fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 11:26 Agenda Sindical

Pré-Conferência Antifascista em SP reforça unidade de luta contra o fascismo

Na noite desta quinta-feira, 26 de fevereiro, diversas lideranças dos movimentos sociais, movimento sindical, partidos políticos e diplomatas internacionais participaram da Pré-Conferência Internacional Antifascista.

A etapa é preparatória para o encontro que ocorrerá em Porto Alegre em 26 de março com o objetivo de articular uma frente unificada contra o avanço da extrema direita. A CUT integra a organização e a articulação política da Conferência.

Realizada na sede da APEOESP, em São Paulo, a atividade teve como eixo central a construção da unidade na diversidade e a preparação de uma estratégia comum de mobilização popular, com foco na defesa da soberania dos povos, da democracia e dos direitos da classe trabalhadora.

Anfitriã do encontro, a Apeoesp foi representada pelo secretário de Finanças da entidade, Roberto Guido, que fez a saudação inicial em nome dos professores da rede estadual. Ele destacou o papel do sindicalismo na luta antifascista e anti-imperialista e reforçou o compromisso da categoria com a mobilização.

“É com muita satisfação que nós professores e professoras do estado de São Paulo recepcionamos essa atividade”, afirmou, ressaltando que a luta contra o fascismo e contra o domínio imperialista se dá “seja no Oriente Médio, seja na América Latina, seja em qualquer lugar”.

Guido lembrou ainda que o tema foi objeto de deliberação recente da categoria e que o enfrentamento ao fascismo também se dá no plano local. A categoria vem lutando contra as imposições de retrocessos na educação, promovidas pelo governador Tarcisio de Freitas (Republicanos), bolsonarista e representante legítimo do movimento fascista que ameaça o país.

“Aqui, a luta antifascista internacional tem que ser realizada de forma contundente e também do ponto de vista local”, disse. Ao mencionar os ataques à educação, saúde e às artes, alertou para o caráter abrangente das ofensivas da extrema direita. “Não é uma só forma, são várias formas que nós estamos enfrentando.”

Ele também convocou para as mobilizações em defesa da educação pública no estado de São Paulo, com assembleia e ato em 6 de março na capital paulista atos, reafirmando que a luta extrapola questões corporativas: “Além dos nossos problemas corporativos com professor, questão de salário, valorização, é uma luta de classe, é uma luta ideológica.”

Unidade como estratégia central

Dirigente do PT, professor de relações Internacionais e diretor da Fundação Perseu Abramo, Walter Pomar destacou a complexidade do momento histórico e a multiplicidade das frentes de combate.

Há uma dimensão da luta antifascista que é democrática, há uma dimensão que é popular, há uma dimensão que é antiimperialista, mas há uma dimensão também que é anticapitalista”, afirmou, situando o enfrentamento à extrema direita no contexto da crise estrutural do capitalismo- Walter Pomar

A deputada federal Sâmia Bomfim (Psol-SP) defendeu que a organização da esquerda deve ser disciplinada e permanente. “Cabe a nós, de fato, cumprir o nosso próprio exército, que é a nossa possibilidade de formação política”, declarou, ao enfatizar a necessidade de solidariedade ativa aos países latino-americanos sob ataque. Sâmia também ressaltou que o esforço coordenado na conferência precisa ter continuidade. Ela defendeu que o encontro seja um marco para processos contínuos de mobilização e de defesa da soberania.

Esse esforço que vai ser expresso e coordenado na conferência tem que ter uma vida longa na formulação, no diálogo, mas na ação concreta- Sâmia Bonfim

Também entre as falas políticas, o dirigente nacional do PSOL, Roberto Robaina, reforçou a necessidade de superar divergências em nome da resistência. “Nós somos convencidos da importância da unidade, da unidade na diversidade”, afirmou. Para ele, a história do nazismo demonstra que “era necessário ter a unidade para enfrentar o nazismo”, tanto nos processos eleitorais quanto “na organização e na ação de rua”.

Solidariedade internacional e enfrentamento narrativo

A dimensão internacional teve destaque com a presença de representantes diplomáticos e mobilizadores estrangeiros. Éric Toussaint, cientista político, historiador de mobilizador internacional da Bélgica, defendeu a articulação global das forças progressistas. “Temos que juntar forças de todos os partidos e movimentos sociais para enfrentar a ofensiva fascista a nível internacional”, disse.

O cônsul-geral da Venezuela, Jorge Medina, chamou atenção para a disputa de narrativas. “O perigo é que ainda tem possibilidade de convencer algumas pessoas uma narrativa que é muito negativa para o mundo”, afirmou, defendendo que a conferência denuncie ataques às lideranças venezuelanas.

Também presente, o cônsul de Cuba, Benigno Pérez Fernández, reiterou a importância histórica da unidade. “A unidade é a única força capaz de vencer o imperialismo”, declarou.

Movimentos sociais e organização de base

Outras intervenções reforçaram o caráter amplo da articulação. Representantes dos Policiais Antifascistas defenderam a organização dos trabalhadores da segurança pública a partir de uma perspectiva de classe. O movimento entende policiais como “trabalhadores, antes de qualquer coisa”. Também o destacou-se a necessidade de “combater a cooptação covarde da direita do fascismo do trabalhador policial”.

Marcos de Oliveira Soares, diretor do ANDES-SN (Sindicato Nacional dos Docentes das Instituições de Ensino Superior), afirmou que “a resposta da classe trabalhadora sempre deve também ter a perspectiva internacionalista”.

Paulo Ginez Chrispin de Oliveira, da TLS (Trabalhadores e Trabalhadoras na Luta Socialista/APEOESP), relatou ataques a sedes sindicais e concluiu: “O fascismo está capilarizado e é obrigação nossa nos organizarmos.”

Integrantes da Ação Antifascista de São Paulo também enfatizaram a necessidade de dialogar com a juventude e alertaram para o risco de perda de comunicação com as novas gerações, observando que “existe um abismo geracional que será ocupado se a gente não fizer nada pela extrema direita”.

Guilherme Freitas, do Movimento Juntos, afirmou que a derrota da extrema direita depende da construção de alternativas concretas.“A esquerda só pode verdadeiramente derrotar o fascismo se ela se apresentar como sua alternativa”.

Foto: Roberto Parizotti

Texto: André Accarini

Fonte: CUT

Close