fetec@fetecpr.com.br | (41) 3322-9885 | (41) 3324-5636

Por 00:18 Sem categoria

Acompanhe a Conferência do Trabalho Decente

Centrais sindicais defendem fim das práticas antissindicais na Conferência do Trabalho Decente

Trabalhadores estarão unidos para aprovar propostas que ampliem livre organização no local de trabalho

Escrito por: Luiz Carvalho

Começou nesta quarta-feira (8), no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília, a I Conferência de Emprego e Trabalho Decente. Até o próximo sábado (11), cerca de 1.300 representantes de trabalhadores, empregadores e governo irão debater as 637 propostas consolidadas a partir das etapas estaduais do encontro.

Com o tema “Gerar Emprego e Trabalho Decente para Combater a Pobreza e as Desigualdades Sociais”, a conferência definirá as propostas que irão subsidiar as políticas públicas de governo para os próximos anos nas áreas de trabalho, emprego e renda.

O embate não será fácil: cada setor da sociedade – trabalhadores, governo e empregadores – contarão com 30% do total de pessoas aptas a votar. A sociedade civil entra com 10%. Portanto, nenhum setor é capaz de aprovar, na plenária final, qualquer definição sem construir alianças.

Maior delegação entre os representantes dos trabalhadores – 153 delegados, 43,5% do total destinado a cada bancada – a CUT sabe da responsabilidade de comandar o movimento sindical na luta para aprovar medidas que impliquem em leis contra práticas antissindicais e permitam a livre organização no local de trabalho.

“Não vamos abrir mão de levar até o fim do processo de votação o compromisso de o Brasil ratificar as convenções 158 (sobre a garantia de emprego contra a demissão imotivada) – e 189 (garante às domésticas os mesmos direitos dos demais trabalhadores) da OIT (Organização Internacional do Trabalho), além da redução da jornada para 40 horas semanais sem redução  de salário”, apontou a secretária da Mulher Trabalhadora da CUT, Rosane Silva, durante encontro das centrais que unificou a posição em defesa desses temas.

O fim do interdito proibitório, uma afronta ao direito constitucional à greve, e a luta pela livre organização e financiamento, sem interferência do Estado ou de patrões, também estarão na pauta prioritária do movimento sindical.

Ao lado de Rosane, o secretário de Administração e Finanças da Central, Quintino Severo, representa a Central na coordenação da Conferência. Ele lembra que a banca dos trabalhadores deve estar atenta para que os empresários não utilizem os debates como forma de emplacar retrocessos. Por exemplo, tentando redefinir o conceito de trabalho escravo, amenizando a pena aos que exploram a mão de obra no Brasil.

“Não podemos dar brecha para que emplaquem isso. Inclusive, porque, para nós trabalho escravo não é apenas a falta de salários e carteira assinada, mas também não ter condições dignas de alimentação, de transporte e hospedagem. Será isso que defenderemos”, comenta Quintino.

CUT representa movimento sindical na abertura –A I Conferência Nacional do Emprego e Trabalho Decente está marcada para as 16h30 desta quarta, com a presença da presidenta Dilma Rousseff. Em nome dos trabalhadores falará o presidente da CUT, Vagner Freitas.

Clique aqui para ver a programação completa.

I Conferência de Emprego e Trabalho Decente
8 a 11 de agosto, em Brasília
Local: Centro de Convenções Ulysses Guimarães (Eixo Monumental, s/n – Brasília)

Para saber mais:

Clique aqui para acessar a cartilha “Trabalho Decente na Estratégia da CUT”
Clique aqui para acessar o Jornal da CUT com as propostas que nortearam nossa atuação nas etapas estaduais da conferênca

=====================================

Trabalhadores defendem liberdade sindical e empresários, flexibilização de direitos

Na abertura da I Conferência do Trabalho Decente, Centrais também divulgam ação contra Decreto nᵒ 777

Escrito por: Luiz Carvalho, de Brasília

A abertura da I Conferência do Trabalho Decente, nesta quarta-feira (8), em Brasília, foi uma demonstração do que o movimento sindical pode esperar nos próximos dias.

De um lado, os trabalhadores cobrando negociação e ampliação de direitos. Do outro, patrões reclamando da legislação trabalhista, dos impostos e, se o tempo fosse um pouco maior, talvez sobrasse até para a abolição da escravatura.

Diante de sete ministros, mas sem a presença da presidenta Dilma Rousseff, o presidente da CUT, Vagner Freitas, escolhido pelas centrais sindicais para falar em nome da bancada dos trabalhadores, enfatizou que o diálogo e o respeito organização sindical é parte fundamental da agenda do trabalho decente.

Responsabilidade dos patrões

Primeiro, ele citou o setor privado e cobrou responsabilidade dos empresários para acabar com a utilização de medidas como o interdito proibitório e o dissídio coletivo para fugir da negociação.

“As empresas precisam se modernizar para incorporar o contrato coletivo de trabalho e abdicar de expedientes judiciais para solução de conflitos.”

A seguir, Freitas criticou o governo federal pela forma como tem conduzido a negociação com os servidores em greve, defendeu a regulamentação da Convenção 151 da Organização Internacional do Trabalho (151) – sobre o princípio da negociação coletiva no setor – e afirmou que as centrais combaterão unidas o famigerado Decreto nᵒ 777 – que prevê a substituição dos servidores federais em greve por outros estaduais e municipais.

“A greve é uma demonstração de que esse modelo de gestão é arcaico e está falido. Não existe negociação quando governo não faz contraproposta. As centrais vão entrar com uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalidade) porque julgamos o Decreto nᵒ 777 como inconstitucional”, disse.

Não à precarização

Em resposta à bancada dos patrões, que cobrou a diminuição de custos, sem citar quais seriam as contrapartidas para esses cortes, o presidente da Central destacou que o Brasil não pode seguir o modelo europeu para combater a crise, com aperto fiscal, arrocho salarial e redução do acesso ao crédito.  Primeiro, porque foi exatamente o caminho contrário o responsável pelo país enfrentar com menos prejuízos a crise. E, segundo, porque tais ações mostraram-se desastrosas.

“Ainda ontem, um pacote foi aprovado na Itália com corte de 10% dos salários dos servidores públicos. Que não tentem fazer isso no Brasil, porque não permitiremos”, deixou claro, acrescentando que a Espanha, outra a adotar esse receituário, castiga os jovens com nível de desemprego de 47%.

Para Freitas, a curtíssima prazo, o Brasil precisa erradicar o trabalho escravo, e não apenas nas lavouras no interior do Brasil, mas também em lugares como oficinas de costuras das grandes metrópoles, que produzem para grandes marcas. “Tão importante quanto a aprovação da PEC do Trabalho Escravo é a regulamentação para que seja colocada em prática.”

Em sua intervenção, ele tratou ainda de outros pontos presentes na pauta da bancada dos trabalhadores, como a necessidade de reduzir a jornada para 40 horas semanais, a regulamentação da terceirização e o combate á informalidade, partindo da ratificação da Convenção 189 da OIT, que garante às domésticas os mesmos direitos já conquistados pelos demais trabalhadores.

Freitas definiu ainda como essencial a ratificação da Convenção 158, contra a demissão imotivada para acabar com a rotatividade da mão de obra, expediente utilizado em larga escala para achatar salários. .

Ao final, o presidente da CUT lembrou que um ambiente de liberdade depende do poder de intervenção dos movimentos sociais.

“Somente com organizações sindicais fortes é possível construir uma verdadeira democracia no Brasil.”

Patrões querem moleza

Representante da bancada patronal e presidente da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Robson Braga, deixou bem claro com quais as cartas que os empresários irão jogar.

Classificou a legislação trabalhista brasileira como muito rigorosa e impeditiva às contratações, sendo urgente a necessidade de reforma – portanto, de retirar direitos.

Como não poderia deixar de ser, defendeu a desoneração da folha de pagamentos, sem citar contrapartidas ou como financiar a previdência. “O custo do trabalho vem crescendo, o que indica uma situação insustentável para o emprego.”

Sobre a aplicação do conceito de trabalho decente, a observação foi primorosa. “Não basta aprovar leis que obrigam a formalização e a prática do trabalho decente. É preciso remover obstáculos.”

No mundo do homem da CNI, a luta de classes acabou e a realidade agora é outra. “O conflito interno perdeu sentido, pois o desafio agora é externo”, referendo-se ao fator competitividade.

Tensão no discurso do governo – O momento mais tenso da I Conferência do Trabalho Decente aconteceu na intervenção do ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Um grupo de servidores com cartazes e apitos passou a vaiar o representante do governo e cobrou diálogo da presidenta Dilma.

Carvalho afirmou que o governo demonstrava maturidade ao enfrentar esse tipo de manifestação e que a democracia também se faz com a capacidade de se manifestar e ouvir. Citou a valorização dos funcionários públicos durante os noves anos de governo Lula e Dilma e ressaltou os compromissos para melhorias das condições de trabalho nos setores da cana-de-açúcar e da construção civil. Além de afirmar que outros virão nas áreas têxtil e de turismo.

Porém, diante da manifestação ininterrupta, o ministro terminou sua participação que no tempo oportuno a proposta virá, mas que não aceitava a indelicadeza dos manifestantes, sendo aplaudido por parte do auditório.

Grupos temáticos

A conferência continua nesta quinta-feira (9) com o início do debate nos 12 grupos temáticos ligados aos três eixos do encontro: Princípios e Direitos; Proteção Social; Trabalho e Emprego e Diálogo Social.

Única central sindical que participa de todos os grupos, a CUT coordenará os trabalhos sobre o tema “Políticas Macroeconômicas de crédito e investimento para geração de mais e melhores empregos”, que discutirá questões como as convenções 158, 156, o fator previdenciário a e redução da jornada.

A central ainda irá secretariar o grupo 3, sobre “Segurança e saúde no trabalho”, além de atuar como relatora no 4, que tratará de “Prevenção e erradicação do trabalho infantil, escravo e do tráfico de pessoas e migração para o trabalho.”

NOTÍCIAS COLHIDAS NO SÍTIO www.cut.org.br

Close