(São Paulo) O Banco Central (BC) elaborou um levantamento sobre as taxas médias de juros praticadas por instituições financeiras entre 26 março e 1º de abril.
A constatação é de que na maioria das modalidades de crédito a juros prefixados, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil têm oferecido taxas mais atraentes que os principais correntes privados.
De acordo com o jornal Valor Econômico, o governo está utilizando os bancos comerciais para criar um ambiente de concorrência favorável à queda de juros e isso é visível no estudo do BC.
“O esforço dos federais em servir de referência no universo dos cinco maiores bancos do país fica evidente sobretudo no cheque especial e no crédito pessoal. Nessas duas modalidades, entre os cinco maiores, CEF e BB ocupam os dois primeiros lugares no ranking das menores taxas”. Os outros bancos são Bradesco, Itaú e Unibanco.
Para a economista do Dieese – Subseção CNB/CUT, Yoná dos Santos, a finalidade dos bancos federais é estimular o microcrédito.
“Mesmo após a reestruturação do BB e da Caixa no governo FHC, que estavam prontos para ser privatizados, o governo atual assumiu o compromisso de reduzir as taxas de empréstimo”.
Yoná lembra também que é nos bancos públicos que a parcela mais pobre da população obtém crédito, é esse é um fator que pode estimular o aquecimento da economia. “Para isso é necessário investir mais em crédito”.
O Valor informa que “nas quatro modalidades de crédito a pessoas físicas, os juros da Caixa são os menores em três: cheque especial, crédito pessoal e financiamento de bens”.
A Caixa também oferece a menor taxa média para empréstimos em conta garantida – cheque especial de empresas.
O BB lidera, com a menor taxa dos cinco bancos, o desconto de duplicata e empréstimo para capital de giro em empresas. O banco levou a segunda colocação no cheque especial, no crédito pessoal e “hot money”.
“Ainda que estejam baixando, as menores taxas ainda são muito elevadas”, ressalta Yoná dos Santos.
Isso pode ser comprovado se analisarmos o caso dos juros cobrados no cheque especial. A Caixa cobra 125,97% ao ano. Já o Bradesco (com maior juro) 151,81% ao ano.
Um cidadão com uma dívida de R$ 10 mil no cheque especial, sem taxas punitivas adicionais, teria o saldo devedor final em R$ 22, 59 mil na Caixa e R$ 25, 18 mil no Bradesco.
Para o secretário-geral da CNB, Carlos Cordeiro, embora o rumo esteja correto – deve-se baixar os juros, sim – ainda há muito a ser feito nesse sentido.
“Os bancos devem baixar ainda mais suas taxas, porque o spread bancário ainda é o maior do mundo”.
Além disso, diz o secretário-geral da CNB, os juros são nocivos para o crescimento da economia e a geração de emprego e renda para o país.
Debate Nacional – A redução dos custos dos empréstimos bancários e a da taxa Selic – a fim de ampliar o crédito, o emprego e a renda – será alvo dos debates das Conferências Regionais e da Nacional dos Bancários, que será realizada nos dias 5 e 6 de junho em São Paulo.
Outros temas prioritários a serem tratados são: renda (envolvendo salário, abono, pisos), jornada de trabalho, ampliação do horário de atendimento, emprego e a ratificação da convenção 158 da OIT.
Fonte: Carolina Coronel – CNB/CUT com informações do Valor Econômico
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