Flávia Albuquerque
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – O número de veículos importados emplacados no país em 2011 aumentou 87,4% em relação a 2010. Segundo balanço divulgado hoje (11) pela Associação Brasileira das Empresas Importadoras de Veículos Automotores (Abeiva), em 2011, foram comercializadas 199.366 unidades contra 106.360 no ano anterior. A participação dos veículos importados no mercado nacional foi de 5,82%.
Os dados mostram ainda que, em dezembro do ano passado, na comparação com novembro, houve crescimento de 26,8%, com a venda de 19.151 unidades contra 15.098. Na comparação com o mês de dezembro de 2010, quando foram emplacadas 13.487 unidades, houve alta de 42%.
De acordo com o presidente da Abeiva, José Luiz Gandini, é muito cedo para fazer projeções para 2012, mas na sua avaliação, o mercado dos importados deve cair em torno de 20%. Segundo ele, será melhor avaliar o desempenho do setor em fevereiro ou março, já que em janeiro muitos dos consumidores estão em período de férias e, por isso, deixam de comprar carro. Só a partir do terceiro mês do ano, pelos cálculos de Gandini, as concessionárias de importados terão uma ideia de como o aumento da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) que incide sobre os produtos não nacionalizados refletirá nas vendas.
“Chegou a hora da realidade. No primeiro momento, o IPI de 15 de setembro mudou para 15 de novembro. Muita gente tinha carro em estoque, nacionalizou antes e está vendendo carro com preço feito com o IPI antigo. Agora, a realidade é que todo mundo está nacionalizando com IPI novo, com 30 pontos a mais. Agora, vamos sentir o mercado, saber até quanto cada marca vai repassar e saber o que o consumidor vai assimilar desse percentual”, analisou.
De acordo com Gandini, a Abeiva está analisando a inconstitucionalidade do decreto que determina o aumento do IPI para os veículos não nacionalizados, mas ainda não tomou uma posição definitiva, devido à dificuldade judicial que a questão envolve por ser uma disputa com o governo. “É muito difícil tomarmos uma decisão desse tipo, por isso não tomamos uma decisão contra a validade do decreto, que é inconstitucional. Todo bem quando paga o imposto de importação ao entrar no país, já é considerado nacional. Então, o IPI não pode ser diferenciado entre nacional e importado”.
Edição: Lana Cristina
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Venda de automóveis no país cresce 3,4% em 2011 e bate recorde
Bruno Bocchini
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – A quantidade de veículos (automóveis e comerciais leves) nacionais e importados vendidos em 2011 no país chegou a 3,63 milhões de unidades, 3,4% a mais do que o registrado no ano anterior. A marca é recorde para o período de um ano.
Segundo dados divulgados hoje (5) pela Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), os importados tiveram participação de 23,6% nas vendas (com 858 mil unidades). Em 2010, 660,1 mil veículos importados foram comercializados (com participação de 18,8% do total). Já a venda de automóveis nacionais teve queda de 2,8%, ao passar de de 2,85 milhões de unidades, em 2010, para 2,77 milhões, em 2011.
A produção de automóveis no país em 2011 apresentou alta. No total, 3,4 milhões de unidades foram fabricadas, volume 0,7% superior ao do ano anterior. Do total, 541,5 mil unidades foram exportadas, 7,7% a mais que em 2010. Em valores, a exportação de automóveis totalizou US$ 12,30 bilhões, montante 16,8% superior ao registrado em 2010.
Os carros com motor flex fuel foram os mais vendidos (83,1%); os movidos a gasolina tiveram participação de 11%, e a diesel, de 5,9%. Os carros com motor 1.0 responderam por 45,2% das vendas; e os superiores a 2.0, por 1,2%.
Edição: Juliana Andrade
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Fenabrave prevê crescimento de 4,5% nas vendas de automóveis e comerciais leves em 2012
Elaine Patricia Cruz
Repórter da Agência Brasil
São Paulo – A Federação Nacional da Distribuição de Veículos de Veículos Automotores (Fenabrave) estima que a venda de automóveis e veículos comerciais leves vá apresentar crescimento de 4,5% em 2012. Ao falar das perspectivas do setor para este ano, hoje (4), em São Paulo, o presidente da entidade, Flávio Antonio Meneghetti, disse que o ritmo de crescimento, no segundo semestre de 2012, impulsionado pela queda da inadimplência e pelo aumento do salário minímo, será melhor que o de 2011.
“A Fenabrave espera que o mercado, como um todo, cresça 4,5%. É um número significativo mesmo comparado com os anos anteriores. Ficaria feliz se pudesse crescer linearmente a 4,5% em qualquer tipo de negócio”, disse o novo presidente da Fenabrave, que assumiu o cargo no final do ano passado.
Em 2011, a venda de automóveis e veículos comerciais leves cresceu 2,9% em comparação a 2010. O número foi menor do que o projetado inicialmente pela Fenabrave, que previa crescimento de 4,2%. Segundo Meneghetti, isso foi resultado das medidas tomadas pelo governo no início do ano passado.
“O governo tomou medidas restritivas no início do ano de 2011 em função do aumento da inflação, subindo a taxa de juros e o IOC [Imposto sobre Operações de Crédito]. E os problemas da Europa também acabaram afetando o Brasil. O PIB [Produto Interno Bruto], que se projetava em torno de 4%, acabou virando 2,8%. Isso tudo afetou a economia e a renda, aumentou a inadimplência e os bancos ficaram mais seletivos no crédito e isso impactou no crescimento”, observou o presidente da Fenabrave.
Considerando também a venda de caminhões, ônibus e motos, a Fenabrave projeta crescimento de 5,76% para 2012, com 5,89 milhões de unidades vendidas. Em 2011, as vendas de todo o setor, desconsiderando implementos rodoviários e outros, somaram 5,57 milhões de unidades, o que representou crescimento de 4,79% em comparação a 2010.
Na apresentação dos dados, também esteve a economista Tereza Fernandez, sócia-diretora da MB Associados, que comentou sobre a previsão de crescimento do PIB brasileiro, feita pela sua empresa. Segundo ela, a estimativa é que o PIB vá crescer 3,5% em 2012, índice menor do que o estimado pelo governo, que prevê crescimento entre 4% e 5%). Para a MB Associados, a taxa básica de juros (Selic) ficará em torno de 9% e a inflação em cerca de 5,5%. Esse cenário, segundo ela, é baseado na expectativa de que a Europa consiga avançar nas soluções para a crise. Caso a Europa não apresente avanços, a estimativa é a de que o PIB brasileiro seja negativo em 2012.
Edição: Lana Cristina
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Modelo de carro concebido no Brasil vira produto global
Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil
Brasília – A montadora Ford, de capital norte-americano, anunciou hoje (4) a produção global de um modelo de utilitário esportivo, o EcoSport, projetado por cerca de 1,2 mil engenheiros brasileiros e argentinos no centro de desenvolvimento da companhia em Camaçari, na Bahia. O carro, que deverá ser vendido em 100 países, será produzido nas fábricas da Ford na Bahia, na Tailândia e na Índia – onde o modelo foi também apresentado, simultaneamente ao evento em Brasília, no Salão do Automóvel de Nova Déli.
O governo festejou o anúncio: “nós já tivemos no passado modelos desenvolvidos no Brasil. O Brasil está reconquistando essa condição pela força da sua economia”, afirmou o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante. “O Brasil vai crescer e mostra que quer crescer com outra qualidade, por exemplo, atraindo centros de pesquisa e de desenvolvimento das indústrias mais importantes”, ressaltou.
Para o governador da Bahia, Jaques Wagner, o anúncio da montadora indica que a indústria brasileira pode agregar valor a seus produtos. “É um produto nosso que está virando item de exportação. Essa é uma mudança de patamar importante e alinhada com o pensamento da presidenta da República [Dilma Rousseff], que quer fazer do Brasil não uma plataforma de montagem e produção, mas uma plataforma de tecnologia, engenharia e design”.
A notícia da produção do novo modelo de automóvel no Brasil surge um ano antes de entrar em vigor a nova política industrial automotiva, que assegurará isenções de impostos à montadoras que investirem pelo menos 0,5% do seu faturamento em pesquisa e inovação, e produzirem carros com 65% das peças fabricadas no Brasil. “Quando se começa a exigir mais conteúdo local, vincula-se o incentivo fiscal à pesquisa e ao desenvolvimento. Empresas que têm mais tradição no Brasil, mais compromisso e interesse estratégico estão alinhados com essa perspectiva”, destacou Mercadante.
A concepção do carro ou de qualquer outro produto no Brasil não assegura que o dinheiro arrecadado com patentes por empresas multinacionais seja investido no país. “A parte de patentes depende de cada empresa, não é possível impor”, disse o ministro. Ele ressaltou, porém, que, quanto mais engenharia o país tiver, mais patentes vai ter. “Mais royalties vamos receber, menos royalties vamos pagar.”
“O patrimônio é da empresa”, diz o governador Jaques Wagner, lembrando, porém, que “à medida que o lucro for maior aqui, uma parte desse lucro ficará no país”. De acordo com o governador, a fábrica da Ford em Camaçari, inaugurada em 2001, já goza de isenções dos tributos estaduais, que valem até 2015.
A Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) avalia que entre 2011 e 2015 as montadoras instaladas no Brasil investirão cerca de US$ 19 bilhões (média de US$ 3,8 por ano). O país é visto com grande potencial de crescimento para venda de automóveis. A média no Brasil é de seis habitantes por carro no Brasil, enquanto nos Estados Unidos (maior consumidor mundial) a média é de um carro por habitante.
Segundo a Anfavea, entre 2005 e 2011, a produção de carros no Brasil passou de 1,715 milhão de unidades para 3,420 milhões de unidades por ano. O país tem capacidade instalada parade produzir 4,5 milhões de carros por ano. A industria automotiva equivale a 5% do Produto Interno Bruto brasileiro e a um quinto do PIB industrial.
Segundo a direção da Ford, em cinco fábricas no Brasil, a empresa tem cerca de 14 mil empregados e pretende investir nos próximos anos até US$ 4,5 bilhões em modernização das unidades e aumento da produção. A companhia não anunciou quantos empregos o novo modelo poderá gerar. Também não foi informado oficialmente quando o carro chegará ao mercado, nem o preço.
Edição: Nádia Franco
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