Em 2025, o Itaú lucrou inimagináveis R$ 46,830 bilhões. Esse resultado foi 13,1% maior que o lucro de 2024, que havia sido de R$ 41,403 bilhões. No ano anterior, o banco havia registrado lucro de R$ 35,618 bilhões. “Ou seja, o lucro do Itaú cresce de forma inabalável, ano a ano. Enquanto isso, nas agências e demais locais de trabalho, a realidade dos bancários e bancárias é muito dura”, avalia o representante do Paraná nas negociações com o banco, Junior Cesar Dias.
Reestruturação permanente
Mesmo com um desempenho robusto, o Itaú segue promovendo uma reestruturação permanente, que se traduz em cortes na estrutura física e no quadro de pessoas. Segundo dados do balanço, em 2025, a holding Itaú Unibanco encerrou o ano com 82.693 empregados no Brasil, com o fechamento de 3.535 postos de trabalho em doze meses, sendo 916 apenas no último trimestre.
No mesmo período, o banco seguiu apostando na digitalização e fechou 319 agências físicas no País. Por outro lado, a base de clientes cresceu em 1,8 milhão no período, totalizando mais de 100 milhões de clientes ao final de dezembro de 2025. Outro destaque foi o índice de eficiência, que atingiu o menor nível da série histórica (38,8%), indicando que o banco gasta cada vez menos para gerar receitas.
“Trata-se de uma lógica que prioriza apenas o ganho financeiro, sem considerar o impacto sobre os trabalhadores e a qualidade do atendimento à população. Não é aceitável que um banco se torne cada vez mais eficiente às custas da sobrecarga dos funcionários e da precarização dos serviços”, acrescenta o dirigente sindical.
Fábrica de adoecimento
Um dos resultados dessa reestruturação permanente, que fecha postos de trabalho e agências de atendimento, é a sobrecarga para aqueles que permanecem. “Com a ampliação do número de clientes e a redução do número de bancários, aqueles que ficam no banco se veem com cada dia mais tarefas, demandas e afazeres. Uma sobrecarga que leva ao esgotamento profissional e ao adoecimento”, explica a secretária de Saúde do Sindicato, Ana Fideli.
Vale lembrar que os bancários estão entre as categorias com maior número de afastamentos por doenças mentais relacionadas ao trabalho no Brasil. Dados do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), compilados pela plataforma Smartlab, mostram que gerentes de banco ocuparamm o segundo lugar e escriturários o terceiro no ranking de profissionais com mais pedidos de afastamento por transtornos mentais reconhecidos como doença ocupacional (B91), entre 2012 e 2024.
Esse é o caso de uma bancária da base do Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região que, após mais de 20 anos de dedicação ao Itaú, passou pelo esgotamento profissional extremo (Síndrome de Burnout) e teve que ser afastada das atividades no banco. “Ela teve uma série de problemas de saúde, que precisaram de tratamento. E mesmo quando obteve alta do INSS, o médico do banco a considerou inapta para o retorno”, relata Ana Fideli.
Mas o pior aconteceu quando ela finalmente voltou ao trabalho: dois dias após a retomada o Itaú a demitiu sumariamente. “Uma trabalhadora que dedicou 23 anos de sua vida a uma empresa, que adoeceu de tanto trabalhar foi simplesmente descartada pelo banco que lucrou mais de R$ 45 bilhões. É no mínimo desumano agir assim. Cadê a responsabilidade social, Itaú?”, cobra a dirigente sindical.
Sindicato segue cobrando
Diante da situação, o Sindicato já está em contato com o banco para que seja feita a reversão da demissão, já que a bancária tinha direito a estabilidade provisória de emprego, conforme a Cláusula 27 da Convenção Coletiva de Trabalho (CCT 2024-2026) da categoria. ´”Também estamos cobrando do banco o fim de duas outras práticas inadmissíveis: a insistência em tenta indenizar o período de estabilidade dos trabalhadores que retornam da licença saúde, como forma de descartar essas pessoas que adoeceram dentro da empresa, e a prática contumaz de questionar todos os laudos médicos”, pontua Junior Cesar Dias.
No início de março, deve acontecer ainda uma rodada de negociação nacional entre o movimento sindical e os representantes do Itaú. O tema das demissões, do fechamento de agências e da sobrecarga estará na pauta. “Vamos cobrar que o banco encerre as demissões, pois a falta de funcionários está impactando diretamente no adoecimento dos trabalhadores. Justamente esses que são descartados pelo próprio banco na sequência”, pontua o dirigente sindical.
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Foto: Joka Madruga
Fonte: Sindicato dos Bancários e Financiários de Curitiba e região