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Por 14:08 Notícias

Fim da escala 6×1: presidente do Republicanos sugere que pobres usarão drogas em dias de lazer

Filho de empregada doméstica que engravidou do patrão em São Paulo voltou para o Espírito Santo e, numa pensão às margens da BR-101, entregou seu filho assim que nasceu, como diz em sua “trajetória de líder”, o presidente do Republicanos, Marcos Pereira, que é bispo licenciado da Igreja Universal fez uma declaração abjeta ao se declarar contra a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que prevê o fim da escala de trabalho 6×1, debatido no Congresso.

Em linha com a Folha, que também se coloca contra o projeto, o deputado afirmou que “o ócio demais faz mal” em entrevista ao jornal e, em seguida, fez uma declaração aporofóbica para defender sua posição.

“Eu acho que quanto mais trabalho, mais prosperidade. Claro, a pessoa tem que ter lazer, mas lazer demais também, o ócio demais faz mal. Tenho vários casos aí de pessoas que eu conheço, de famílias que eu conheço, o fulano quando parou de trabalhar, principalmente com certa idade, parou de trabalhar, morreu rápido, ficou doente. A gente precisa de atividade”, iniciou, em tom de ironia.

Em seguida, ele afirmou que as pessoas pobres não têm “condições de lazer” e sugere como usarão o tempo “ocioso” do trabalho.

“A população vai fazer lazer onde? O povo não tem dinheiro, infelizmente. Vai ficar mais exposto a drogas, a jogos de azar. Pode ser o contrário. Ao invés de lazer, pode ser o mal. Qual é o lazer de um pobre numa comunidade? Ou num sertão lá do Nordeste?”, disparou, destilando preconceito.

“Ano eleitoral”

Pereira ainda contou detalhes sobre a negociata com Hugo Motta (Republicanos-PB) para tentar derrubar a proposta defendida pelo governo que permite que os trabalhadores tenham dois – e não apenas um – dia de folga na semana.

Indagado sobre qual será a posição do Republicanos na votação do PL, Pereira disse que já demonstrou a Motta “a minha contrariedade ao tema”.

No entanto, o bispo licenciado diz que ele e a bancada pode votar a favor por se tratar de um ano eleitoral – e não por defender a proposta.

“Poderia se debater em outro momento, mas em ano eleitoral é muito sensível, porque expõe a Casa [Câmara]. Às vezes até tem que votar [favorável] por conta de ser um ano eleitoral, porque o eleitor pode não entender bem se você votar contra, por exemplo”, diz.

Por fim, o bispo licenciado que controla o braço político da igreja de Edir Macedo diz ter se surpreendido com a declaração de Motta, que “comparou a PEC com a criação da CLT e com o fim da escravidão”.

“Me surpreendeu um pouco. A CLT, com todos os méritos, tem muitos problemas. É só você comparar com os países com pleno emprego e economia mais pujante. A gente tem um abismo, e essa é uma das reclamações da indústria nacional sobre o acordo do Mercosul com a União Europeia. Não dá para comparar o custo trabalhista, o custo da burocracia e tributário daqui com o de lá. Concorrência da China, então, que não tem legislação trabalhista, não tem nada… Quando você pega os países que já implantaram, são só países de primeiro mundo, de índice de qualidade de vida e de renda per capita altíssimo. Alemanha, Finlândia, Islândia, Noruega, não dá para comparar”, diz em uma comparação sem nexo.

Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados

Texto: Plinio Teodoro

Fonte: Revista Fórum

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