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NÍVEL DE ENDIVIDAMENTO DE BRASILEIROS SOBE 23,5%

Correio Braziliense – Vicente Nunes

O brutal achatamento no poder de compra está levando os brasileiros a se endividarem mais para complementar a renda mensal e satisfazer parte das necessidades do dia-a-dia.

Nos primeiros 15 meses do governo Lula, o volume de créditos concedidos pelos bancos a pessoas físicas aumentou R$ 17,8 bilhões (23,5%), totalizando R$ 94,1 bilhões. Somente nos três primeiros meses deste ano, o endividamento cresceu R$ 6 bilhões, informou ontem o Banco Central.

De todas as modalidades de crédito disponíveis no mercado, a elevação mais expressiva se deu no crédito pessoal. Foram mais R$ 8,6 bilhões desde janeiro de 2003, resultando em um saldo acumulado de R$ 33,2 bilhões.

Essa modalidade de empréstimos vem ganhando impulso por ser mais barata que o cheque especial e por englobar as operações com descontos em folha salarial, o chamado crédito consignado, regulamentado por medida provisória no final do ano passado.

Apesar de a burocracia ser grande e de os bancos ainda estarem reticentes em expandir o crédito consignado, houve, em março, incremento de 11% na liberação de recursos por meio dessa linha, cujas taxas de juros têm variado entre 1,5% e 3,5% ao mês.

“Por enquanto, a maior parte das operações está restrita ao funcionalismo público. Mas estamos apostando que o crédito consignado terá grande impulso quando os trabalhadores da iniciativa privada o pedirem”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.

Produção
A procura maior por crédito não deve, porém, ser vista como um fator negativo. Além de não ser explosivo, o movimento, segundo Altamir, reflete o processo de reativação da economia. “Os financiamentos estão sendo direcionados, sobretudo, para a aquisição de bens duráveis, como eletrodomésticos e automóveis, reativando parte importante da economia” afirmou.

Esse discurso foi endossado pelo presidente da Associação Brasileira dos Executivos em Finanças (Ibef), João Carlos de Almeida.

“Com o crescimento do consumo de bens duráveis, a indústria produzirá mais, estimulando a criação de empregos e a melhoria da renda, contaminando, de forma positiva, outros segmentos da produção”, disse.

Na avaliação de Altamir, as famílias brasileiras estão mais propensas a tomar crédito devido à queda nas taxas de juros que vem se observando desde junho do ano passado.

Na média, desse mês até março passado, as taxas cobradas de pessoas físicas recuaram de 81,4% para 64% ao ano, o menor patamar registrado desde março de 2001, quando estavam em 63,5%. No crédito pessoal, os juros recuaram, no mesmo período, de 96,6% para 76,5% ano.

Para o financiamento de veículos, a taxa baixou de 54,1% para 35,1% ao ano. No cheque especial, que continua operando com juros extorsivos, os encargos caíram de 177% para 142% ao ano, entre junho do ano passado e março último, e para 139,9% nos primeiros nove dias úteis de abril.

“Não há dúvidas que ainda há muito espaço para novas quedas nos juros ao consumidor. Mas é importante ressaltar que o movimento registrado até agora reflete o corte na taxa básica de juros (Selic), promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom)”, observou o economista do BC. Entre junho do ano passado e março último, a Selic caiu de 26,5% para 16,25%.

O que precisa recuar com mais força é o spread bancário, a diferença entre o que os bancos pagam para o dinheiro que captam junto aos investidores e o quanto cobram na hora de emprestar os recursos.

Nos financiamentos do cheque especial, por exemplo, o spread representa 126,9 pontos percentuais da taxa. No crédito pessoal, está em 61 pontos. Nas operações de crédito direto ao consumidor (CDC), situa-se em 47,3 pontos.

“Está chegando a hora em que os bancos vão ter de reduzir os seus ganhos de forma mais intensa. Com os juros dos títulos públicos em queda, a principal fonte de lucro do sistema será o crédito. Quem não se conscientizar disso, vai perder mercado”, ressaltou o presidente do Ibef.

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NÍVEL DE ENDIVIDAMENTO DE BRASILEIROS SOBE 23,5%

Correio Braziliense – Vicente Nunes
O brutal achatamento no poder de compra está levando os brasileiros a se endividarem mais para complementar a renda mensal e satisfazer parte das necessidades do dia-a-dia.
Nos primeiros 15 meses do governo Lula, o volume de créditos concedidos pelos bancos a pessoas físicas aumentou R$ 17,8 bilhões (23,5%), totalizando R$ 94,1 bilhões. Somente nos três primeiros meses deste ano, o endividamento cresceu R$ 6 bilhões, informou ontem o Banco Central.
De todas as modalidades de crédito disponíveis no mercado, a elevação mais expressiva se deu no crédito pessoal. Foram mais R$ 8,6 bilhões desde janeiro de 2003, resultando em um saldo acumulado de R$ 33,2 bilhões.
Essa modalidade de empréstimos vem ganhando impulso por ser mais barata que o cheque especial e por englobar as operações com descontos em folha salarial, o chamado crédito consignado, regulamentado por medida provisória no final do ano passado.
Apesar de a burocracia ser grande e de os bancos ainda estarem reticentes em expandir o crédito consignado, houve, em março, incremento de 11% na liberação de recursos por meio dessa linha, cujas taxas de juros têm variado entre 1,5% e 3,5% ao mês.
“Por enquanto, a maior parte das operações está restrita ao funcionalismo público. Mas estamos apostando que o crédito consignado terá grande impulso quando os trabalhadores da iniciativa privada o pedirem”, disse o chefe do Departamento Econômico do BC, Altamir Lopes.
Produção
A procura maior por crédito não deve, porém, ser vista como um fator negativo. Além de não ser explosivo, o movimento, segundo Altamir, reflete o processo de reativação da economia. “Os financiamentos estão sendo direcionados, sobretudo, para a aquisição de bens duráveis, como eletrodomésticos e automóveis, reativando parte importante da economia” afirmou.
Esse discurso foi endossado pelo presidente da Associação Brasileira dos Executivos em Finanças (Ibef), João Carlos de Almeida.
“Com o crescimento do consumo de bens duráveis, a indústria produzirá mais, estimulando a criação de empregos e a melhoria da renda, contaminando, de forma positiva, outros segmentos da produção”, disse.
Na avaliação de Altamir, as famílias brasileiras estão mais propensas a tomar crédito devido à queda nas taxas de juros que vem se observando desde junho do ano passado.
Na média, desse mês até março passado, as taxas cobradas de pessoas físicas recuaram de 81,4% para 64% ao ano, o menor patamar registrado desde março de 2001, quando estavam em 63,5%. No crédito pessoal, os juros recuaram, no mesmo período, de 96,6% para 76,5% ano.
Para o financiamento de veículos, a taxa baixou de 54,1% para 35,1% ao ano. No cheque especial, que continua operando com juros extorsivos, os encargos caíram de 177% para 142% ao ano, entre junho do ano passado e março último, e para 139,9% nos primeiros nove dias úteis de abril.
“Não há dúvidas que ainda há muito espaço para novas quedas nos juros ao consumidor. Mas é importante ressaltar que o movimento registrado até agora reflete o corte na taxa básica de juros (Selic), promovida pelo Comitê de Política Monetária (Copom)”, observou o economista do BC. Entre junho do ano passado e março último, a Selic caiu de 26,5% para 16,25%.
O que precisa recuar com mais força é o spread bancário, a diferença entre o que os bancos pagam para o dinheiro que captam junto aos investidores e o quanto cobram na hora de emprestar os recursos.
Nos financiamentos do cheque especial, por exemplo, o spread representa 126,9 pontos percentuais da taxa. No crédito pessoal, está em 61 pontos. Nas operações de crédito direto ao consumidor (CDC), situa-se em 47,3 pontos.
“Está chegando a hora em que os bancos vão ter de reduzir os seus ganhos de forma mais intensa. Com os juros dos títulos públicos em queda, a principal fonte de lucro do sistema será o crédito. Quem não se conscientizar disso, vai perder mercado”, ressaltou o presidente do Ibef.

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