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Depois de muito assédio moral, Bradesco demite bancário

(São Paulo) Aos 16 anos, o jovem Silvio Bressan Marques ingressou no Bradesco com muitos sonhos. Funcionário da agência Silvio Romero, em São Paulo, Bressan passou por vários setores e sempre teve o reconhecimento da chefia. Com o passar dos anos, foi amadurecendo como profissional e se destacando por sua dedicação e responsabilidade.
Oito anos depois, Bressan foi transferido para a agência central da cidade de Franca (SP), onde assumiu com um objetivo: lutar para que a agência pudesse um dia estar entre as dez primeiras da Regional.
Mas o que era um sonho começou a se transformar rapidamente em pesadelo. Destaque de vendas, Bressan começou a incomodar os colegas com cargos acima do seu. Apesar dos problemas, o bancário conseguiu suportar o assédio moral constante que sofria por mais oito anos. Queria ser gerente e, para isso, agüentava a pressão e a falta de respeito de alguns gestores.
Dezesseis anos depois de ingressar no Bradesco, Bressan finalmente viu seu objetivo chegar. O bancário foi promovido e no dia 14 de agosto passado faria o seu curso de gerente. O que Bressan não esperava era que 34 dias antes seria demitido pelo Bradesco “antes mesmo que pudesse desfrutar de meu tão sonhado ideal”.
Além de frustrado, Bressan sentiu-se revoltado e enviou um e-mail para a Contraf-CUT para “desabafar”, como disse: “Inesperadamente encontrei-me totalmente perdido e frustrado por saber que dediquei dezesseis anos de minha vida, vestindo a camisa da empresa, superando meus limites, sofrendo assédio moral, mas mesmo assim me auto-motivando, por uma empresa que não valoriza o lado humano e muito menos profissional dos seus funcionários. Nem ao menos justificaram-me o motivo de minha saída”, relata.
Além da demissão imotivada, Bressan também ouviu uma série de boatos envolvendo seu nome, o que o deixou mais chateado ainda. “Achei um abuso, uma enorme falta de respeito. Além de tirarem o meu emprego, pretendiam com esses comentários maldosos tirarem também a minha dignidade”.
No e-mail enviado à Contraf-CUT, Bressan conta que hoje, passado o olho do furacão que mudou a sua vida, analisou sua trajetória no Bradesco e encontrou um motivo para resignar-se: “Tenho a certeza de que não perdi nada. Ao contrário, as metas absurdas e o ambiente hostil no qual convivia estavam debilitando a minha saúde e interferindo em minha vida pessoal”.
Segundo Bressan, nos últimos sete anos foi perseguido e humilhado pelos superiores. “Do banco Bradesco ficou apenas a imagem de um campeão em ganância e exploração de funcionários, adotando práticas que inclui sobrecarga de trabalho, pressão de chefia para o cumprimento de metas e para não fazer horas extras pagas, o que significa trabalho em ritmo alucinante (escravidão), sem falar do medo constante de ser o próximo da lista a perder o emprego”.
O bancário conclui o e-mail justificando que o se “desabafo” é para chamar a atenção e para alertar que o “Bradesco não prepara nenhum de seus funcionários para mercado de trabalho, mas a amizade e o respeito com os colegas de trabalho e clientes fazem a diferença”.
Campanha 2006
O assédio moral e a defesa do emprego são dois dos temas centrais desta Campanha Nacional 2006. Os trabalhadores do ramo financeiro já arrancaram da Fenaban o compromisso de instalar uma mesa específica para negociar e resolver o problema do assédio moral que tanto aflige os bancários.
“Esperamos agora seriedade dos banqueiros nesta mesa de negociações para definirmos medidas que combatam o assédio moral dentro das agências. E precisamos pressionar muito para que a Fenaban também aceite garantir o emprego dos trabalhadores. Este é um ponto que os bancos não querem nem ouvir falar. Eles chegaram a dizer em mesa de negociação que ajudaram a derrubar a adesão do Brasil à Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que impede a dispensa imotivada. Só com muita pressão e luta é que vamos ampliar as conquistas e impedir que histórias como a do colega Bressan continuem acontecendo”, finalizou Vagner Freitas, presidente da Contraf-CUT.
Fonte: Contraf-CUT

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Depois de muito assédio moral, Bradesco demite bancário

(São Paulo) Aos 16 anos, o jovem Silvio Bressan Marques ingressou no Bradesco com muitos sonhos. Funcionário da agência Silvio Romero, em São Paulo, Bressan passou por vários setores e sempre teve o reconhecimento da chefia. Com o passar dos anos, foi amadurecendo como profissional e se destacando por sua dedicação e responsabilidade.

Oito anos depois, Bressan foi transferido para a agência central da cidade de Franca (SP), onde assumiu com um objetivo: lutar para que a agência pudesse um dia estar entre as dez primeiras da Regional.

Mas o que era um sonho começou a se transformar rapidamente em pesadelo. Destaque de vendas, Bressan começou a incomodar os colegas com cargos acima do seu. Apesar dos problemas, o bancário conseguiu suportar o assédio moral constante que sofria por mais oito anos. Queria ser gerente e, para isso, agüentava a pressão e a falta de respeito de alguns gestores.

Dezesseis anos depois de ingressar no Bradesco, Bressan finalmente viu seu objetivo chegar. O bancário foi promovido e no dia 14 de agosto passado faria o seu curso de gerente. O que Bressan não esperava era que 34 dias antes seria demitido pelo Bradesco “antes mesmo que pudesse desfrutar de meu tão sonhado ideal”.

Além de frustrado, Bressan sentiu-se revoltado e enviou um e-mail para a Contraf-CUT para “desabafar”, como disse: “Inesperadamente encontrei-me totalmente perdido e frustrado por saber que dediquei dezesseis anos de minha vida, vestindo a camisa da empresa, superando meus limites, sofrendo assédio moral, mas mesmo assim me auto-motivando, por uma empresa que não valoriza o lado humano e muito menos profissional dos seus funcionários. Nem ao menos justificaram-me o motivo de minha saída”, relata.

Além da demissão imotivada, Bressan também ouviu uma série de boatos envolvendo seu nome, o que o deixou mais chateado ainda. “Achei um abuso, uma enorme falta de respeito. Além de tirarem o meu emprego, pretendiam com esses comentários maldosos tirarem também a minha dignidade”.

No e-mail enviado à Contraf-CUT, Bressan conta que hoje, passado o olho do furacão que mudou a sua vida, analisou sua trajetória no Bradesco e encontrou um motivo para resignar-se: “Tenho a certeza de que não perdi nada. Ao contrário, as metas absurdas e o ambiente hostil no qual convivia estavam debilitando a minha saúde e interferindo em minha vida pessoal”.

Segundo Bressan, nos últimos sete anos foi perseguido e humilhado pelos superiores. “Do banco Bradesco ficou apenas a imagem de um campeão em ganância e exploração de funcionários, adotando práticas que inclui sobrecarga de trabalho, pressão de chefia para o cumprimento de metas e para não fazer horas extras pagas, o que significa trabalho em ritmo alucinante (escravidão), sem falar do medo constante de ser o próximo da lista a perder o emprego”.

O bancário conclui o e-mail justificando que o se “desabafo” é para chamar a atenção e para alertar que o “Bradesco não prepara nenhum de seus funcionários para mercado de trabalho, mas a amizade e o respeito com os colegas de trabalho e clientes fazem a diferença”.

Campanha 2006

O assédio moral e a defesa do emprego são dois dos temas centrais desta Campanha Nacional 2006. Os trabalhadores do ramo financeiro já arrancaram da Fenaban o compromisso de instalar uma mesa específica para negociar e resolver o problema do assédio moral que tanto aflige os bancários.

“Esperamos agora seriedade dos banqueiros nesta mesa de negociações para definirmos medidas que combatam o assédio moral dentro das agências. E precisamos pressionar muito para que a Fenaban também aceite garantir o emprego dos trabalhadores. Este é um ponto que os bancos não querem nem ouvir falar. Eles chegaram a dizer em mesa de negociação que ajudaram a derrubar a adesão do Brasil à Convenção 158 da OIT (Organização Internacional do Trabalho), que impede a dispensa imotivada. Só com muita pressão e luta é que vamos ampliar as conquistas e impedir que histórias como a do colega Bressan continuem acontecendo”, finalizou Vagner Freitas, presidente da Contraf-CUT.

Fonte: Contraf-CUT

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