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Por 11:17 Recentes, Regional Vida Bancária

Bancos lucram como nunca. E os bancários? O que 2026 pode decidir

Os números não deixam margem para dúvida. Mesmo em um ambiente econômico de crescimento contido e juros elevados, os grandes bancos que operam no Brasil seguem acumulando lucros recordes. Os resultados dos grandes bancos foram consistentes de 2022 a 2024, mantendo a tendência de lucros recordes em 2025. O sistema financeiro vai bem. Já para quem trabalha nele, o cenário é bem menos favorável.

Enquanto os balanços celebram bilhões, o cotidiano bancário é marcado por fechamento de agências, cortes de postos de trabalho, metas cada vez mais agressivas e um aumento visível do adoecimento físico e mental. A conta da rentabilidade tem sido paga pelos trabalhadores e pelo atendimento à população.

É nesse contraste que 2026 surge como um ano-chave. Ano eleitoral, de disputas políticas intensas no Congresso, de decisões relevantes no Judiciário e de definição sobre qual projeto de país vai prevalecer. Para os bancários, não se trata apenas de acompanhar o cenário, mas de intervir nele.

A experiência recente mostra que os lucros do setor financeiro não se convertem automaticamente em empregos, melhores salários ou melhores condições de trabalho. Ao contrário. A redução da rede física e a intensificação do trabalho caminharam lado a lado com a expansão dos ganhos dos bancos. Isso ajuda a explicar por que a organização coletiva segue sendo central em um dos setores mais lucrativos da economia.

Os dados do Boletim de Conjuntura nº 51 do DIEESE (Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos) ajudam a entender o pano de fundo. Apesar de uma leve redução da desigualdade, o Brasil continua com forte concentração de renda. O crescimento segue beneficiando principalmente o capital financeiro, enquanto os ganhos dos trabalhadores avançam de forma limitada.

No mercado de trabalho, 2025 trouxe sinais mistos. A maioria das negociações coletivas conseguiu reajustes acima da inflação, mas cresce o número de categorias que não conseguem sequer recompor perdas acumuladas. O recado é claro: negociação coletiva forte não é detalhe, é condição para garantir direitos.

Para os bancários, isso significa defender a Convenção Coletiva Nacional, os direitos históricos e disputar novos avanços. Nada disso virá por inércia.

Além do calendário eleitoral, 2026 será atravessado por debates estratégicos, como os desdobramentos da COP30 e da Segunda Conferência Nacional do Trabalho. Ao mesmo tempo, o movimento sindical seguirá enfrentando um Congresso que mantém uma agenda recorrente de flexibilização trabalhista, com ataques à negociação coletiva e à proteção social.

No setor bancário, os desafios são concretos e imediatos. Como enfrentar a automação sem garantia de empregos? Como conter o avanço do adoecimento mental e do assédio moral? Como defender o atendimento presencial em um país marcado por desigualdades digitais? Como disputar a redução da jornada sem redução salarial? E, sobretudo, como exigir contrapartidas sociais de um setor que lucra bilhões ano após ano?

A disputa também passa, cada vez mais, pelo Judiciário. O STF (Supremo Tribunal Federal) e o TST (Tribunal Superior do Trabalho) tornaram-se arenas centrais sobre o futuro do trabalho.

No STF, decisões recentes apontam caminhos contraditórios. O reconhecimento da constitucionalidade da contribuição assistencial, desde que aprovada em assembleia e com direito de oposição, fortalece o financiamento sindical. Por outro lado, o avanço de teses que dificultam o reconhecimento de vínculo em contratos pejotizados amplia a precarização. No caso do trabalho por plataformas digitais, os sinais indicam resistência ao reconhecimento do vínculo de emprego, o que reforça a necessidade de regulação e pressão social.

No TST, apesar das limitações impostas pelas decisões do Supremo, ainda há espaço de resistência. O Tribunal tem reafirmado a legitimidade da ação sindical coletiva, algo estratégico para categorias como a bancária, e mantém limites à retirada de direitos irrenunciáveis na negociação coletiva.

Se 2025 terminou com avanços pontuais e muitas incertezas, 2026 tende a ser um ano de definição. Para os bancários, a disputa não é abstrata. Passa por fortalecer o Sindicato, ampliar a participação da base e colocar em debate um projeto de país que enfrente a lógica de concentração de renda e coloque o trabalho e a dignidade no centro do desenvolvimento.

Os bancos já deixaram claro o que esperam do futuro. Resta saber se os trabalhadores conseguirão transformar lucros recordes em direitos concretos.

* Laurito Porto de Lira Filho é presidente do Sindicato dos Bancários de Londrina e funcionário do Banco do Brasil.

Fonte: Vida Bancária

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