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2011-2014: O Brasil e os desafios do novo ciclo de desenvolvimento

A primeira mesa dos Diálogos Capitais, com o tema de “2011-2014: O Brasil e os desafios do novo ciclo de desenvolvimento”, promovido pela CartaCapital nesta segunda-feira 6 no Rio de Janeiro, teve como foco o que o Brasil tem que fazer para ultrapassar o atual estágio de crescimento e atingir um novo patamar. Foi destacada como principal alteração da conjuntura econômica corrente, pela maioria dos debatedores, a diminuição da taxa de juros.

Com o título de “A conjuntura econômica e as perspectivas para o governo Dilma Rousseff”, o debate contou com a presença do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o presidente da Firjan, Eduardo Eugênio Vieira, o vice-presidente do conselho administrativo da Camargo Corrêa, Luis Roberto Ortiz Nascimento, o vice-presidente de Finanças da Caixa, Márcio Percival, e o professor da UFRJ, David Kupfer. A mediação ficou por conta do editor da revista Mauricio Dias.

Mantega, confirmado no mesmo cargo para o próximo governo, iniciou sua fala apontando o grande crescimento do Brasil no governo Lula, em que “deixamos de ser o patinho feio do BRIC e agora exercemos um papel importante na conjuntura econômica internacional.” Durante os últimos oito anos, cresceu o número de consumidores, diminuiu a quantidade de desempregados, a inflação foi contida, o crédito foi ampliado e a classe média se expandiu, o que levou ao encolhimento das camadas mais pobres da sociedade. Todas essas conquistas levaram ao que o ministro chamou de início do “Estado de bem-estar social”, em alusão ao “well-fare state” do governo americano.

Essa força da economia nacional ficou evidente na crise financeira de 2008, quando o presidente disse que ia ser apenas uma “marolinha” e foi. “Nunca o Brasil se recuperou tão rapidamente de uma crise”, afirmou Mantega. O País se recuperou rapidamente graças aos massivos investimentos do Estado e tornou o Brasil, neste pós-crise, o país com os melhor índices de confiança na América Latina. Para o próximo ciclo de desenvolvimento, o ministro destaca a necessidade de diminuir os gastos públicos, ou seja, a consolidar a receita fiscal. No entanto, não se trata “dos velhos ajustes fiscais que derrubavam a economia.” O que o ministro pretende é criar espaços para um maior investimento do setor privado para dar continuidade ao que chamou de desenvolvimento “sustentável” da economia. Assim permitir diminuição da taxa de juros.

O presidente da Firjan, Eduardo Vieira, foi na onda de Mantega, defendeu a diminuição dos gastos estatais e o maior investimento do setor privado para continuar o desenvolvimento brasileiro. Luiz Roberto Nascimento, vice-presidente da Camargo Corrêa, ressaltou o grande crescimento da empresa como reflexo do bom momento econômico vivido pelo País e citou como exemplo do aumento do volume de empregos a dificuldade de contratar mão-de-obra para um estaleiro no Recife, quando foram obrigado a importar trabalhadores para suprir a demanda.

O vice-presidente da Caixa, Márcio Percival, baseou a sua fala no aumento de crédito, público e privado, no último período, que possibilitou a consolidação da economia e fez com que a crise de 2008 não tivesse o mesmo impacto no Brasil como teve no resto do mundo. Já o professor da UFRJ, David Kupfer, lembrou a desindustrialização do setor produtivo brasileiro, em detrimento do crescimento da área de serviços, que pode levar a problemas estruturais no futuro. Para Kupfer, o próximo ciclo de crescimento será mais duro que o atual porque o País terá que enfrentar os antigos problemas do processo de industrialização.

À tarde, o debate será sobre “O Brasil e sua integração com o mundo: o que pode mudar na nossa política de exportação”, com a presença do senador Aloísio Mercadante (PT-SP), o presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil, Benedicto Moreira, o diretor de negócios da Apex-Brasil, Mauricio Borges e o diretor do IPEA, João Sicsú.

Por Bruno Huberman. 6 de dezembro de 2010 às 17:01h

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O Brasil e sua integração no mundo: o que pode mudar na nossa política de exportação

O segundo debate sobre o próximo ciclo de desenvolvimento no Brasil contou com a presença do senador Aloízio Mercadante e colocou o combate à guerra cambial como a principal meta para valorizar as exportações

O segundo debate do seminário “2011-2014: O Brasil e os desafios do novo ciclo de desenvolvimento”, da série Diálogos Capitais, que aconteceu na tarde desta segunda-feira 6 no Teatro Nelson Rodrigues no Rio de Janeiro, teve como tema “O Brasil e sua integração no mundo: o que pode mudar na nossa política de exportação”. Com a presença do senador Aloízio Mercadante (PT-SP), do presidente da Associação de Comércio Exterior do Brasil (ACEB), Benedicto Moreira, do diretor de negócios da Apex-Brasil, Mauricio Borges, e do diretor do IPEA, João Sicsú, a mesa colocou como principal pauta para o próximo governo lutar contra a valorização do câmbio para valorizar os bens exportados.

O senador, cotado para o ministério de Ciência & Tecnologia, iniciou sua fala lembrando que o Brasil foi o que mais valorizou proporcionalmente as suas exportações em 2010, por conta do crescimento do valor das commodities. No entanto, Mercadante prevê que este crescimento deve diminuir nos próximos anos, contudo a balança comercial começará a contar com o pré-sal, que deverá tornar o Brasil uma das lideranças do mercado de petróleo no mundo.

Lutar contra a guerra cambial é outro ponto da agenda dos próximos anos, segundo o senador. Sobre o mesmo ponto tratou o diretor do IPEA, João Sicsú. Para ele, a valorização do câmbio acontece por conta de uma cultura brasileira de juros elevados capitaneada pelo Banco Central. A valorização das exportações acontecerá apenas se o câmbio for controlado e quando houver maior investimento em tecnologia, para poder agregar valor aos produtos e garantir soberania sobre o valor dos seus produtos, senão o Brasil ficará refém das tecnologias estrangeiras.

A falta de inovações tecnológicas e estruturais foram as principais reclamações e reivindicações do presidente da ACEB, Benedicto Moreira, que indicou a necessidade de melhorias no setor portuário no próximo governo. Já o diretor de negócios da Apex-Brasil, Mauricio Borges, traçou como meta para o próximo ciclo a implantação de uma nova política industrial para incentivar o setor que perdeu espaço nos últimos anos.

Confira a programação da terça-feira 7:

9h – A Copa do Mundo de 2014, as Olimpíadas de 2016 e os gargalos da nossa infraestrutura

Luciano Coutinho, presidente do BNDES, Benedito Barbosa da Silva Jr., presidente da Odebrechet Infraestrutura, Mário Moysés, presidente da Embratur, Silvio Torres, deputado federal pelo PSDB-SP, Jaime Henrique Caldas Parreira, diretor de Engenharia e Meio Ambiente da Infraero e Dudu Godoy, presidente da Associação Brasileira de Marketing & Negócios.

14h – A execução do Plano Nacional de Banda Larga e seus entraves

Rogério Santanna dos Santos, presidente da Telebrás, Antonio Carlos Valente, presidente do Grupo Telefonia Brasil, João Moura, presidente da TelComp e Sérgio Amadeu Silveira, professor da UFABC.

16h – Geração de energia: urgências e alternativas

Wison Ferreira Jr. Presidente da CPFL, Demian Fiocca, ex-presidente do BNDES e sócio da Maré Investimentos e Carlos Lessa, ex-presidente do BNDES e professor da UFRJ.

Mediador: jornalista Rodrigo Vianna

Por Bruno Huberman. 6 de dezembro de 2010 às 18:39h

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