O Banco Central abriu uma investigação interna para apurar como se deu a fiscalização do Banco Master, desde o período de expansão do conglomerado comandado por Daniel Vorcaro até a liquidação da instituição, concluída em novembro de 2025. A apuração teve início no fim do ano passado.
O procedimento foi determinado pelo presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, e está sendo conduzido sob sigilo pela corregedoria da autarquia. Não há prazo definido para a conclusão dos trabalhos. A expectativa inicial era de que um relatório preliminar fosse apresentado até o fim de fevereiro, mas o cronograma pode ser ampliado caso surjam novos desdobramentos.
A existência da sindicância foi revelada pelo jornal O Globo. O objetivo, segundo pessoas a par do processo, é revisar a atuação do órgão regulador no acompanhamento do banco ao longo dos últimos anos e identificar eventuais falhas nos mecanismos de supervisão.
Diretores afastados
No contexto da apuração, servidores que ocuparam cargos estratégicos na área de fiscalização deixaram suas funções. O ex-diretor de Fiscalização do BC, Paulo Souza, que à época da autorização para a compra do banco Máxima — posteriormente rebatizado de Master — comandava a supervisão bancária, foi afastado do cargo cerca de uma semana após a liquidação da instituição. Mais recentemente, pediu para deixar a função comissionada, com saída oficializada em portaria publicada no Diário Oficial da União nesta quinta-feira (29).
Trajetória semelhante teve Belline Santana, então chefe do Departamento de Supervisão Bancária. Nos dias que antecederam sua saída, sua agenda pública registrava ausência de compromissos. Até o momento, não há acusações formais contra nenhum dos dois servidores.
O nome de Santana foi citado em depoimento à Polícia Federal pelo atual diretor de Fiscalização do BC, Ailton de Aquino. Ele mencionou um ofício encaminhado à autoridade monetária em junho de 2025 pelo então presidente do BRB (Banco de Brasília), Paulo Henrique Costa, que indicava o início da busca por ativos no balanço do Banco Master. Posteriormente, o banco do Distrito Federal adquiriu R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito que, segundo investigações, apresentavam indícios de fraude.
Transparência
Com a sindicância, o Banco Central pretende dar mais transparência à própria atuação no caso Master, prestar contas à sociedade e usar as conclusões para aperfeiçoar os procedimentos de fiscalização e supervisão, de forma a evitar a repetição de situações semelhantes.
Internamente, no entanto, a iniciativa também levanta preocupações. Integrantes do BC apontam o risco de desgaste no corpo técnico da instituição, formado por servidores com décadas de atuação, além da possibilidade de que a defesa de Daniel Vorcaro utilize eventuais conclusões da apuração para questionar decisões adotadas ao longo do processo. Ainda assim, a direção do Banco Central optou por levar adiante a revisão interna do caso.
Foto: José Cruz/Agência Brasil
Texto: Julinho Bittencourt
Fonte: Revista Fórum