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Por 11:24 Bancos, Recentes

Banco Master: antes de virar alvo da PF, ex-sócio já tinha fortuna bloqueada

Meses antes de se tornar um dos alvos da Operação Compliance Zero, o ex-sócio do Banco Master, Augusto Lima, já havia tido parte expressiva de seu patrimônio bloqueada pela 2ª Vara Cível do Tribunal de Justiça paulista, de acordo com a coluna Grande Angular do portal Metrópoles. Na época, foram encontrados R$ 112 milhões aplicados na Reag Trust Distribuidora de Títulos e Valores Mobiliários (DTVM), recentemente liquidada pelo Banco Central (BC).

Além dos R$ 112,8 milhões identificados na Reag, a Justiça encontrou valores menores em outras instituições financeiras. Segundo os autos, havia R$ 484 mil no Bradesco, R$ 317,4 mil no Santander, R$ 274,41 no Banco do Brasil, R$ 2,3 mil no próprio Banco Master e apenas R$ 0,44 em uma conta vinculada à Pluxee IP.

A medida foi tomada no âmbito de uma ação de execução de dívida movida pela família ex-controladora do Banco Voiter, vendido ao Banco Master em 2024. Os autores da ação pediram o bloqueio liminar de bens dos banqueiros do Master no valor total da dívida, estimada em R$ 470,5 milhões.

Embora a restrição tenha durado apenas oito dias, os documentos judiciais afirmam que a maior parte dos recursos localizados em nome de Augusto Lima estava concentrada justamente na Reag Trust, instituição que viria a ser liquidada extrajudicialmente pelo Banco Central na quinta-feira (15) passada sob o argumento de “graves violações às normas que regem as atividades das instituições integrantes do Sistema Financeiro Nacional”, e que também entrou no radar da segunda fase da Compliance Zero.

A defesa de Augusto Lima informou que não vai se manifestar sobre o assunto.

Ascensão meteórica e queda sob suspeita

Fundada por João Carlos Mansur, a Reag Investimentos foi, durante anos, apresentada como um dos maiores casos de sucesso da Faria Lima. Entre 2020 e 2025, o patrimônio sob gestão da empresa saltou de R$ 25 bilhões para R$ 341 bilhões — uma multiplicação de quase 14 vezes em apenas cinco anos.

Esse crescimento acelerado, no entanto, passou a ser analisado sob outro prisma com o avanço das investigações da Polícia Federal que miram a atuação de organizações criminosas no sistema financeiro, incluindo apurações que averiguam relações entre instituições da Faria Lima a esquemas de lavagem de dinheiro.

Na quarta-feira (14), Mansur foi um dos alvos da Operação Compliance Zero, que cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao empresário por determinação do Supremo Tribunal Federal (STF). A operação também atingiu o empresário Nelson Tanure.

O espaço está aberto para manifestação das defesas do Banco Master, João Carlos Mansur e a Reag.

Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil

Texto: Letícia Cotta

Fonte: Revista Fórum

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