Pesquisas sobre mercado de trabalho se concentram em regiões metropolitanas e podem ocultar subemprego, diz Ipea
Rio de Janeiro – O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) não está convencido de que o mercado de trabalho brasileiro tenha atingido o pleno emprego. No boletim Conjuntura em Foco, divulgado hoje (14), o instituto questiona análises nesse sentido e anuncia que começa a pesquisar o tema de maneira aprofundada, levando em conta parcela expressiva de trabalhadores subempregados.
Na primeira etapa do boletim, o órgão constatou que o crescimento da economia nos últimos dez anos refletiu-se no aumento do nível de emprego e dos salários. Com base nos levantamentos do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Ipea destaca o salto da população ocupada entre 2002 e 2011, de 17,6 milhões de pessoas para 22,5 milhões.
Mas, apesar dos dados positivos, o Ipea acredita que as pesquisas, por estarem centradas principalmente nas regiões metropolitanas, podem ocultar o subemprego em mercados regionais. De acordo com o Grupo de Análises e Previsões (GAP) do Ipea, o próximo passo é conjugar dados do IBGE com análises do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos (Dieese), criando uma metodologia próxima da realidade nacional de desemprego.
O técnico de Planejamento e Pesquisa do GAP Fernando Mattos explica que, em pesquisas como a do Dieese, o desemprego oculto pelo trabalho precário ou pelo desalento pode representar cerca de 50% do total da taxa de desemprego total. “É o caso de Salvador, cuja taxa de desemprego era 10,4%, mas considerando o desemprego oculto, sobe para 15,5%”, informou.
Com análises sobre o desemprego, o instituto também procura demonstrar que o aquecimento do mercado de trabalho não põe em risco a meta de inflação do Banco Central. Segundo o GAP, o fato de setores da sociedade estarem insatisfeitos em pagar mais para profissionais do setor de serviços, não significa que o aumento de salários exerça pressão significativa sobre preços.
“A despeito de haver alguma oferta de mão de obra restrita, como construção civil, emprego doméstico, tudo depende de quanto o empregador está disposto a pagar”, disse Mattos. “Segmentos da sociedade, das classes altas, estão chateados porque precisam pagar mais para o pedreiro, para a empregada doméstica, para serviços. Mas isso não é um caos.”
Ao divulgar o boletim, o Ipea também chamou a atenção para análises econômicas que sugerem aumento da taxa básica de juros, a Selic, como forma de conter a inflação. Na avaliação do órgão, as medidas macroprudenciais do começo do ano, que agora refletem diminuição da atividade industrial, são suficientes para manter os preços dentro da meta estabelecida pelo governo.
Por Isabela Vieira – Repórter da Agência Brasil. Edição: Lana Cristina
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://agenciabrasil.ebc.com.br
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Em julho, desocupação foi de 6,0%

A taxa de desocupação foi estimada em 6,0%, a menor para o mês de julho desde o início da série (março de 2002), e não variou estatisticamente em relação ao resultado apurado em junho (6,2%). Em comparação a julho de 2010 (6,9%), recuou 0,9 ponto percentual. A população desocupada (1,4 milhão de pessoas) ficou estável em relação ao mês anterior. Frente a julho do ano passado, apresentou queda de 12,1% (menos 200 mil pessoas a procura de trabalho). A população ocupada (22,5 milhões) não apresentou variação significativa frente a junho. No confronto com julho de 2010, ocorreu aumento de 2,1% nessa estimativa, representando um adicional de 456 mil ocupados. O número de trabalhadores com carteira assinada no setor privado (10,9 milhões) registrou alta de 1,2% na comparação com junho. Na comparação anual, houve uma elevação de 7,1%, representando um adicional de 726 mil postos de trabalho com carteira assinada.
O rendimento médio real habitual dos ocupados (R$ 1.612,90, o valor mais alto para o mês de julho desde 2002) apresentou alta de 2,2% na comparação mensal e de 4,0% frente a julho do ano passado. A massa de rendimento real habitual (R$ 36,6 bilhões) ficou 2,7% acima da registrada em junho e cresceu 6,0% em relação a julho de 2010. A massa de rendimento real efetivo dos ocupados (R$ 36,2 bilhões), estimada em junho de 2011, subiu 2,5% no mês e 6,0% no ano.
A Pesquisa Mensal de Emprego é realizada nas regiões metropolitanas de Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo e Porto Alegre. A publicação completa da pesquisa pode ser acessada na página www.ibge.gov.br/home/estatistica/indicadores/trabalhoerendimento/pme_nova/.

Desocupação não apresenta variações significativas na comparação mensal
A taxa de desocupação não registrou variações significativas nas regiões metropolitanas na comparação com o mês anterior. Frente a julho de 2010, foram registradas quedas em Recife (3,7 pontos percentuais) e em Salvador (2,5 pontos percentuais):

Na análise mensal, o contingente de desocupados revelou um quadro de estabilidade em todas as regiões pesquisadas. No confronto com julho de 2010, ocorreu variação apenas em Recife e Salvador, onde a queda atingiu 35,4% e 21,4%, respectivamente.
Nível de ocupação fica em 53,6%
O nível da ocupação (proporção de pessoas ocupadas em relação às pessoas em idade ativa), estimado em 53,6% no total das seis regiões, ficou estável frente a junho e também apresentou estabilidade em relação a julho do ano passado. Regionalmente, na comparação mensal, todas as regiões mantiveram resultados estáveis. Frente a julho de 2010, ocorreu variação significativa apenas em Recife, onde o indicador subiu 2,4 pontos percentuais (passou de 44,7% para 47,1%).
A análise da ocupação segundo os grupamentos de atividade mostrou que, de junho para julho, foi verificada variação apenas nos grupamentos dos Serviços domésticos, que assinalou declínio de 4,4%, e dos Outros serviços, com elevação de 3,0%. No confronto anual, ocorreu acréscimo no contingente de trabalhadores da Construção e dos Serviços prestados à empresas, aluguéis, atividades imobiliárias e intermediação financeira, de 5,5% (90 mil pessoas) e 7,3% (243 mil pessoas), respectivamente. Os demais grupamentos não se alteraram no período.
Na comparação anual, rendimento médio aumenta nas seis regiões
Na análise regional, o rendimento médio real habitual dos trabalhadores (R$ 1.612,90 no conjunto das seis regiões) subiu frente a junho 4,1% em Recife, 6,0% em Salvador, 2,8% no Rio de Janeiro, 1,7% em São Paulo, 1,9% em Porto Alegre e ficou estável em Belo Horizonte. Na comparação com julho de 2010, houve crescimento em Recife (1,5%), Salvador (9,5%), Belo Horizonte (4,2%), Rio de Janeiro (6,2%), São Paulo (2,0%) e Porto Alegre (5,7%):

Na classificação por grupamentos de atividade, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em relação a julho de 2010 foi de 6,1%, referente ao Comércio, reparação de veículos automotores e de objetos pessoais e domésticos e comércio a varejo de combustíveis:

Já na classificação por categorias de posição na ocupação, o maior aumento no rendimento médio real habitualmente recebido em comparação com julho do último ano foi para os Empregados sem carteira de trabalho assinada no setor privado (12,2%):

Comunicação Social
25 de agosto de 2011
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.ibge.gov.br
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Conjuntura em Foco analisa mercado de trabalho
Sexta edição de 2011 do Boletim destaca nível de emprego e crescimento econômico
O Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada divulgou a sexta edição de 2011 do boletim Conjuntura em Foco em coletiva pública na quarta-feira (14), na representação do Ipea no Rio de Janeiro (Avenida Presidente Antonio Carlos, 51, Centro, auditório do 10º andar).
O documento apresentado pelo coordenador do Grupo de Análise e Previsões do Instituto (GAP), Roberto Messenberg, aborda as relações entre emprego, crescimento econômico e demais variáveis macroeconômicas no Brasil.
A publicação apresenta dados como o Produto Interno Bruto (PIB), desempenho da atividade nos setores industrial e comercial, produtividade e inflação, rentabilidade da indústria e perfil dos saldos comerciais, estrutura a termo das taxas de juro e os rumos da política monetária, evolução e composição das transferências públicas de previdência e assistência social.
O boletim Conjuntura em Foco é uma publicação mensal realizada pelo Grupo de Análise e Previsões da Diretoria de Estudos e Políticas Macroeconômicas (Dimac), que faz acompanhamento sistemático dos temas relevantes para a macroeconomia brasileira.
Leia a sexta edição de 2011 do boletim Conjuntura em Foco
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