O mais novo episódio do Podcast Estúdio CUT, produzido em parceria com a Contraf-CUT, traz uma conversa sobre geopolítica, soberania e democracia a partir dos recentes acontecimentos na América Latina. O programa tem como convidado o deputado federal Alencar Santana Braga (PT-SP), membro da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional da Câmara dos Deputados, e discute os impactos das ações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no cenário regional e os possíveis reflexos para o Brasil.
O foco do episódio não é julgar o mérito do governo venezuelano, mas analisar como a ofensiva estadunidense contra a Venezuela pode afetar o Brasil e outros países da América Latina. Segundo o deputado, a ação do governo dos Estados Unidos evidencia interesses econômicos e estratégicos, especialmente ligados ao controle de riquezas naturais.
“Dinheiro, poder, petróleo, enfim, controle de riquezas”, afirmou Alencar Santana Braga ao apontar o que estaria por trás da intervenção. Para ele, a postura adotada por Trump representa uma ruptura perigosa com a ordem internacional construída após a Segunda Guerra Mundial.
Durante o episódio, o parlamentar alerta que o sequestro de um presidente de um país soberano, sem respaldo de organismos internacionais ou do Congresso norte-americano, inaugura um cenário de instabilidade global. “Ele sequestrou um presidente, tirou à força do poder do seu país e está ameaçando outros. Isso é extremamente perigoso”, disse.
Veja o episódio completo aqui:
Brasil no radar da ofensiva internacional
Ao tratar dos possíveis impactos para o Brasil, o deputado destaca que o país possui ativos estratégicos relevantes, como petróleo, biodiversidade e as chamadas terras raras, minerais essenciais para a indústria de tecnologia. Para ele, essas riquezas colocam o Brasil no centro das disputas geopolíticas globais.
“O Brasil como maior país da América do Sul, um país que tem riqueza, que também tem petróleo, tem minerais, enfim, tem uma diversidade tremenda”, afirmou.
Alencar Santana Braga também avalia que o processo eleitoral brasileiro de 2026 deve ser alvo de atenção redobrada. Na visão do deputado, há riscos de interferência indireta por meio de redes sociais e grandes plataformas digitais alinhadas à extrema direita internacional.
“Ele pode agir na eleição brasileira, eventualmente não pondo a mão diretamente, mas interferindo, mobilizando forças, setores, agindo através das redes sociais, das bigtechs alinhadas com ele”, alertou.
Queda das máscaras e imperialismo assumido
Ao longo da conversa, o deputado compara a atuação atual dos Estados Unidos com intervenções anteriores em outros países. Para ele, a principal diferença está no discurso assumidamente econômico do atual governo norte-americano.
“Os outros presidentes tentavam dissimular, colocavam argumentos à frente. Agora não. Ele assume que faz algo porque está de olho na riqueza, porque quer pegar o petróleo”, afirmou.
Segundo Alencar, essa postura explicita o modus operandi histórico do imperialismo norte-americano e revela, ao mesmo tempo, sinais de fragilidade do próprio império diante do avanço de outras potências globais, como a China.
“Quem faz isso é porque está com medo, porque está se sentindo acuado”, afirmou, ao mencionar a perda de influência dos Estados Unidos em diversas regiões do mundo.
Tensões globais e riscos de escalada bélica
O episódio também aborda o cenário internacional mais amplo, com menções às ameaças ao Irã, às tarifas econômicas impostas globalmente e às declarações envolvendo a Groenlândia e a OTAN. Para o deputado, os movimentos indicam uma escalada perigosa.
“Se ele está fazendo essas atrocidades no primeiro ano, o que ele fará nos próximos?”, questionou, ao defender que o Brasil busque alianças diplomáticas e mantenha vigilância constante.
Nota unilateral na Comissão de Relações Exteriores
Outro ponto do episódio é a crítica à nota divulgada pelo presidente da Comissão de Relações Exteriores e de Defesa Nacional, deputado Felipe Barros (PL), saudando a ação dos Estados Unidos. Alencar Santana Braga foi categórico ao afirmar que a manifestação não representa o colegiado.
“Foi uma nota unilateral. Não foi sequer apresentada, debatida e votada na comissão”, afirmou, acrescentando que considera o ato ilegítimo por não ter respaldo institucional.
Segundo o parlamentar, a atitude demonstra alinhamento automático a interesses estrangeiros e desprezo pelos princípios da soberania nacional.
Papel do movimento sindical e das forças populares
O episódio reforça o papel das entidades sindicais e do campo progressista na formação política e na defesa da democracia. Para o deputado, a classe trabalhadora tem papel central na compreensão do papel do Brasil no mundo e na proteção da soberania nacional.
“A melhor compreensão do papel do Brasil no mundo e de um país soberano vem das entidades sindicais, do campo progressista e do campo popular”, afirmou.
Alencar Santana Braga também destacou a importância das eleições de 2026 não apenas para o Executivo, mas para o fortalecimento das bancadas no Congresso Nacional.
“Avançar na bancada, permitir a ampliação da bancada federal na Câmara e no Senado são coisas essenciais para fortalecer o governo e garantir avanços sociais”, concluiu.
Texto: André Accarini
Fonte: CUT