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Experientes lideranças: o que vamos fazer para preservá-las?

O movimento sindical, mesmo com a transformação de comportamento social dos trabalhadores (as), não mudou sua forma de atuação. A velha prática de enfrentamento ainda persiste, principalmente quando se inicia o movimento de greve. Quando uma negociação, seja  salarial ou qualquer outra natureza, chega ao impasse de interesse entre as partes (o que acontece sempre) a greve ainda é um instrumento legítimo e capaz de enfrentamento entre patrões e trabalhadores. É verdade que nem sempre se chega ao resultado esperado, mas os patrões também raramente conseguem impor suas vontades. E a luta de classe segue sua trajetória.

O movimento sindical no Brasil teve seus momentos de ápice registrados nos anos 70, quando o eixo principal era a luta contra a ditadura militar e foi até meados dos anos 90, já na era pós-ditadura, quando as campanhas salariais ocuparam a agenda de destaque por melhores condições de trabalho, salário, redução da jornada de trabalho sem redução salarial. Agora o que está na ordem do dia como prioridade nos locais de trabalho, seja no setor público ou privado, é mais um desdobramento da luta de classe: “O combate sistemático à prática do assédio moral”. Isso é o mundo do trabalho onde os interesses do capital conflitam sempre com os dos trabalhadores.

Pois bem, as lideranças históricas dessa luta estão… Digamos, ficando cada dia mais distantes da realidade cotidiana porque – pela ordem  da natureza – é preciso renovar sempre. E se renovar significa mudanças em todos os sentidos, as novas lideranças do movimento sindical já são realidade. Mas o que está em jogo é justamente a continuidade da forma de ação por essas novas lideranças sem levar em consideração a experiência adquirida ao longo de anos das chamadas “velhas lideranças”. E é aí que o bicho pega. Se for levado a ferro e fogo um enfrentamento com o capital apenas para alcançar os objetivos pretendidos sem uma via alternativa de negociação, a vitória pode ficar cada vez mais distante e um sindicato reconhecidamente combativo pode ser desacreditado unicamente pela falta de experiência de sua direção. Se do lado de cá as lideranças que planejaram estratégias de ação no auge do movimento sindical muitas vezes não são ouvidas, do lado patronal são colocadas para enfrentar os trabalhadores aqueles que acompanharam de perto a pressão que fez mudar o Brasil. Sem novas estratégias, aplica-se as regras da cartilha do movimento sindical já ultrapassadas e sem uma ação que possibilite a retomada da governabilidade (vanguarda, protagonismo?!) do movimento.

Mas a culpa não é unicamente dos novos lideres. Os dirigentes antigos também não se preocuparam em formar as futuras lideranças para que pudessem um dia ser substituídos. Alguns porque sempre se julgaram insubstituíveis, outros porque acreditaram que todos os problemas de conflito entre o capital e o trabalho seriam resolvidos em suas próprias gerações e, por fim, outros tantos que acreditaram que monopolizando o conhecimento iriam impedir o florescer de uma nova liderança e teriam resguardado o status de líderes eternos.

Erraram ou erramos todos que assim agimos ou pensamos. O tempo passou e agora estamos testemunhando o nascimento de uma nova leva de líderes combativa e revolucionária, mas sem a experiência necessária para enfrentar em pé de igualdade (pelo menos no entendimento de Maquiavel) a eterna luta e disputa entre “O CAPITAL E O TRABALHO”.

E a questão agora é: O que vamos fazer com nossos velhos líderes? Vamos continuar ignorando aqueles (as) que abriram caminhos possíveis para nossa caminhada na luta de classe? Vamos, ao velho estilo assistencialista vicentino, fundar um retiro para ex-sindicalistas? Ou vamos enfrentar a realidade dos fatos e assumir que apesar de sermos combativos, termos disposição para a luta de classe em defesa dos trabalhadores (as) essas qualidades não são suficientes para se alcançar os objetivos de nossas lutas. É necessário ter coragem para evitar cometer os mesmos erros cometidos pelos líderes que aprendemos a respeitar e que no dia-a-dia copiamos. Ninguém é dono absoluto da verdade e tampouco do conhecimento. A experiência se adquire com uma longa caminhada na vida que só os sábios e os mais velhos alcançam. Se aqueles (as) que um dia estiveram à frente de um sindicato ou da Central agora figuram fora desse status e se tornaram militantes experientes contribuindo com a luta temos o dever moral e político de ampará-los. Não no sentido paternalista ou assistencialista. Mas os que devotaram toda sua vida na luta contra a opressão sofrida pela classe trabalhadora hoje não conseguem mais espaço no mercado formal de trabalho. Muitos, em defesa dessa luta, abdicaram do crescimento profissional que poderiam ter seguido. Nenhum representante do capital quer uma liderança experiente no quadro de seus funcionários, pois avaliam ser perigoso ter alguém consciente de seus direitos mobilizando os que não têm esse conhecimento.

Renovar as direções é a ordem natural, mas é preciso contar com a assessoria dos mais experientes. Valorizar de fato os que de uma maneira ou outra nos incentivaram a ser também incansáveis lutadores sociais. Vamos enfrentar essa discussão com urgência! Pois ainda não pagamos essa dívida com quem começou a escrever a história de resistência em defesa da classe trabalhadora.

Escrito por: Reginaldo Tomaz de Jesus, Secretário de Administração e Finanças da CUT/MG

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO www.cut.org.br

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