Intransigência, descaso e arrogância: o balanço das primeiras rodadas de negociação
A intransigência e a má vontade dos banqueiros em dialogar marcaram as primeiras rodadas de negociação desta Campanha Salarial. Com uma atitude arrogante e endurecida, a FENABAN tratou com descaso as reivindicações propostas pelos trabalhadores bancários. Durante os quatro dias das duas primeiras rodadas, o sindicato patronal não permitiu que se discutisse os itens de avanço na construção da Convenção Coletiva de 2011/2012. Ao contrário, não negociou absolutamente nada de novo com o Comando Nacional, preferindo “empurrar com a barriga” os debates sobre as conquistas reivindicadas pelos bancários. “O que observamos durante as reuniões é uma grande irresponsabilidade por parte dos negociadores, que desconhecem totalmente a realidade dentro dos bancos”, critica Otávio Dias, presidente do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região.
As negociações, que começaram na semana passada, têm desagradado os representantes do Comando Nacional. Para Elias Jordão, presidente da FETEC-CUT-PR, a postura firme e propositiva dos bancários, pressionando pela aprovação das reivindicações e apresentando dados que demonstram a atual situação degradante que os bancos estão oferecendo a seus funcionários, tem provocado descontentamento na FENABAN, que opta por cercear o diálogo. “Nós estamos expondo números de pesquisas que são um retrato fiel da realidade dos bancos, que todo bancário convive diariamente e os patrões insistem em fechar os olhos, fingindo que não acontece”, critica.
As negociações tiveram início com as discussões sobre emprego. Os trabalhadores apresentaram como avanços necessários a garantia de emprego e a ratificação da Convenção 158 da Organização Internacional do Trabalho (OIT), o fim das terceirizações, a extensão do abono-assiduidade a todos os bancários e a inclusão bancária sem precarização no atendimento e nas condições de trabalho.
Os negociadores desdenharam das reivindicações e chegaram a afirmar que a garantia de emprego não é importante para a categoria. “Respondemos que nossas consultas e pesquisas indicam o contrário, que os bancários estão muito preocupados com o emprego, e deixamos claro que não será possível fechar acordo este ano sem resolver essa questão”, afirma Carlos Cordeiro, presidente da Contraf-CUT e coordenador do Comando Nacional.
No segundo dia, o tema das negociações foi sobre as cláusulas sociais. O Comando Nacional reivindicou mais contratações de trabalhadores negros nos bancos e igualdade salarial entre homens e mulheres. Em relação às melhorias no atendimento aos clientes, propôs-se a contratação de mais funcionários e o trabalho em dois turnos, para diminuir as filas e cumprir as 6 horas de trabalho dos bancários, mas o sindicato patronal afirmou que esta reivindicação deve ser levada à FEBRABAN (aliás, FENABAN é o nome do sindicato que representa a associação de bancos, denominada FEBRABAN) e ao Banco Central, e que não cabe na mesa de negociação.
Negociações continuam sem avanços
Na segunda rodada de negociações, nestas segunda e terça-feira, os representantes dos bancos e os dos trabalhadores discutiram sobre saúde e condições de trabalho. Os banqueiros chegaram a questionar a veracidade das pesquisas que apontam o aumento do número de adoecimentos na categoria bancária em razão da pressão por aumento das metas “Para os banqueiros, todo mundo tem que ter alguma meta na vida e pra eles as doenças que acometem os bancários e o assédio moral não estão relacionados com as metas. Eles afirmam que exageramos nos números dos bancários adoecidos inclusive com casos extremos de suicídios, mas pesquisas e dados que temos demonstram que os números são assustadores”, revela Elias.
No segundo dia de reunião, mais uma vez, predominou o descaso. O debate não durou sequer uma hora e todas as reivindicações dos trabalhadores sobre segurança foram sumariamente negadas. Para a FENABAN, tais temas devem ser avaliados nas comissões de discussão temática. “Mais um artifício dos banqueiros para atravancar o debate. Está claro que eles não estão preocupados com a segurança de bancários, nem de clientes e usuários do sistema financeiro. O que importa é apenas o lucro!”, avalia Otávio Dias.
Para o presidente da FETEC-CUT-PR o aspecto positivo dessas primeiras negociações foi que o Comando Nacional colocou os bancos contra a parede, exigindo que as pendências e os avanços requeridos pelos trabalhadores sejam discutidos e negociados. Já o lado negativo ficou por conta da intransigência patronal que não permitiu em nenhum momento que a negociação avançasse. “O tamanho das nossas conquistas vai ser definido pelo tamanho das nossas mobilizações. Precisamos nos preparar para estarmos firmes e fortes no momento em que a greve for aprovada pela nossa categoria, isso se for necessária a paralisação das nossas atividades”, ressalta Elias.
Na próxima segunda-feira, dia 12, vai acontecer a rodada de negociação sobre remuneração.
Por Cícero Bittencourt, com SEEB Curitiba e Contraf-Cut
FETEC-CUT-PR
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Sindicato realiza plenária de organização da campanha
PARTICIPE DA PLENÁRIA DE ORGANIZAÇÃO DOS BANCÁRIOS PARA A CAMPANHA SALARIAL E ADOTE UMA AGÊNCIA
O Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e Região convoca todos os trabalhadores de sua base para participar de Plenária da Campanha Nacional dos Bancários 2011, que será realizada na próxima quarta-feira, 14 de setembro, às 18h30. O objetivo é unir toda a categoria para organização dos atos e mobilização da campanha salarial, que já começou e está a todo o vapor.
Plenária – O encontro, que será no Espaço Cultural dos Bancários, pretende sistematizar junto aos trabalhadores da base a melhor maneira de todos participarem dos atos para pressionar as negociações com a Fenaban. Lembre-se: todos os benefícios que os bancários possuem, como licença-maternidade de 180 dias, jornada de seis horas, auxílio-educação, vale-alimentação ou refeição, entre outros, não fazem parte de um pacote de bondades dos banqueiros. É fruto de muita luta e mobilização da categoria, durante anos. E para conquistar ainda mais é necessário a colaboração de todos.
Jogo duro – As duas primeiras rodadas de negociação, sobre emprego, saúde e condições de trabalho, já se encerraram e não há nenhuma expectativa de avanços sem que os trabalhadores exijam melhorias através da mobilização. E hoje ainda está ocorrendo o debate sobre segurança.
A Fenaban insiste que a rotatividade não tem afetado o setor financeiro e que coibir as demissões imotivadas irá inviabilizar novas contratações. Além disso, para os banqueiros, também não existe assédio moral e metas abusivas nos bancos. Nas mesas de negociações, o descaso com os trabalhadores fica evidente, situação que só será alterada se os bancários se unirem.
Adote uma agência – Para pressionar a classe patronal a atender as necessidades da categoria, o Sindicato está lançando a campanha “Adote uma agência”. Comparecendo à Plenária, você poderá escolher um local para ser responsável pela mobilização dos colegas e contribuir com outras atividades, como a distribuição de materiais ou o relacionamento com os clientes, por exemplo, para que eles entendam a luta da categoria. Essa parceria irá tornar a campanha salarial ainda maior.
Fique por dentro – Todas as informações das negociações da Campanha Nacional dos Bancários 2011 estão sendo constantemente atualizadas neste site, no Twitter (@bancariosctba) e no Facebook (facebook.com/bancariosdecuritiba). A campanha “Adote uma agência” começa agora e também já está sendo divulgada. Mas atenção: para aderir e participar ativamente da campanha salarial é preciso organização, que será sistematizada na Plenária do dia 14.
Plenária de organização da Campanha Nacional dos Bancários 2011
Data: quarta-feira, 14 de setembro de 2011
Horário: a partir das 18h30min
Local: Espaço Cultural dos Bancários (Rua Piquiri, 380, bairro Rebouças, Curitiba-PR)
Por: Paula Padilha
NOTÍCIA COLHIDA NO SÍTIO www.bancariosdecuritiba.org.br