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Por 21:06 Notícias

MALUF COMPROU EUCATEX COM DINHEIRO DE PROPINA, DIZ NICÉA

CAMILO TOSCANO
da Folha Online, em Brasília
Em seu depoimento nesta manhã na CPI do Banestado, a ex-mulher do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PSL), Nicéa Camargo, afirmou que o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) comprou a parte de seu irmão, Roberto Maluf, da empresa Eucatex com recursos de um esquema de propinas e parte com dinheiro de terrenos.
Com sede na cidade de Salto (105 km a noroeste da capital), a empresa chegou a entrar com pedido de concordata neste ano.
Nicéa Camargo disse ter conhecimento da existência de uma conta na Suíça que faria parte de um esquema de desvio de verba pública durante as gestões de seu ex-marido (1997-2000) e de Paulo Maluf (1993-96). “Meu ex-marido me informou que foi dinheiro público para a conta dessa empresa [Eucatex].”
Após o depoimento, ela afirmou ter o nome de mais dois envolvidos no esquema, mas que só os revelaria em uma reunião secreta com os congressistas.
O depoimento
Ela declarou que sofreu pressão “para ser internada como louca”, para não apresentar denúncias contra Pitta e Maluf. Afirmou ter sido titular de uma conta no Banco Cidade, que remetia o dinheiro para uma agência do Comercial Bank, em Nova York. A movimentação era feita por Pitta.
Além disso, confirmou as denúncias de desvio de recursos e envio de remessas para o exterior num esquema que envolvia seu ex-marido, Maluf, empresários e vereadores da capital paulista. “Não tinha qualquer serviço prestado a prefeitura sem cobrança de propina”, afirmou ela, referindo-se ao período em que Pitta ocupava o cargo de secretário de Finanças, durante a gestão de Maluf. “Ali era um querendo enganar o outro”, completou.
Disse ter sido pressionada a participar de reuniões em que se falava de desvio de verbas e corrupção. “Cheguei a um ponto em que não suportava mais conviver com aquilo”, afirmou. Os encontros, de acordo com a denúncia, encabeçados por Maluf ou pelo seu filho, Flávio, também aconteciam na casa do então secretário de Obras, Reynaldo de Barros.
O esquema
Nicéa Camargo repetiu que o esquema seria de que as empresas contratadas, a maioria delas empreiteiras, concederiam 3% de propina. A orientação para cobrar essa porcentagem teria sido de Flávio Maluf. As comissões seriam depositadas por doleiros das empresas fora do país.
As denúncias de Nicéa Camargo foram inicialmente apresentadas por ela ao promotor Silvio Marques, de São Paulo e referem-se às obras da avenida Águas Espraiadas e do Túnel Ayrton Senna, realizadas nas gestões Maluf e Pitta.
Ela foi convocada a pedido da senadora petista Serys Slhessarenko (MT) para esclarecer denúncias. A CPI investiga a evasão de divisas do país por meio das contas CC-5.
Mais denúncias
No último dia 20 de agosto, os congressistas ouviram o ex-coordenador administrativo-financeiro da construtora Mendes Júnior, em São Paulo, Simeão Damasceno de Oliveira, considerado a principal testemunha ouvida pelo Ministério Público paulista no inquérito que apura o superfaturamento de obras públicas no município.
Damasceno detalhou o esquema de pagamento de propinas pela Mendes Júnior em obras superfaturadas, como a Águas Espraiadas. Segundo ele, essa obra, que deveria ter custado cerca de R$ 250 milhões, saiu por quase R$ 796 milhões.
Na ocasião, Maluf e Pitta, por meio de assessores, negaram ter conta no exterior e refutaram a possibilidade de superfaturamento. A empreiteira informou que não irá comentar as declarações.

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MALUF COMPROU EUCATEX COM DINHEIRO DE PROPINA, DIZ NICÉA

CAMILO TOSCANO
da Folha Online, em Brasília

Em seu depoimento nesta manhã na CPI do Banestado, a ex-mulher do ex-prefeito de São Paulo Celso Pitta (PSL), Nicéa Camargo, afirmou que o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) comprou a parte de seu irmão, Roberto Maluf, da empresa Eucatex com recursos de um esquema de propinas e parte com dinheiro de terrenos.

Com sede na cidade de Salto (105 km a noroeste da capital), a empresa chegou a entrar com pedido de concordata neste ano.

Nicéa Camargo disse ter conhecimento da existência de uma conta na Suíça que faria parte de um esquema de desvio de verba pública durante as gestões de seu ex-marido (1997-2000) e de Paulo Maluf (1993-96). “Meu ex-marido me informou que foi dinheiro público para a conta dessa empresa [Eucatex].”

Após o depoimento, ela afirmou ter o nome de mais dois envolvidos no esquema, mas que só os revelaria em uma reunião secreta com os congressistas.

O depoimento

Ela declarou que sofreu pressão “para ser internada como louca”, para não apresentar denúncias contra Pitta e Maluf. Afirmou ter sido titular de uma conta no Banco Cidade, que remetia o dinheiro para uma agência do Comercial Bank, em Nova York. A movimentação era feita por Pitta.

Além disso, confirmou as denúncias de desvio de recursos e envio de remessas para o exterior num esquema que envolvia seu ex-marido, Maluf, empresários e vereadores da capital paulista. “Não tinha qualquer serviço prestado a prefeitura sem cobrança de propina”, afirmou ela, referindo-se ao período em que Pitta ocupava o cargo de secretário de Finanças, durante a gestão de Maluf. “Ali era um querendo enganar o outro”, completou.

Disse ter sido pressionada a participar de reuniões em que se falava de desvio de verbas e corrupção. “Cheguei a um ponto em que não suportava mais conviver com aquilo”, afirmou. Os encontros, de acordo com a denúncia, encabeçados por Maluf ou pelo seu filho, Flávio, também aconteciam na casa do então secretário de Obras, Reynaldo de Barros.

O esquema

Nicéa Camargo repetiu que o esquema seria de que as empresas contratadas, a maioria delas empreiteiras, concederiam 3% de propina. A orientação para cobrar essa porcentagem teria sido de Flávio Maluf. As comissões seriam depositadas por doleiros das empresas fora do país.

As denúncias de Nicéa Camargo foram inicialmente apresentadas por ela ao promotor Silvio Marques, de São Paulo e referem-se às obras da avenida Águas Espraiadas e do Túnel Ayrton Senna, realizadas nas gestões Maluf e Pitta.

Ela foi convocada a pedido da senadora petista Serys Slhessarenko (MT) para esclarecer denúncias. A CPI investiga a evasão de divisas do país por meio das contas CC-5.

Mais denúncias

No último dia 20 de agosto, os congressistas ouviram o ex-coordenador administrativo-financeiro da construtora Mendes Júnior, em São Paulo, Simeão Damasceno de Oliveira, considerado a principal testemunha ouvida pelo Ministério Público paulista no inquérito que apura o superfaturamento de obras públicas no município.

Damasceno detalhou o esquema de pagamento de propinas pela Mendes Júnior em obras superfaturadas, como a Águas Espraiadas. Segundo ele, essa obra, que deveria ter custado cerca de R$ 250 milhões, saiu por quase R$ 796 milhões.

Na ocasião, Maluf e Pitta, por meio de assessores, negaram ter conta no exterior e refutaram a possibilidade de superfaturamento. A empreiteira informou que não irá comentar as declarações.

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