KAMILA FERNANDES
da Agência Folha, em Fortaleza
O presidente nacional da CUT (Central Única dos Trabalhadores), Luiz Marinho, afirmou hoje em Fortaleza que é “hipocrisia” fazer propostas de reajuste do salário mínimo acima do que está previsto no Orçamento da União.
Ele citou entre as propostas inalcançáveis uma de R$ 350 e incluiu a própria CUT entre as entidades que estão conduzindo de maneira errada a discussão sobre o salário mínimo às vésperas do anúncio do reajuste.
“Quero que a gente corrija esse processo e que, no ano que vem, a gente não repita esse debate, de novo, desse jeito, me engana que eu gosto. O governo finge que está debatendo, o Congresso finge que está reivindicando, as centrais fingem que estão reivindicando e, no fim, o governo define a fatia que o Congresso havia aprovado no orçamento”, afirmou.
Marinho disse que não acredita mais que o governo Lula aumente o salário mínimo este ano para R$ 300, como propôs a própria entidade.
“Com o pé no chão, acredito que o salário mínimo não vá passar de R$ 270 mesmo, porque é o que está previsto no Orçamento”, disse.
Marinho falou a sindicalistas, em audiência pública na Câmara Municipal de Fortaleza, pela manhã.
Ele afirmou que a preocupação da CUT agora deixou de ser o salário mínimo deste ano, mas o do próximo ano, e que ficou acertado com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva que um grupo de trabalho será criado, entre as centrais sindicais e outras entidades, para fazer uma proposta de reajuste a ser entregue ao governo federal até outubro, de forma a integrar o próximo Orçamento.
Segundo Marinho, em conversa com dirigentes da CUT na última sexta-feira, Lula afirmou que vai divulgar o novo salário mínimo amanhã e que o valor será o maior “possível”.
O presidente da CUT afirmou que a entidade não teve “força” para efetivar uma proposta consistente de reajuste do mínimo ainda no ano passado e que, durante todo o governo de Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), a própria CUT atuou de maneira “tímida” ao tentar propor uma política de recuperação salarial.
“Eu mesmo, não como presidente da CUT, mas como pessoa, não agüento mais fazer esse debate do reajuste do salário mínimo todo ano, porque é hipocrisia de minha parte, também.” Para Marinho, não houve mudança na postura da CUT nas cobranças ao governo federal apenas por causa da entrada de Lula na Presidência.
Também na fala aos sindicalistas, Marinho afirmou não acreditar que o simples crescimento econômico do país gere empregos.
Para ele, é necessário que se iniciem frentes de trabalho, por iniciativa da União, dos Estados e dos municípios.
“Não será o mercado que solucionará o problema do desemprego. Isso é responsabilidade do Estado e vamos cobrar isso”, disse.
Deixe um comentário