fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 00:00 Sem categoria

Quem é quem no mundo do trabalho hoje ?

Worklover x Workaholic: quem é quem no mundo do trabalho hoje? Entrevista com Silvia Osso

Adital – Um é apaixonado pelo trabalho e o outro se dedica de uma forma viciante nas suas tarefas profissionais de forma que pode adoecer. Esses são os perfis dos worklovers e workaholics. Em entrevista à IHU On-Line, por email, a psicóloga Silvia Osso explica as diferenças entre esses dois perfis de trabalhadores e analisa seus posicionamentos no mundo do trabalho e como o stress influencia seus modos de vida. “O workaholic se dedica ao trabalho de forma que ele espera uma recompensa emocional proveniente disso. O worklover espera essa recompensa de outro tipo de convívio e experiência de vida”, definiu.

Silvia Osso é pedagoga, jornalista e psicóloga educacional e empresarial.

Confira a entrevista.

IHU On-Line – Como podemos diferenciar um workaholic de um worklover?

Silvia Osso – O “Worklover” é um apaixonado pelo trabalho, pois vive satisfeito com suas realizações; é mais aberto ao lidar com as dificuldades que surgem. Se as condições do trabalho vão mal, busca ajuda em vez de criticar ou esmorecer. Este “amante” trabalha muitas horas por dia de forma produtiva e nem percebe o tempo passar, sendo que esta satisfação se estende a sua vida pessoal. Ele consegue equilibrar bem sua vida pessoal com a do trabalho.

O “Workaholic” é um verdadeiro viciado no trabalho. Sua motivação pelo trabalho é muito alta, seu foco é o trabalho em si, mas sua insatisfação é permanente. Se a vida profissional vai mal, sofre, adoece, e tem dificuldade de reconhecer que precisa de ajuda. Geralmente trabalha muitas horas por dia, mas descuida-se da vida pessoal e da saúde. Foge dos problemas pessoais, familiares e se distancia do social. Sua vida se resume em afundar-se no trabalho, imaginando que isso é ser produtivo e que será, ou está sendo, reconhecido por isso.

IHU On-Line – De que forma o stress se manifesta na personalidade desses dois perfis?

Silvia Osso – Muitos workaholics acham que amam seus trabalhos e, por isso, trabalham muito. Mas só se dão conta que não o são quando alertados por algum Coaching [1] que são “viciados em trabalho” e que sua motivação pelo trabalho é muito alta. Se a vida profissional vai mal, sofre adoece e tem dificuldade de reconhecer que precisa de ajuda.

Os workaholics geralmente são indisciplinados, trabalham à exaustão, têm mais chances de sofrer doenças cardiovasculares, gastrites, depressão, uso de drogas, entre outras doenças físicas e psíquicas. Os ambulatórios de medicina do trabalho das grandes empresas estão cheios de casos desta natureza.

Já o worklover geralmente não manifesta o stress em sua personalidade. Porque ele consegue separar a vida pessoal da vida profissional e, por isso, ele cuida da saúde, faz esportes, ele faz coisas que realmente lhe dão prazer além do trabalho. Existe um stress, mas é um stress que acontece na vida normal de todo mundo. O worklover normalmente não tem aquele stress que provoca problemas físicos como gastrite e hipertensão, doenças que se manifestam nos workaholics. O workaholic se dedica ao trabalho de forma que ele espera uma recompensa emocional proveniente disso. O worklover espera essa recompensa de outro tipo de convívio e experiência de vida.

IHU On-Line – A senhora poderia apontar relações entre a geração Y e o stress?

Silvia Osso – A geração Y é formada tanto por workaholics quanto por worklovers. O problema não é ser Y, mas sim como se encara e utiliza o trabalho em sua vida.

IHU On-Line – Como a senhora vê esses dois perfis no mundo do trabalho hoje?

Silvia Osso – A geração Y, por exemplo, não é comprometida. Então, encontramos muitos que são mais worklover do que workaholic nesse grupo. No entanto, também é possível encontrar jovens na faixa etária dos 20 anos que estão tão estressados quanto os senhores de 55. Isso tem muito mais a ver com o perfil pessoal da pessoa do que com o profissional, porque há quem trabalhe em grandes corporações de geração Y que são pressionados o tempo inteiro e que apresentam o mesmo perfil de um workaholic. A classe médica, por exemplo, é um grupo pressionado e que pode trabalhar 36 horas seguidas atendendo pacientes.

Os workaholics e os worklovers são os perfis que representam a tipologia de quem está no mundo do trabalho hoje. Dentro do que se pode chamar normalidade, existe um terceiro perfil que alterna entre esses dois comportamentos.

IHU On-Line – Como o trabalho influencia nos modos de vida do worklover?

Silvia Osso – O worklover é aquela pessoa que está sempre de bem com a vida. De manhã, ele cumprimenta todo mundo. A vida para ele é algo prazeroso. O sucesso, para o worklover, é o que ele conquista todos os dias. Resultado, para esse perfil, se busca, mas ele não vai morrer pela empresa. São pessoas com um humor extremamente agradável e que compreendem melhor o ser humano.

IHU On-Line – Podemos dizer que o worklover é uma versão saudável do workaholic?

Silvia Osso – Com certeza. Na verdade, algumas pessoas são worklovers a vida toda, mas há workaholics que, por força da pressão e por terem tido problemas como infarto, começam a aprender que existe outra vida. Eles entendem que o trabalho não é uma recompensa por si só, mas sim um processo produtivo.

IHU On-Line – Mas dedicar-se demais ao trabalho, tanto no caso do worklover quanto do workaholic, não é doença?

Silvia Osso – Não, porque se é um prazer, não é uma doença. A doença vem para o indivíduo que não consegue equilibrar todos os perfis que ele tem no dia-a-dia. Todos nós precisamos de recompensa e stress, mas tudo tem que ter um equilíbrio.

Nota:

[1] Coaching é um processo definido em comum acordo entre um profissional (coach) e um cliente (que pode ser um trabalhador ou uma empresa), onde o coach apoia o cliente na busca de realizar metas de curto, médio e longo prazo, através da identificação e uso das próprias competências desenvolvidas, como também do reconhecimento e superação das fragilidades.

Por Instituto Humanitas Unisinos (IHU).

====================================

15/3/2010 – 19:09:26
Pochmann recomenda aumento de idade mínima para começar a trabalhar

“As mudanças nos levam a postergar o ingresso dos jovens no mercado de trabalho para depois dos 20 anos”, pregou Márcio Pochmann, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), em evento sobre trabalho infanto-juvenil

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, destacou a necessidade de “elevar a idade mínima” legalmente estabelecida (16 anos) para o início das atividades laborais “frente à sociedade que estamos construindo hoje, a pós-industrial”. A recomendação foi feita durante a abertura do 3º Seminário Nacional sobre Trabalho Infanto-Juvenil, realizado em São José dos Campos (SP).

“As mudanças demográficas nos levam a postergar o ingresso dos jovens no mercado de trabalho para depois dos 20 anos de idade, ao contrário do que se via na era agrícola no século XIX, que obrigava a criança a trabalhar com apenas cinco anos, em média”, sustentou, em palestra nesta quinta-feira (11), o economista.

Autor de mais de 20 livros sobre inclusão social, desenvolvimento econômico e políticas de emprego, Márcio insiste que, na atual “sociedade do conhecimento” em que vivemos, não há justificativa técnica para que as pessoas comecem a trabalhar antes dos 25 anos de idade.

O presidente do Ipea ressalta que filhos de famílias ricas raramente começam a trabalhar efetivamente antes dos 25 anos de idade, depois de muito invvestimento e tempo dedicado à formação. Enquanto isso, salienta o professor do Centro de Estudos Sindicais e de Economia do Trabalho (Cesit) da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), filhos de pais pobres são condenados a começar a trabalhar cedo, não conseguem evoluir em termos de formação e acabam ocupando postos de baixa qualificação e mau remunerados que compõem a base do mercado de trabalho.

São cerca de 37 milhões de jovens brasileiros na faixa etária de 16 a 24 anos. Metade não estuda. E, segundo o economista, os que estão na escola são trabalhadores que estudam e não estudantes que trabalham. Apenas em 2009, aproximadamente 500 mil jovens abandonarão o ensino médio para complementar a renda de seus respectivos lares.

Congresso

Mesmo com parecer favorável do relator Maurício Quintela (PR-AL), proposta de Emenda à Constituição (PEC) que reduz a idade mínima para trabalhar para 14 anos foi rejeitada, em agosto de 2009, na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania (CCJ) da Câmara dos Deputados. A lei permite a contratação apenas de aprendizes com idade mínima de 14 anos.

“Isso seria um retrocesso para o desenvolvimento do país e para os direitos da criança e do adolescente”, avaliou, na ocasião, o coordenador do Programa Internacional para a Eliminação do Trabalho Infantil (IPEC) da Organização Internacional do Trabalho (OIT), Renato Mendes. Segundo ele, o argumento de que o trabalho ajuda a tirar adolescentes da pobreza não pode ser sustentado, pois o dever de dar condições de sobrevivência enquanto eles estudam é do Estado. “A pobreza é um elemento que explica o trabalho infantil, mas não pode justificar essa forma de trabalho”, declarou.

O relator manteve posição favorável à redução. “Já existe uma situação no Brasil em que os jovens de 14, 15 e 16 anos já trabalham. Só que trabalham na informalidade”, justificou. “Eu acho que a PEC restaurava o direito da juventude ao trabalho, mas ela não obrigaria ninguém a trabalhar”.

Seminário

Juízes, procuradores, auditores, advogados, assistentes sociais, membros de conselhos tutelares, professores e estudantes participam do 3º Seminário Nacional sobre Trabalho Infanto-Juvenil, que continua nesta sexta-feira (12). O evento, que é uma realização conjunta da Associação dos Magistrados da Justiça do Trabalho da 15ª Região (Amatra XV), da Associação Nacional dos Magistrados do Trabalho (Anamatra), da Escola Judicial do TRT da 15ª Região, do Ministério Público do Trabalho (MPT) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) Subseção de São José dos Campos, ocorre no Parque Tecnológico Riugi Kojima, no km 137,8 da Rodovia Presidente Dutra.

No segundo dia de evento, o procurador Bernardo Leôncio Moura Coelho apresenta o painel “as políticas públicas de prevenção e erradicação do trabalho infantil no Brasil”. O juiz do trabalho aposentado e professor da Universidade de São Paulo (USP) Oris de Oliveira fará o encerramento do seminário, com a conferência “Desafios da erradicação do trabalho infantil”.

Estão ainda na pauta temas como acidentes do trabalho na infância e na adolescência, trabalho infanto-juvenil artístico, nova legislação do estágio, consequências na esfera criminal da exploração do trabalho infanto-juvenil e violência sexual contra a criança e o adolescente.

As inscrições podem ser feitas mediante a doação de dois quilos de alimentos não perecíveis ou ao custo de R$ 10. Tudo o que for arrecadado será revertido para a Cruzada Paroquial de Assistência Casa das Meninas/Meninos e para a Obra Social e Assistencial Maria Teresa de São José – Nica Veneziane, ambas de São José dos Campos (SP).

Por Repórter Brasi. Com informações da assessoria de comunicação da Procuradoria Regional do Trabalho da 15a Região (TRT-15), da Caros Amigos e da Agência Brasil.

NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.reporterbrasil.org.br.

==============================================

Crianças, trabalhem. Pois só o trabalho liberta!

O presidente do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), Márcio Pochmann, defendeu o aumento na idade mínima legal para se começar a trabalhar no Brasil. Segundo ele, “as mudanças demográficas nos levam a postergar o ingresso dos jovens no mercado de trabalho para depois dos 20 anos de idade, ao contrário do que se via na era agrícola no século 19, que obrigava a criança a trabalhar com apenas cinco anos, em média”. O tema foi abordado durante 3º Seminário Nacional sobre Trabalho Infanto-Juvenil, realizado em São José dos Campos (SP).

Conforme notícia divulgada pela Repórter Brasil, Pochmann ressaltou que filhos de famílias ricas raramente começam a trabalhar efetivamente antes dos 25 anos de idade – e depois de muito investimento e tempo de formação. Enquanto isso, filhos de pais pobres são condenados a começar a trabalhar cedo, não conseguem evoluir em termos de formação e acabam ocupando postos de baixa qualificação e mal remunerados que compõem a base do mercado de trabalho.

O artigo 7º da Constituição diz que é ilegal o trabalho noturno, perigoso ou insalubre de crianças e adolescentes com menos de 18 e de qualquer trabalho a menores de 16 anos, salvo na condição de aprendiz, a partir dos 14 anos. No ano passado, tentaram baixar a idade legal para 14 anos no Congresso Nacional, mas a proposta foi barrada – felizmente.

Até entendo que muita gente sinta que sua experiência de superação é bonita o suficiente para ser copiada pelo seu filho ou filha. Mas será que eles não imaginam que o trabalho infantil, que atrapalha o desenvolvimento da criança, não precisa ser hereditário?

Quem acompanha este blog sabe do que estou falando. Casos como os das crianças potiguares que abatiam gado e reviravam tripas de bois em matadouros no interior do Rio Grande do Norte ou dos jovens que colhiam limão e dormiam com ratos a menos de 100 quilômetros da capital paulista são uma vergonha para o país. Parte dos empresários, temendo repercussões negativas para a imagem de seus produtos e serviços, têm olhado para as suas cadeias produtivas com mais cuidado. Outros, com a certeza de que continuarão com seus mercados fazem de conta que não é com eles e usam justificativas como: “ah, mas na China e na Índia a situação é pior”. E a infância vai sendo tragada pelo ralo da economia.

Em 2008, o Brasil tinha 4,5 milhões de crianças e adolescentes trabalhando – um total 0,7% menor que no ano anterior, mas ainda assustadoramente alto. Os dados são da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD). Diante disso, o trabalho dos auditores fiscais do trabalho que retiram criançam dessas condições é louvável, mas ainda uma gota. Deveria vir acompanhada de ações mais contundentes de prevenção – educação básica de qualidade, presença de serviços públicos como saúde e saneamento, geração de emprego e renda decentes – caso contrário isso é apenas enxugar gelo. Isso sem contar com a punição para as cadeias produtivas que lucram com o trabalho infantil, o que ainda engatinha no país.

E o mais triste de tudo isso é ver parte dos trabalhadores, que foi acostumada a ser explorada, passando a justificar a própria exploração, dizendo que quem pega duro desde cedo cresce com caráter lapidado, repetindo bovinamente um discurso que a eles foi reservado: só o trabalho liberta.

Por Leonardo Sakamoto.

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO http://blogdosakamoto.uol.com.br

========================================

Trabalhar menos para que todos trabalhem
Reproduzo artigo do sociólogo Emir Sader, publicado no sítio Carta Maior:

O capitalismo é o sistema econômico que mais transformou a face da humanidade até aqui – como o próprio Marx havia reconhecido no Manifesto Comunista. Porém, a estrutura central do capitalismo se articula pela separação entre os produtores da riqueza e os que se apropriam dela, entre os trabalhadores e os capitalistas.

Esse processo de alienação do trabalho – em que o trabalhador entrega a outro o produto do seu trabalho – percorre todo o processo produtivo e a vida social. O trabalhador não se reconhece no que produz, não decide o que vai produzir, com que ritmo vai produzir, qual o preço de venda do que ele produz, para quem ele vai produzir. Ele é vítima do trabalho alienado, que cruza toda a sociedade capitalista. Ele não se reconhece no produto do seu trabalho, assim como o capitalismo não reconhece o papel essencial do trabalhador na sociedade contemporânea.

A luta dos trabalhadores, ao longo dos últimos séculos foi a luta de resistência à exploração do trabalho. Esta se dá pela apropriação do valor do trabalho incorporado às mercadorias, que não é pago ao trabalhador e alimenta o processo de acumulação de capital.

Não por acaso o Primeiro de Maio, Dia do Trabalhador, foi escolhido para recordar o massacre de trabalhadores em mobilização realizada em Chicago, pela redução da jornada de trabalho – uma das formas de busca de diminuição da taxa de exploração do trabalho.

Neste ano o tema central do Primeiro de Maio será o da diminuição da jornada de trabalho. A grande maioria da população vive do seu trabalho, acorda bem cedo, gasta muito tempo para chegar a seu local de trabalho, onde ficará a maior parte do seu dia, gastando muito tempo para retornar, cansada, apenas para recompor suas energias e retomar no dia seguinte o mesmo tipo de jornada. Para trabalhar de forma alienada e receber um salário que, em grande parte dos casos, não basta sequer para satisfazer suas necessidades básicas. Uma vida tão sacrificada produz todas as riquezas do país, embora não tenha o reconhecimento e a remuneração devida.

Só isso bastaria para que um dos objetivos nacionais devesse ser o da redução da jornada de trabalho. Que o desenvolvimento tecnológico não seja apropriado pelos grandes capitalistas para maximizar a taxa de lucro, mas reverta para a diminuição da jornada de trabalho, para o pleno emprego, para a melhoria das condições de trabalho da massa trabalhadora.

Que o Brasil conclua os dois mandatos de um trabalhador como presidente da República diminuindo a jornada de trabalho!

ARTIGO COLHIDO NO SÍTIO http://altamiroborges.blogspot.com/2010/04/trabalhar-menos-para-que-todos.html

Close