Para médico sindicalista, é melhor ser atendido pelo SUS, que não recusa paciente
São Paulo – Embora reconheça que o serviço de saúde privado cumpre um importante papel e que sem ele o Estado teria ainda mais dificuldades para oferecer à população um serviço de qualidade, o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes, defende as vantagens do Sistema Único de Saúde (SUS) sobre os convênios particulares.
“Apesar da constante preocupação com a falta de recursos, no serviço público não se recusa atendimento, especialmente na urgência, nos tratamentos de alta complexidade e na oferta de medicamento de alto custo. Já na assistência privada, todos os dias nós observamos recusas de procedimentos”, declarou Carvalhaes à Agência Brasil, alegando que, apesar dos problemas, a assistência pública é “muito superior aos convênios particulares. “
De acordo com o médico, nenhum plano de saúde privado tem, hoje, condições plenas de oferecer assistência de urgência. Carvalhaes também questiona o fato de os procedimentos médicos de alta complexidade, como transplantes (exceto de córneas), tratamento de queimados, cirurgias complexas e distribuição de medicamentos de alto custo, serem feito pelo SUS mesmo quando o paciente paga por um plano privado.
“É preciso fortalecer o SUS e esclarecer as pessoas que, caso elas tenham uma doença mais grave, um traumatismo ou um acidente grave, acabarão sendo atendidas pelo SUS. E que elas devem torcer para que isso de fato aconteça porque nenhum hospital particular do país dispõe de um serviço de atendimento de urgência, de um pronto-socorro pleno. Todos têm equipes incompletas”, critica o médico.
A presidente da União Nacional das Instituições de Autogestão em Saúde (Unidas), Iolanda Ramos, refuta a acusação de que os hospitais particulares não estejam aptos a atender emergências mais graves, mas admite que os casos complexos e a distribuição de medicamentos caros ainda são problemas para as operadoras, pois encarecem demais os custos das empresas.
“Não nego que haja problemas e é isso que justifica a existência da ANS [Agência Nacional de Saúde Suplementar], que tem autuado as empresas com problemas. Mas, se o número de usuários vem crescendo, se alguém contrata um plano de saúde, é porque as pessoas consideram isso importante. Imagina o serviço público, com todas as suas carências, tendo que atender aos mais de 50 milhões de clientes de planos particulares. Haveria um colapso”, alega Iolanda.
Com base nas reclamações recebidas pelos procons de 24 estados, a assistente de direção do Procon-SP, Selma do Amaral, sustenta que, apesar dos avanços recentes, a insatisfação com os planos é grande e motivada, principalmente, pelos aspectos citados por Carvalhaes. “Existe uma insuficiência das redes de atendimento às pessoas que todos os meses pagam um plano e que, na hora em que precisam dele, encontram problemas semelhantes aos encontrados pelos usuários da rede pública”, afirma Selma, para quem é necessário regulamentar a obrigação das operadoras de manter a oferta de consultórios, laboratórios e clínicas contratadas, como já acontece com os hospitais.
Algo com que a própria presidente da Unidas concorda. “A lei ainda não trata disso, mas estou certa de que, em breve, isso irá acontecer. Este é um mercado em constante mudança e altamente regulado de forma a garantir os direitos dos consumidores”.
Sem minimizar os problemas dos hospitais públicos, Carvalhaes atribui à publicidade e à mídia parte do interesse de uma parcela da população pelos planos de saúde. Para ele, a imprensa tende a adotar uma posição extremamente crítica em relação ao serviço público, expondo, “corretamente”, qualquer problema, enquanto trata de forma mais amena o que se passa nos hospitais particulares. “Isso induz a um conceito equivocado quanto à qualidade dos serviços oferecidos pelo SUS. Se não houvesse os serviços suplementares, o Estado teria que encontrar uma alternativa, que eu não sei qual é, para garantir o atendimento a todos os cidadãos.
Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil. Edição: Vinicius Doria.
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Planos de saúde remuneram mal os médicos conveniados, reclama sindicato
Brasília – Os valores pagos pelas empresas operadoras de planos de saúde aos médicos conveniados têm provocado insatisfação entre os profissionais e, segundo o presidente do Sindicato dos Médicos de São Paulo, Cid Carvalhaes, prejudicado os pacientes que procuram atendimento nos consultórios e hospitais particulares. De acordo com Carvalhaes, os profissionais têm sido obrigados a atender a cada vez mais gente para conseguir fazer frente aos custos de um consultório, eliminando o que deveria ser um dos diferenciais do serviço privado em relação ao público, oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS). Com isso, reclamações de pacientes afirmando não terem sido bem atendidos se tornaram frequentes.
Segundo Carvalhaes, um médico que atende a um paciente em seu próprio consultório recebe, em média, R$ 2 a menos do que receberia por uma consulta no SUS. A conta, segundo ele, é simples. As operadoras pagam aos profissionais, em média, R$ 29 por atendimento. Tendo São Paulo como exemplo, o custo para se manter um consultório, com despesas como aluguel, salário de funcionários, água, luz, telefone e mais os gastos operacionais é de cerca de R$ 22 por consulta. O lucro é de apenas R$ 7. No SUS, o médico receberia R$ 9 livres pelo mesmo serviço.
Como a quantia paga varia conforme a localidade, Carvalhaes disse que o problema não se altera muito quando se consideram outras cidades, onde os custos são menores e a remuneração, idem.
Em razão dos valores pagos aos ginecologistas e obstetras, a Associação de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo (Sogesp) lidera um movimento reivindicatório que pode levar os filiados a uma paralisação de advertência no dia 18 de outubro. Os profissionais esperam renegociar com as operadoras os R$ 200 pagos, em média, por um parto e os R$ 25 pagos por uma consulta ginecológica. Para demonstrar o que entende ser uma distorção, a categoria cita que um cinegrafista recebe, em média, R$ 400 para filmar um parto enquanto algumas maternidades cobram até R$ 250 para que um parente da gestante acompanhe o nascimento da criança.
Por Alex Rodrigues – Repórter da Agência Brasil. Edição: Vinicius Doria.
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