PT terá grande dificuldade na próxima eleição presidencial pelo fato de estar perdendo seu maior capital político, que é a credibilidade”, avaliou Agripino Maia.
O senador Eduardo Suplicy (PT-SP), que em 17 de março de 2002 disputou a prévia com Lula em que o partido escolheu e referendou por esmagadora maioria seu candidato à Presidência, acha que o presidente tem uma intuição política, mas isso não significa que não disputará a reeleição.
“Como eu pressuponho que o Lula terá um governo em grande parte bem sucedido, haverá muitas pressões na sociedade e na base do PT para que ele seja candidato outra vez. Mas, acho que as declarações de Lula foram sábias e eu concordo com ele”, disse Suplicy. O senador petista já avisa que não participará de nova prévia com Lula.
Para o vice-líder do governo na Câmara, Professor Luizinho (PT-SP), Lula apenas reafirmou uma posição que defendeu ao longo de sua história política. “É inimaginável querer pensar agora em reeleição, isso cai bem em governos do Fernando Henrique, mas não nos nossos”.
Apesar de o presidente nacional do PT evitar discutir o assunto reeleição, ele não poupou palavras para comentar o significado das recentes entrevistas concedidas por Lula. Segundo ele, o presidente da República deixou claro qual é seu objetivo de governo e o que quer para o país e transmitiu pelo menos três recados firmes: em primeiro lugar, que não há possibilidade de o ministro da Fazenda, Antonio Palocci ser substituído no caso de uma mudança de rumo da economia; em segundo lugar, o presidente avisou aos movimentos sociais que o governo terá com suas lideranças uma relação respeitosa, mas exige, em contrapartida, respeito à lei; por fim, Lula fez justiça e agradeceu a todos os parlamentares que apoiaram o governo na votação da reforma da Previdência.
Já o líder do PSDB no Senado criticou as provocações de Lula ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, especialmente em relação à reeleição. “Isso é provocativo e parece que querem fazer um pacto de mediocridade conosco. Aprovaram a reforma com nossos votos. Esse governo transita entre a arrogância e a fragilidade, o autoritarismo e a anarquia”, disparou Arthur Virgílio.
Maria Lúcia Delgado, De Brasília
Fonte: Valor Econômico
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