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Indústria nacional patina na corrida do pré-sal

Afetados por problemas estruturais e falta de mão de obra, fornecedores têm dificuldade em acompanhar ritmo de investimentos da Petrobras

Publicado em 14/08/2012 | Fernando Jasper

A descoberta de petróleo na camada pré-sal da costa brasileira completa cinco anos em novembro, mas o país continua distante de consolidar uma cadeia de fornecedores capaz de acompanhar a crescente demanda das empresas do setor, em especial a Petrobras. E tampouco há mão de obra capacitada em quantidade suficiente para dar conta do desafio.

Por isso, os dois programas anunciados ontem pelo governo federal são bem-vindos e ajudam a preencher importantes lacunas, em especial no financiamento à inovação. Mesmo assim, a indústria brasileira de equipamentos para petróleo e gás terá de superar outros obstáculos para conseguir competir de igual para igual com as empresas estrangeiras do setor. A avaliação é de especialistas que participaram ontem, em Curitiba, da mesa-redonda “Pré-sal e desenvolvimento industrial”, parte do 8.º Congresso Brasileiro de Planejamento Energético.

167 mil barris por dia

É a produção atual dos campos do pré-sal, mais que o dobro da média de 2011. O volume equivale a pouco menos de 8% da produção brasileira de petróleo. Em 2020, estima-se que o volume chegará a 2 milhões de barris, quase a metade da produção total.

O economista André Furtado, professor do Departamento de Política Científica e Tecnológica da Unicamp, lembrou que, assim como a Petrobras não cumpre suas metas anuais de produção desde meados da década passada, suas fornecedoras locais também têm se mostrado incapazes de acompanhar o ritmo de investimentos da estatal. Recentemente, a Petrobras reduziu suas projeções, mas elas continuam gigantescas: pretende investir US$ 208,7 bilhões de 2012 a 2016 (quase US$ 42 bilhões por ano), sem contar US$ 27,8 bilhões em projetos ainda em avaliação.

“A política de conteúdo nacional da Petrobras tem resultados tímidos, não dá conta de capacitar seus fornecedores a dar um salto tecnológico. A tecnologia e os equipamentos mais complexos são em geral importados, ficando as empresas brasileiras com funções mais básicas”, disse Furtado. Para ele, as políticas públicas de estímulo à cadeia de fornecedores seguem a direção correta, mas o setor ainda esbarra em dificuldades. “De um lado, há empresas pequenas, com deficiências e pouco pessoal qualificado. De outro, o país nunca conseguiu estruturar grandes grupos nacionais no setor. E há também as questões costumeiras da indústria nacional, como os custos elevados, que derrubam sua competitividade.”

Segundo Helder Queiroz, diretor da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a indústria de petróleo do Brasil atravessa um “momento histórico”, com dois ciclos simultâneos de investimentos bilionários – um na área de exploração e produção e outro na área de refino. “Não há dúvida de que, se a exploração do pré-sal for tocada de forma muito rápida, vai esbarrar em gargalos muito grandes, impedindo o espraiamento de efeitos positivos pela indústria nacional. Ela ainda precisa de capacidade e capacitação para acompanhar esses ciclos.”

Pessoal

Ao apresentar um quadro com a demanda de profissionais até 2020, Heitor Gioppo, diretor da Odebrecht Óleo e Gás e da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (Abespetro), disse que, perto do desafio de capacitar mão de obra, desenvolver tecnologia nacional será relativamente simples. “O nosso grande gargalo é pessoal. Até o fim da década o setor vai precisar de pelo menos 213 mil profissionais qualificados, de 189 categorias. Só de engenheiros são quase 9 mil. Onde vamos achar esse povo todo?”, questionou.

Programa do BNDES terá R$ 3 bilhões para projetos na área

FJ, com agências

O Banco Nacional de Desen­volvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) lançaram ontem o programa Inova Petro, que vai financiar novas tecnologias e apoiar empresas fornecedoras do pré-sal. O programa vai até 2016 e terá R$ 3 bilhões para o fomento de projetos, que serão selecionados com ajuda da Petrobras. O primeiro edital será lançado em 17 de setembro.

O governo também anun­­­­­­­­ciou uma ação conjunta entre Ministério do Desenvolvimento, Agên­cia Brasileira para o Desen­vol­vimento da Indústria (ABDI) e Petrobras para o desenvolvimento de arranjos produtivos locais (APLs) e a atração de fornecedores para o entorno de empreendimentos da estatal. Neste ano, o programa vai escolher nove empresas de Belo Horizonte, Salvador e Recife para o desenvolvimento de um plano de negócios. Não foi divulgado se alguma cidade paranaense será contemplada no futuro.

A presidente da Petrobras, Graça Foster, reconheceu que um dos desafios do plano de investimentos da estatal é o desenvolvimento de uma cadeia de fornecedores locais. Ela disse que, desde 2003, quando a empresa implementou um programa de exigência de conteúdo local mínimo em suas encomendas, já houve avanço, mas que é possível fazer mais.

“Muito pouco do trabalho no pré-sal é realizado pela Petrobras e por nossas empresas sócias. Há milhares de quilômetros a percorrer ainda para que a indústria de bens e serviços atenda às nossas demandas e às demandas das empresas que trabalham com a Petrobras”, disse a executiva.

Segundo ela, o índice de conteúdo local nas contratações da companhia subiu de 40% a 55% em 2003 para 65% atualmente na área de exploração e produção. No refino, o porcentual subiu de 82% para 92% e, na de gás e energia, de 70% para 90%. Para alguns analistas, no entanto, esses números são superestimados.

Gigante nacional

Um dos objetivos do programa é criar uma grande empresa nacional de fornecimento de bens e serviços no setor de petróleo. O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, afirmou que o banco poderá, quando necessário, injetar capital em companhias do setor por meio de compra de participação acionária, a fim de fortalecer as firmas com projetos importantes de desenvolvimento tecnológico na cadeia de petróleo.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO http://www.gazetadopovo.com.br/economia/conteudo.phtml?tl=1&id=1286293&tit=Industria-nacional-patina-na-corrida-do-pre-sal

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Estatal brasileira desenvolve tecnologia para reparar equipamentos que controlam vazamento de petróleo

Alana Gandra
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A estatal Nuclebras Equipamentos Pesados (Nuclep) tornou-se  a primeira empresa brasileira a efetuar reparo em equipamentos de vedação usados em plataformas de petróleo. O trabalho incluiu teste de carga na estrutura de um BOP (do inglês blowout preventer, válvula de escape, em tradução livre), usado para evitar acidentes como os ocorridos no Golfo do México, em 2010, e no Campo de Frade, na Bacia de Campos, no ano passado.

Após reformar a estrutura que sustenta o BOP a empresa reinstalou o equipamento na plataforma P-23, da Petrobras, situada no Campo de Roncador R7, na Bacia de Campos. Em seguida, fez o teste de carga, o primeiro gerenciado por uma indústria nacional, na semana compreendida entre 28 de julho e 4 de agosto.

O BOP Carrier é uma válvula automática com capacidade de vedar a cabeça do poço de petróleo em caso de vazamento. Ele é considerado peça fundamental para garantir a segurança na plataforma, inclusive na área ambiental. A reforma mecânica e hidráulica  da estrutura que transporta, sustenta e movimenta o equipamento demorou um mês.

Os testes foram realizados com sucesso, durante uma semana de paralisação da produção da P-23. Em novembro, haverá nova parada para a colocação do novo BOP na unidade. O anterior, de menor peso e sem as condições de segurança exigidas atualmente, foi retirado da estrutura e será substituído por um maior e mais pesado, com capacidade de operar  nos projetos do pré-sal.

O novo equipamento já está na Nuclep a espera  de embarque para ser colocado na plataforma, que continua ativa realizando outros serviços. A exploração e produção serão retomadas somente após a reativação do sistema de segurança contra vazamentos.

“Nunca tinha sido feito esse tipo de reforma (de estrutura do equipamento  BOP em uma plataforma de petróleo) no Brasil”, disse  à Agência Brasil a gerente de Métodos e Processos Industriais da Nuclep, Gláucia Valle. “A Nuclep foi pioneira nesse tipo de trabalho”, salientou.

Gláucia Valle explicou que muitas plataformas da Petrobras estão trabalhando há cerca de 20 anos e precisam de reformas. A estrutura com o BOP antigo foi transportada de balsa para a Nuclep, onde foi reformada e reforçada para poder receber o novo, com o objetivo de aumentar a segurança. “Foi feita uma engenharia bem complexa para colocar essa estrutura a bordo da plataforma”.

Nos testes, foi usada  carga  correspondente à do novo equipamento (220 toneladas), mais sobrecarga, totalizando 320 toneladas. O antigo pesava cerca de 99 toneladas a menos.

“A Petrobras está com uma preocupação muito grande com a questão da segurança, ainda mais após aquele acidente que houve no Golfo do México,  onde não funcionou esse equipamento”, destacou Gláucia. Os testes confirmaram que o equipamento está preparado para atender às exigências da exploração de petróleo.

O trabalho é difícil, porque é feito em alto mar, onde a plataforma permanece em movimentação. As paradas são feitas aos poucos, para evitar prejuízos, que “são prejuízos de milhões de reais”, disse a gerente da Nuclep. A reforma da estrutura do equipamento, incluindo o novo BOP, é estimada em 50 milhões de euros.

A P-23 se encontra a 300 quilômetros da costa e explora petróleo a uma profundidade de 1.863 metros de profundidade. O reparo e a atualização do equipamento foram feitos pela Nuclep em seu parque industrial, em Itaguaí, no Grande Rio. A reforma envolveu também outro equipamento de segurança, o X-Mas Tree Trolley, cujos testes de carga alcançaram 165 toneladas.

O domínio desse processo abre caminho para que a  empresa  possa fazer reformas desse equipamento em outras plataformas da Petrobras, competindo de igual para igual com empresas estrangeiras, de acordo com a gerente da Nuclep.

Edição: Davi Oliveira

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Inovação tecnológica nos setores naval e de petróleo depende de crédito e incentivo, diz presidente da Finep

Guilherme Jeronymo
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – Autoridades destacaram hoje (13), no lançamento do Inova Petro, programa de incentivo à participação nacional na inovação tecnológica da cadeia naval, de petróleo e gás, que sem indução financeira e apoio à inovação, é difícil aumentar a participação da produção e da tecnologia nacional nesses setores.

Um dos maiores problemas, conforme destacou o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix, é o risco, que toma ainda maiores proporções em uma área em que a inovação tecnológica exigida é de grande monta. “Crédito é fundamental para diminuir custo de capital, é chave. A experiência do mundo inteiro mostra que se você não combinar instrumentos que avançam em áreas mais intensivas de conhecimento, portanto, áreas onde o retorno é mais incerto e o risco é maior, torna-se mais difícil que as empresas entrem nesse terreno. O risco é enorme, o custo é enorme e o tempo de retorno é incerto”, destacou.

Dentro da Petrobras, que articulará a parte técnica do Inova Petro, oferecendo suporte desde a fase de seleção dos projetos até o desenvolvimento dos produtos, a aposta é na aproximação com iniciativas da petrolífera já em curso, como o Programa de Mobilização da Indústria de Petróleo e Gás Natural (Prominp).

Segundo o assessor da presidência da Petrobras, Paulo Alonso, ainda este ano haverá investimento, no âmbito do Prominp, em nove empresas de médio porte, que estão em fase de escolha, sendo três em Pernambuco, na região do Porto de Suape, três em Belo Horizonte e três em Salvador.

“Não é possível você ter um polo industrial como o de Suape e uma refinaria como a Renest, e que não se tenha um cluster [rede] de fornecedores em volta desses empreendimentos, que garantam o provimento de bens e serviços. Não se trata apenas da fase de construção, mas da fase de operação. Esses empreendimentos vão ficar funcionando por 50 anos ou mais. A gente precisa regionalizar esse investimento”, disse Alonso.

O Inova Petro vai estimular a produção nacional de máquinas e sistemas nas áreas naval, de petróleo e gás. Serão destinados inicialmente R$ 3 bilhões em recursos, pelo BNDES e a Finep. Os primeiros editais do programa serão lançados no dia 17 de setembro.

Edição: Lana Cristina

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Editais para financiamento de projetos inovadores nas áreas naval e de petróleo serão abertos em setembro

Guilherme Jeronymo
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – A Petrobras, o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) vão lançar os primeiros editais do Programa Inova Petro, no dia 17 de setembro, em evento do setor de petróleo e gás.

Lançado hoje (13), o Inova Petro vai estimular a produção nacional de máquinas e sistemas nas áreas naval, de petróleo e gás. Serão destinados inicialmente R$ 3 bilhões em recursos, pelo BNDES e a Finep. À Petrobras caberá o suporte técnico, desde a fase de seleção até o desenvolvimento dos produtos.

O programa integra a política de tornar a indústria nacional mais competitiva, o Plano Brasil Maior, coordenado pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC). “A cadeia do petróleo e gás, como o pré-sal, essa fronteira que nós estamos desbravando, está para a economia brasileira como esteve a corrida espacial para a economia americana no século passado”, destacou o ministro do Desenvolvimento, Fernando Pimentel, no lançamento do programa.

Definido como um acordo de inovação técnica, o Inova Petro terá investimentos paritários de suas duas fontes e utilizará três mecanismos distintos: o crédito, por meio do qual se fará a grande maioria do aporte; a subvenção, com recursos diretos para projetos de risco, totalizando R$ 150 milhões da parte da FINEP; e a participação acionária, como forma de reforço de capital, por parte do BNDES.

“Nós temos o conjunto de instrumentos adequados para apoiar a cadeia produtiva. Temos inclusive a possibilidade de apoiar projetos de risco mais alto com recursos não reembolsáveis, vencendo aquilo que os especialistas chamam de vale da morte do processo de pesquisa e desenvolvimento, que é a conexão dos elos mais difíceis, que vêm desde a concepção teórica dos sistemas até a sua engenharia operacional concreta, que permita criar sistemas eficientes e competitivos de produção”, observou o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.

Segundo a presidenta da Petrobras, Graça Foster, em 2003, a participação nacional na área de exploração e produção de petróleo estava entre 40% e 55%. Em abastecimento, o percentual ficou em 82% e em gás e energia, 70%. Hoje, revelou, a participação nessas áreas está em cerca de 65%, 92% e 90%, respectivamente. A empresa aumentou também seus investimentos globais no período, de US$ 6 bilhões para US$ 45 bilhões, projetados para este ano.

Nesse cenário, Graça Foster destacou a importância da inovação no setor. “Que haja essa busca pela inovação, essa busca pela tecnologia melhor de ser aplicada. Os números mostram para nós que ainda temos, com a tecnologia atual em nosso mercado, de dar alguns passos a mais em favor de um conteúdo [nacional] maior. O fato é que devemos fazer isso com excelência, manter uma competitividade e trabalhando pelos melhores prazos”, disse.

A presidenta da Petrobras avaliou como viável que, em até dez anos, as empresas nacionais passem a exportar bens e serviços.

Além do suporte técnico, a Petrobras vai deixar à disposição da indústria os sítios de testes. “A Petrobras vai até, se for o caso, usar patentes nisso, para contribuir com a indústria nacional”, disse o gerente executivo do Centro de Pesquisas Leopoldo Miguez (Cenpes), Marcos Assayag.

O Inova Petro prevê também a aplicação de recursos em pesquisas nas universidades, com recursos da subvenção da Finep, de acordo com o presidente da agência de fomento tecnológico, Glauco Arbix. “Os desafios do pré-sal oferecem uma chance única de transformarmos a pauta da pesquisa em nossas universidades. Mais que isso, podemos, na pauta do pré-sal, ampliar e utilizar a pesquisa e o desenvolvimento nas empresas brasileiras, em áreas dominadas por empresas estrangeiras”.

Edição: Lana Cristina

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BNDES estima que fechará 2012 com investimentos de R$ 150 bilhões

Guilherme Jeronymo
Repórter da Agência Brasil

Rio de Janeiro – O presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Luciano Coutinho, declarou hoje (13) que o banco deve encerrar 2012 com um total de R$ 150 bilhões em investimentos.

O montante será puxado por um aumento nos desembolsos no segundo semestre, em função, principalmente, do desempenho do investimento em máquinas e equipamentos.

Nesta segunda-feira, foi oficializado o direcionamento de R$ 1,5 bilhão à indução do desenvolvimento na área de petróleo, gás e indústria naval, no âmbito do Programa Inova Petro, que terá recursos do BNDES e da Financiadora de Estudos e Projetos.

Edição: Lana Cristina

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