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Por 10:45 Agenda Sindical

94% dos reajustes salariais ficaram acima da inflação em janeiro, aponta Dieese

As negociações coletivas deste começo de 2026 foram favoráveis para os trabalhadores brasileiros. Segundo levantamento do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese), 94% dos reajustes salariais concedidos em janeiro superaram a inflação medida pelo INPC, configurando o melhor desempenho dos últimos 12 meses.

Os dados constam no boletim De Olho nas Negociações nº 65 e têm como base 364 instrumentos coletivos registrados no sistema Mediador do Ministério do Trabalho e Emprego. A variação real média dos reajustes foi de 2,12%, consolidando uma trajetória de crescimento iniciada em setembro de 2025.

No mesmo período, apenas 4,1% dos acordos resultaram em reajustes iguais à inflação, enquanto 1,9% ficaram abaixo do índice. No acumulado entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026, a média de reajustes acima do INPC foi de 77,1%, número significativamente inferior ao registrado no primeiro mês deste ano.

Inflação menor e mínimo valorizado impulsionam resultado

Dois fatores principais explicam o desempenho positivo. O primeiro é a desaceleração da inflação no último trimestre de 2025. O INPC acumulado em 12 meses, que serve como referência para as negociações, estava em 3,90% nas datas-base de janeiro.

O segundo fator é o reajuste de 6,79% no salário mínimo nacional, que funcionou como parâmetro importante para as negociações de diversas categorias profissionais, pressionando positivamente pisos e tabelas salariais.

Apesar do cenário favorável, o Dieese alerta que o INPC acumulado em 12 meses subiu para 4,30% nas negociações com data-base em fevereiro, o que pode representar um desafio maior para a manutenção de ganhos reais nos próximos meses.

Serviços e comércio lideram ganhos reais

Entre os setores econômicos, serviços e comércio apresentaram os melhores desempenhos em termos de frequência de ganhos reais. Ambos registraram 96,2% das negociações acima da inflação.

O setor de serviços também obteve a maior variação real média: 2,37%. Já o comércio registrou ganho médio de 1,75% e não apresentou nenhum caso de reajuste abaixo do INPC em janeiro.

A indústria também teve resultado expressivo, com 91,4% das negociações acima da inflação e ganho real médio de 1,80%. No setor rural, o volume de dados foi insuficiente para uma análise estatística conclusiva no mês.

Nordeste lidera em frequência; Sudeste tem maior ganho médio

Regionalmente, o Nordeste se destacou com 98,2% dos reajustes acima da inflação e nenhum registro de perdas salariais nas negociações analisadas.

O Sudeste apresentou a maior variação real média do país, com 2,51%. Já o Centro-Oeste teve o desempenho mais modesto: 88,1% dos acordos acima do INPC e 7,1% abaixo da inflação.

As regiões Norte e Sul registraram variações reais médias de 1,46% e 1,64%, respectivamente.

Pisos salariais e forma de pagamento

Os pisos salariais negociados em janeiro de 2026 tiveram média de R$ 1.843. Entre os setores, os serviços apresentaram o maior piso médio (R$ 1.887), enquanto a indústria registrou a maior mediana (R$ 1.783). Regionalmente, o Sul liderou tanto na média (R$ 1.920) quanto na mediana (R$ 1.850) dos pisos.

Quanto à forma de pagamento, 99,5% dos reajustes foram quitados em parcela única, o menor índice de parcelamento da série de 12 meses. O escalonamento, com percentuais diferenciados conforme faixa salarial ou porte da empresa, foi adotado em 15,9% dos acordos.

O levantamento do Dieese considera trabalhadores celetistas do setor privado e de estatais, tendo o INPC-IBGE como referência inflacionária. A variação real é calculada por média simples dos índices negociados, e os pisos correspondem ao menor valor definido em cada instrumento coletivo, excluindo aprendizes e estagiários.

Foto: Filipe Castilhos

Texto: Raquel de Freitas

Fonte: TVT News

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