Brasília – Mais de 321 mil trabalhadores em todo o mundo morreram em 2008 vítimas de acidente de trabalho e mais de 2 milhões, por causa de doenças adquiridas no trabalho no mesmo período. Os dados fazem parte de um relatório da Organização Internacional do Trabalho (OIT), apresentado hoje (12), durante o 19º Congresso sobre Segurança e Saúde no Trabalho.
Segundo o relatório, de 2003 a 2008, o número de mortes por acidentes de trabalho ficou menor em 37 mil. Já o número de pessoas que adquiriram doenças que as levou à morte aumentou em 70 mil
O estudo mostra que, no período analisado, houve uma média de 6.300 mortes diárias relacionadas ao trabalho, cerca de 317 milhões de trabalhadores foram feridos em acidentes de trabalho por ano e houve uma média de 850 mil lesões diárias, que significaram quatro ou mais dias de faltas ao trabalho.
A maior parte dos acidentes de trabalho aconteceu na agricultura, setor em que 10,2 trabalhadores, a cada 100 mil, sofreram algum tipo de acidente. O segundo setor nas estatísticas foi o da indústria, com 4,3 trabalhadores acidentados, e o terceiro, o de serviços, com 1,6 acidentados a cada 100 mil trabalhadores.
O relatório revela ainda que fatores psicológicos, como tensão, assédio e violência no trabalho têm impacto sobre a saúde dos trabalhadores e diz que esses fatores tendem a ser mais significativos à medida em que o trabalho se torna mais precário para alguns trabalhadores.
O documento mostra que houve, nas últimas décadas, progressos na segurança e saúde no trabalho, o que se deve ao fato de muitos países terem percebido a necessidade de prevenir acidentes e deficiências na saúde no trabalho. Há também uma consciência cada vez maior dos graves problemas que trazem condições inseguras e insalubres no local de trabalho e de seus efeitos negativos sobre a produtividade, o emprego e a economia.
Os resultados do relatório estão em discussão no 19º Congresso sobre Segurança e Saúde no Trabalho, do qual participam mais de 3 mil autoridades, especialistas, dirigentes de indústrias e sindicalistas de mais de 100 países. O congresso é organizado pela OIT e a Associação Internacional de Seguridade Social (AISS), em colaboração com o Ministério do Trabalho e Seguridade Social da Turquia, país que sediará, em 2014, a próxima reunião sobre o tema.
Por Roberta Lopes – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina.
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://agenciabrasil.ebc.com.br
=================================
XIX Congresso sobre Segurança e Saúde no Trabalho discute a construção de locais de trabalho mais seguros e saudáveis
ISTAMBUL, Turquia (Notícias da OIT) – O XIX Congresso sobre Segurança e Saúde no Trabalho – a maior reunião de especialistas de saúde e segurança em nível mundial – foi inaugurada com o propósito de fortalecer o compromisso global em favor de uma cultura de segurança e saúde no trabalho em meio aos desafios gerados pela incerteza econômica em nível internacional.
A reunião de cinco dias congrega mais de 3.000 autoridades executivas, especialistas, dirigentes de indústrias e sindicalistas provenientes de mais de 100 países. Os participantes discutirão sobre temas como: enfoques ativos sobre segurança e saúde no trabalho; diálogo social e as associações relativas à segurança e saúde; os novos desafios em um mundo do trabalho em contínua transformação e uma recuperação econômica mundial desigual.
A conferência discutirá os avanços sobre o que foi estabelecido na Declaração de Seul sobre Segurança e Saúde no Trabalho, adotada durante a Cúpula sobre Segurança e Saúde realizada no marco do XVIII Congresso de junho de 2008, antes da eclosão da crise econômica e de emprego em nível mundial. Os signatários da Declaração de Seul comprometem-se a “tomar a iniciativa na promoção de uma cultura em matéria de segurança e saúde e a dar prioridade nas agendas nacionais à segurança e saúde no trabalho”.
Além disso, a Declaração de Seul estabelece pela primeira vez que o direito a um ambiente seguro e saudável deveria ser reconhecido como um direito humano.
Os participantes da conferência também analisarão as mais recentes “Tendências mundiais e desafios da segurança e saúde no trabalho”. Este novo relatório da OIT assinala que o número total de acidentes e enfermidades mortais relacionadas com o trabalho aumentou entre 2003 e 2008. Segundo o relatório, enquanto o número de acidentes mortais caiu de 358.000 para 321.000 durante este período, o número de enfermidades mortais aumentou de 1,95 milhão para 2,02 milhões.
Isto equivale a uma média de mais de 6.300 mortes diárias relacionadas com o trabalho e cerca de 317 milhões de trabalhadores feridos em acidentes de trabalho a cada ano. Isto representa uma média de cerca de 850.000 lesões diárias, as quais se traduzem em quatro ou mais dias de ausência do trabalho.
Os números do relatório representam apenas a ponta do iceberg. Em sua declaração por ocasião do Dia Mundial sobre Segurança e Saúde no Trabalho, o Diretor-Geral da OIT, Juan Somavia, assinalou que “os acontecimentos dramáticos como o acidente nuclear em Fukushima, Japão, neste ano, o acidente no rio Pike na Nova Zelândia no ano passado, foram as notícias mais importantes. No entanto, a maioria das lesões, enfermidades e mortes relacionadas com o trabalho passam despercebidas e não se informa sobre elas. Os trabalhadores e suas famílias ficam desprotegidos e sem ajuda para fazer frente a estas situações”.
De acordo com o relatório, foram obtidos progressos significativos na segurança e saúde no trabalho durante as últimas décadas. Isto se deve a que em muitos países existe uma maior compreensão da necessidade de prevenir acidentes e deficiências na saúde no trabalho. Existe também uma tomada de consciência cada vez maior dos graves problemas que as condições inseguras e insalubres no local de trabalho causam à saúde e bem-estar de mulheres e homens, além de seus efeitos negativos sobre a produtividade, o emprego e a economia em geral.
Por outro lado, o relatório afirma que “a recessão mundial deve ter tido um impacto significativo sobre a segurança e a saúde dos trabalhadores e sobre suas condições de trabalho. Embora seja cedo para falar sobre os efeitos a longo prazo nas taxas de acidentes e enfermidades em nível mundial, existem provas de alguns dos progressos alcançados recentemente em termos de promoção de SST estão se perdendo, ao mesmo tempo em que as empresas lutam para permanecer produtivas”.
“O incremento da intensidade do trabalho vinculado às pressões relativas ao rendimento das empresas podem levar a que se dedique menos tempo à prevenção e a sistemas menos eficazes na gestão da SST”, sustenta o relatório. “Os programas de manutenção das instalações estão em risco de ser reduzidos, aumentando os riscos de acidentes devido a uma manutenção deficiente e à falta de investimentos em novos equipamentos. Isto também pode significar que os trabalhadores têm que seguir trabalhando com instalações, equipamentos e ferramentas mais velhas e perigosas”.
O relatório assinala além disso que os fatores psicológicos, como a tensão, o assédio e a violência no trabalho têm um impacto relevante sobre a saúde dos trabalhadores e acrescenta que “estes fatores tendem a ser mais significativos à medida em que o trabalho se torna mais precário para alguns e as cargas e horas de trabalho aumentam para os que permanecem nos postos de trabalho”.
O XIX Congresso Mundial, organizado pela Organização Internacional do Trabalho (OIT) e pela Associação Internacional de Seguridade Social (AISS), em colaboração com o Ministério do Trabalho e Seguridade Social da Turquia, também estabelecerá as diretrizes e prioridades da próxima reunião mundial em 2014.