São Paulo – As concessões de crédito da Caixa Econômica Federal (CEF) atingiram R$ 6,6 bilhões no primeiro trimestre deste ano, uma alta de 62% em relação ao mesmo período de 2004, segundo divulgou hoje o presidente da instituição, Jorge Mattoso. As liberações para pessoas jurídicas aumentaram 105%, para R$ 3,4 bilhões. Já as captações líquidas aumentaram em cerca de 95%, somando R$ 3 bilhões.
“Estamos fazendo um grande esforço para que a Caixa se torne cada vez mais competitiva e contribua para o crescimento do País”, afirmou o presidente da CEF. Mattoso ressaltou que, no ano passado, enquanto as instituições privadas ampliaram as concessões de crédito em 25% – na média – a CEF experimentou uma alta de 45%. “É preciso que a Caixa deixe de ser encarada como o banco da poupança e da habitação. Somos um banco único que também é competitivo em outras áreas, como crédito e gestão de recursos”, disse.
Crédito imobiliário
Mattoso anunciou que o banco estatal concedeu um volume de R$ 1,3 bilhão para o crédito imobiliário no primeiro trimestre deste ano, o que representa uma alta de 55% sobre os três primeiros meses de 2004.
De acordo com Mattoso, apesar de expressivo, o aumento dos empréstimos ainda não reflete o total disponível em 2005 pela Caixa para aplicação em habitação, que é superior a R$ 10 bilhões. “Reduzimos as taxas, ampliamos os prazo e tomamos outras medidas para ampliar o crédito, mas sabemos que ainda há muito para se fazer se quisermos aplicar os R$ 10 bilhões nesse ano”, disse.
Ele lembrou que, em 2004, dos cerca de R$ 8 bilhões que a instituição dispunha para a concessão de crédito imobiliário, apenas R$ 6 bilhões forma efetivamente disponibilizados. “Tem ocorrido um aumento na renda e na massa salarial desde o segundo semestre de 2004, o que melhora o cenário para as concessões nesse ano”.
Obstáculos
Apesar do otimismo, Mattoso destacou os vários obstáculos a serem vencidos – principalmente na concessão para a baixa renda – para que se experimente uma ampliação expressiva das linhas de crédito direcionado para a habitação. Segundo o presidente da CEF, o déficit habitacional do País está concentrado em famílias com renda mensal de até três salários mínimos. “Essas famílias correspondem a 84% do déficit habitacional brasileiro e precisam ser atendidas de alguma forma”.
O presidente da Caixa defendeu um aumento do subsídio federal para que essa faixa populacional tenha uma maior capacidade de endividamento. “Todos sabemos que essa população não tem condições de pegar um financiamento e, portanto, precisam de mais subsídios para adquirir a moradia”.
Fonte: o Estadão – Thiago Velloso
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