Rio de Janeiro- Não precisa ser comerciante para saber que o crédito barato permite investimentos na produção, mais empregos e mais riqueza. É o que pensa a líder comunitária Ana Lúcia Pereira Serafim, administradora de um projeto que prevê a criação do primeiro banco comunitário da cidade do Rio, na Cidade de Deus, zona oeste.
Na comunidade de 65 mil habitantes, a ideia é incentivar a produção de pequenas associações, cooperativas e o consumo. “Lá tem muito comércio. É muita gente. Tem lan house, cabeleireiro, barraquinha de cachorro-quente e pessoal que faz reciclagem, por exemplo. São pessoas que precisam de uma força, de capital de giro para melhorar seus negócios”, diz Ana Lúcia.
Para criação do banco, ainda sem nome, uma pesquisa da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) vai identificar todas as atividades comerciais e os serviços oferecidos na comunidade, além da renda dos trabalhadores. O objetivo é estimar o fluxo de dinheiro que gira na Cidade de Deus. A pesquisa contratará moradores da comunidade.
O banco da Cidade de Deus foi inspirado no Instituto Palmas, o banco comunitário do Conjunto Palmeira, na periferia de Fortaleza (CE). Será instalado na Cidade de Deus porque conta com comerciantes e associações comunitárias que já formam uma rede de economia solidária, mesmo sem saber. Frequentemente, até organizam trocas e vendas em feiras na própria comunidade.
“Os bancos que existem não nos dão muito apoio. As pessoas acabam muito endividadas. Com os juros que eles aplicam, não vale a pena. Com esse banco, um negócio que a gente ainda precisa entender direito, conseguiremos oferecer empréstimos pequenos. A dona Maria da padaria vai conseguir pagar”, acrescentou a líder comunitária.
Assim como a instituição modelo, o banco carioca terá uma moeda própria, com mesma paridade do real, mas de circulação restrita à comunidade. A principal vantagem disso, de acordo com o secretário de Desenvolvimento Econômico Solidário, que articula a criação do banco com a comunidade, Marcelo Henrique da Costa, é fazer com que as pessoas comprem na comunidade.
“O açougueiro da Cidade de Deus pode oferecer 1 quilo de carne por R$ 10 e 8 na moeda local”, exemplificou o secretário. “Isso faz com que as pessoas comprem na comunidade. Por isso, levantaremos a cadeia de consumo, na tentativa de ofertar a mais serviços e produtos aos moradores.”
Com apoio de instituições públicas, o banco comunitário abrirá em meados de 2011. Até lá, os comerciantes devem receber treinamento em economia solidária para planejar melhor seus negócios. “Esse é um sistema autogestionado, que não tem patrão, no qual o lucro é compartilhado e a produção é limpa”, diz a coordenadora do curso da prefeitura, Adriana Bezerra.
Por Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil. Edição: João Carlos Rodrigues.
==============================
Economia solidária é aposta para gerar emprego e renda no Complexo do Alemão
Rio de Janeiro- De confeitarias a confecções. Um comércio com cerca de 7 mil pequenos empreendimentos movimenta o Complexo do Alemão, comunidade com aproximadamente 400 mil moradores, na Penha, zona norte da cidade. Para ensinar como esses empreendedores podem ampliar a geração de emprego, vender mais e compartilhar o lucro, começou nesta semana um projeto de economia solidária.
Há um ano e meio, antes mesmo da operação policial que expulsou traficantes de drogas do local, a prefeitura e as lideranças comunitárias procuram levantar o potencial comercial do complexo e identificaram cooperativas de transportes, de salgadinhos, de reciclagem de garrafas PET e outros grupos que são considerados informais.
“A comunidade tem produtos ou serviços poucos exploradas como o turismo, a comunicação popular e a construção civil”, acrescenta o secretario de Desenvolvimento Econômico Solidário da prefeitura, Marcelo Henrique da Costa. “Achamos que é possível desenvolver uma série de negócios, facilitar a cadeia produtiva, da comercialização à venda, em feiras e até pela internet.”
Além de práticas comerciais sustentáveis, o projeto de economia solidária (Rio Ecosol) vai ensinar os empreendedores a calcular custos e formar preços, controlar a produção, marketing e logística compartilhada. Segundo a organizadora, Adriana Bezerra, como já há pequenos empresários na comunidade que fazem essas atividades, os educadores podem ser recrutados lá mesmo.
“Às vezes, têm uma pessoa fera em comercialização porta em porta. Essa pessoa será convidada a ensinar os demais”, afirmou ela. “Vamos ajudar a montar o curso, mas valorizar o que já foi feito na comunidade e os próprios atores sociais é o nosso objetivo.”
Para garantir que todas as atividades econômicas do Alemão possam participar do Rio Ecosol, os empreendimentos serão identificados pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Para isso, serão treinados moradores da localidade, que por cerca de nove meses de levantamento serão remunerados com um salário mínimo.
O administrador do Ponto Solidário no Alemão, Ricardo Gomes de Souza, que faz a ponte entre a prefeitura e os empreendedores, conta que a comunidade está começando a viver um bom momento e avalia que a pacificação atrai pessoas para a rede. Segundo ele, os moradores querem expandir os negócios para melhorar as condições de vida.
“As pessoas aqui trabalham na economia formal. Se matam para ganhar dinheiro o ano todo e com o décimo salário pagam dívidas. O diferencial desse projeto é perspectiva de se dar bem. É a autogestão que faz com que procurem, coletivamente, melhorar o seu produto ou serviço, vender mais e gerar renda para um número maior de trabalhadores “, afirmou o líder comunitário.
Também fazem parte do projeto Rio Ecosol o Complexo de Manguinhos, na zona norte, o Morro Santa Marta, na zona sul, e a Cidade de Deus, na zona oeste. Nessa comunidade ainda será criado um banco comunitário para emprestar dinheiro com juros baixos à comunidade.
Por Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil. Edição: João Carlos Rodrigues.
NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.agenciabrasil.gov.br.