Roberto Campos Neto passou a ser arrastado para o centro do caso Banco Master por três razões objetivas: as reuniões que manteve com Daniel Vorcaro quando presidia o Banco Central, o fato de o Master ter expandido suas operações sob sua gestão e os pedidos recentes para que sua conduta seja investigada pela Polícia Federal e pela Procuradoria-Geral da República. A Fórum mostrou que Campos Neto virou alvo de ações na PF e na PGR em meio ao avanço da crise que envolve o banco.
Até o momento, o ex-presidente do BC não foi denunciado nem condenado no caso. O que existe são pedidos formais de apuração sobre sua atuação à frente da autoridade monetária no período em que o Master cresceu, ampliou influência e passou a ser alvo de suspeitas que hoje explodiram no centro do debate político e financeiro.
Reuniões com Daniel Vorcaro
Um dos pontos que colocaram Campos Neto no radar do caso foi sua interlocução com Daniel Vorcaro, controlador do Banco Master. O dado ganhou peso político porque mostra que o banqueiro tinha acesso direto à cúpula do órgão responsável por supervisionar o sistema financeiro. A própria Fórum já havia reunido elementos sobre a relação entre Master, Campos Neto e setores do mercado.
As reuniões, isoladamente, não provam irregularidade. Mas passaram a ser tratadas como peça relevante da crise porque ocorreram no período em que o banco consolidava sua expansão e porque hoje o Master está no centro de um escândalo com efeitos políticos, regulatórios e judiciais.
Atuação do Banco Central sob sua gestão
O segundo ponto é institucional. Campos Neto comandava o Banco Central justamente quando o Master avançou no mercado e ganhou musculatura. Por isso, críticos do ex-presidente do BC sustentam que é preciso apurar se a autoridade monetária agiu com o rigor necessário diante dos sinais de risco que cercavam o banco.
Essa cobrança cresce porque o Banco Central não é um ator secundário no caso. Cabe à autarquia supervisionar o sistema bancário e agir quando identifica ameaça à estabilidade financeira. Quando uma instituição financeira mergulha em crise, a atuação do regulador inevitavelmente entra na linha de tiro.
A Fórum também repercutiu suspeitas de blindagem institucional a Vorcaro durante a gestão de Campos Neto. Esse material, por si só, não fecha responsabilidade, mas ajuda a explicar por que o ex-presidente do BC deixou de aparecer apenas como personagem lateral e passou a integrar o núcleo político do caso.
Pedidos de investigação
O terceiro elo é o mais recente: a tentativa de transformar a pressão política em apuração formal. Lindbergh Farias acionou PF e PGR para pedir investigação sobre a conduta de Campos Neto, sob a alegação de que pode ter havido omissão na fiscalização bancária ou adoção de medidas que favoreceram o ambiente em que o Master operou. Foi esse movimento que elevou o patamar do caso em relação ao ex-chefe do Banco Central.
Aqui, a precisão é essencial: por enquanto, há pedidos de investigação, não acusação formal. Ainda assim, o avanço do caso para essa etapa mostra que o nome de Campos Neto deixou o terreno da mera citação política e entrou no campo da cobrança institucional.
CPI e blindagem
Campos Neto também foi puxado para a crise na frente parlamentar. Como mostrou a Revista Fórum, André Mendonça dispensou o ex-presidente do BC de depor ao converter sua convocação em convite. A decisão teve efeito político imediato e reforçou a leitura de que havia proteção a um personagem sensível dentro do escândalo.
O que há de concreto
De forma objetiva, o que liga Campos Neto ao caso Master é isso: ele chefiava o Banco Central quando o banco cresceu, reuniu-se com Daniel Vorcaro e agora se tornou alvo de pedidos formais para que sua atuação seja investigada. Não há, até aqui, condenação contra ele. Há, sim, um conjunto de fatos suficientes para colocá-lo no centro da apuração política e institucional sobre o caso.
Para quem quer entender a dimensão do escândalo, vale reler a matéria da Fórum que organiza a teia do Banco Master e consultar o portal oficial do Banco Central, onde estão publicados atos e registros institucionais da autarquia.
Texto: Diego Feijó de Abreu
Fonte: Revista Fórum